Responsabilidade dos consumidores: apenas uma moda?

É louvável que a economia de energia doméstica e a demanda de produtos orgânicos e provenientes de comércio justo estejam aumentando. Porém, enquanto não houver uma renúncia aos voos anuais de férias e às jornadas motorizadas ao trabalho, não se pode falar em sustentabilidade no comportamento do consumidor. Aspiração e realidade, bem como o poder e a moral dos consumidores, são tema do grupo interdisciplinar de estudos “Clima”, que faz parte do programa “Scholars in Residence” (SiR) do Instituto de Ciências da Cultura de Essen.Diante da ameaça da catástrofe climática, o Center for Responsibility Research (CRR) pesquisa, há anos, a questão da responsabilidade em sociedades altamente complexas do ponto de vista das ciências culturais – uma combinação de visões filosóficas, econômicas, sociológicas e políticas. Sob a coordenação do filósofo Ludger Heidbrink, é feita uma análise minuciosa de instituições, organizações e agentes sociais, com o objetivo de apontar perspectivas de sustentabilidade. Além de temas como o futuro da economia de mercado, a relação entre moral e economia, a mudança climática e a transformação do liberalismo, a partir de 2008 o consumidor passou ser cada vez mais objeto de estudo.
Alemanha ultrapassada no ranking ecológico
O papel do consumidor como verdadeiro agente da reestruturação do sistema econômico global não pode ser ignorado. Não apenas os investimentos, mas aspectos que vão desde o design até o respeito a padrões sociais e ecológicos nos processos de produção e descarte de produtos dependem da demanda, conferindo assim ao consumidor um papel decisivo. O que não se sabe é se ele tem a consciência disto – um assunto que permanece polêmico. O crescimento em parte explosivo de mercados alternativos e fundos de investimento éticos são um lado da questão. Porém, uma pesquisa da Agência Federal do Meio Ambiente da Alemanha relata que apenas dez por cento dos cidadãos vivem um dia a dia condizente com suas posturas ecológicas. Portanto, não é nenhuma surpresa que os alemães estejam em décimo segundo lugar na lista de 17 países do ranking ecológico publicado pela revista National Geographic em 2010 – ultrapassados, entre outros, pelos indianos, brasileiros e chineses.
Isso não é compensado nem mesmo por movimentos muito difundidos na Alemanha, como, por exemplo, o LOHAS (Lifestyle of Health and Sustainability), que se definem pela postura de consumo consciente que não exclui nem mesmo privações, e que se veem como vanguarda em prol do consumo sustentável. Com um poder aquisitivo estimado em 200 bilhões de euros, eles têm grande influência no que diz respeito a uma mudança dos métodos de produção e comercialização no país. Mas, além do fato de que sua suposta consciência ecológica pode ser consequência de uma tendência passageira, não sendo, portanto, capaz de surtir efeitos a longo prazo, os especialistas receiam que possam estimular movimentos de oposição igualmente demonstrativos, com lemas “do contra”.
Consumo como política
Num levantamento das “Chances e Limites da Responsabilidade do Consumidor” durante um evento de mesmo nome organizado pelo CRR no Instituto de Ciências da Cultura, toma a palavra, entre outros, Wolfgang Ullrich, que compara compensações às emissões de dióxido de carbono com um moderno “comércio de indulgências”, através do qual pessoas que viajam frequentemente de avião compram a absolvição de seus pecados climáticos. O cientista cultural de Karlsruhe escreve sobre uma nova “sociedade de três classes”, na qual o “burguês do consumo”, supermoralista, declara guerra com seus programas de reeducação a um “proletariado do consumo” imoral e castiga com distanciamento e desprezo os “consumistas de luxo”, para quem o que importa são prazer e status.
Já a jornalista Tanja Busse, autora do livro Die Einkaufsrevolution (A revolução nas compras) defende a moralização do consumo e a eleva a uma questão política: “Da mesma forma que, há 150 anos, súditos tornaram-se cidadãos, hoje, os compradores seduzidos e movidos pela emoção deveriam se tornar consumidores esclarecidos e emancipados, que assumem a responsabilidade pelo seu consumo”. Um primeiro passo nesta direção são os fóruns na internet, que se propõem a oferecer orientação na compra de produtos ecológicos e provenientes de comércio justo.
“Turnaround” global via internet
O melhor exemplo é o portal Utopia, que descreve seu ambicioso objetivo como nada menos que um “turnaround” global. O fórum em questão pretende convencer milhões de pessoas a mudarem de maneira sustentável seus hábitos de consumo e estilo de vida. “Junto com os utopistas, pretendemos conscientizar as empresas de que é correto e importante agir de maneira sustentável nas áreas econômica, ecológica e social”, consta do site do fórum na internet. “O Utopia quer incentivar o diálogo sobre o tema sustentabilidade entre todos os agentes sociais e tornar-se um motor do ‘milagre econômico verde’”.
As chances de interação e cooperação entre empresas e consumidores no cumprimento de sua responsabilidade conjunta no que diz respeito à sustentabilidade são também o tema de Imke Schmidt, doutoranda do Instituto de Ciências da Cultura. Ela é uma das participantes do programa “Scholars in Residence”, que conta com o apoio do Goethe-Institut. Desde o segundo semestre de 2011, Schmidt conta com duas parceiras de intercâmbio científico fora do país: Ryoko Yamamoto, no Japão, e Carolina Castro Osorio, na Colômbia.
Intercâmbio interdisciplinar
“A japonesa é engenheira ambiental e pesquisa a pegada ecológica em relação às emissões de dióxido de carbono de produtos durante toda sua vida útil. O Japão tem uma abordagem muito avançada desta questão, incluindo um selo correspondente”, explica Schmidt. “A colombiana é cientista cultural como eu e se ocupa do tema sustentabilidade em zonas de grande densidade demográfica, a exemplo da região metropolitana de Bogotá. Este intercâmbio interdisciplinar entre as ciências naturais e culturais é especialmente interessante.”
Am 27. Oktober laden das Goethe-Institut und das Rachel Carson Center for Environment and Society zum Lunchtime Colloquium „Nachhaltiges Handeln – Der Konsument als Bürger“ ein. Carolina Castro Osorio, Imke Schmidt und Ryoko Yamamoto, Teilnehmerinnen des „Scholars in Residence“ Programms 2011/2012, thematisieren die Thematik der Konsumentenverantwortung am Beispiel Deutschlands, Kolumbiens und Japans. Die Veranstaltung findet im Rahmen der Reihe „Internationale Positionen – Wissenschaft im Dialog“ statt.
é escritor, redator e jornalista freelancer em Munique e Landshut.
Tradução: Renata Ribeiro da Silva
Copyright: Goethe-Institut e. V., Internet-Redaktion
Outubro de 2011
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Links relacionados
- Center for Responsibility Research (CRR)

- The project: Consumer Responsibility – New Consumer Power and Morals

- Scholars in Residence: a Cooperation of the Goethe Institute and the KWI

- An evaluation on the “Opportunities and Limits of Consumer Responsibility”

- Björn Ahaus, Ludger Heidbrink, Imke Schmidt: “Der verantwortliche Konsument. Wie Verbraucher Verantwortung für ihren Alltagskonsum übernehmen können” (The Responsible Consumer. How Consumers can take responsibility for their daily consumption)

- Utopia – Internetplattform für strategischen Konsum und Nachhaltigkeit

- LOHAS (Lifestyle of Health and Sustainability)

- Consumption for a Better World: Utopia.de (goethe.de)







- Saving the World With Your Shopping Trolley – the Lohas Fairy Tale







- Scholars in Residence of the Goethe-Instituts (goethe.de)


- Lunchtime Colloquium “Sustainable Behavior of Consumers as Citizens“ (goethe.de)
















