Teatro e dança

O teatro europeu

Magdeburg (Sachsen-Anhalt): Eine Szene aus dem Theaterstück `Shoppen&Ficken´ bei der Generalprobe am 14.09.2002 im Theater der Landeshauptstadt Magdeburg; Copyright: picture-alliance / ZB Magdeburg (Saxônia-Anhalt): Cena de `Shopping and Fucking´ em ensaio geral no Teatro de Magdeburg; Copyright: picture-alliance / ZBO teatro na Europa sempre foi caracterizado pelo intercâmbio entre diversas regiões do continente. Nos anos 1990, a influência recíproca entre os países atingiu intensidade única através da interseção entre teatros da Alemanha, Bélgica, França e Inglaterra.

Na Alemanha, a casa de espetáculos Theater am Turm (TAT) em Frankfurt, foi pioneira no sentido de abrir espaço para coproduções europeias. Um artista como Jan Fabre, atuante em diversas áreas, tornou-se um exemplo para os diretores mais jovens, que passaram a questionar gêneros e formas convencionais de teatro e inventaram o que se convencionou chamar de "cross-over". Fabre se autointitula até hoje um artista multilateral, sendo ao mesmo tempo autor dramaturgo, coreógrafo, diretor e artista plástico.

Rede de festivais e coproduções

Teatro TAT em Frankfurt; Copyright: picture-alliance / dpaMais significativo que a influência de diretores e casas teatrais isoladamente, foi, contudo, o desenvolvimento de uma rede interligada de festivais e coproduções teatrais. Naquela época, os recursos financeiros disponíveis ainda eram fartos e os orçamentos das casas de teatro ainda não haviam sido reduzidos. Assim, surgia espaço para novas formas de teatro e para o teatro-dança em casas como o TAT de Frankfurt ou a Kampnagelfabrik de Hamburgo, que apresentaram respectivamente trabalhos da belga Anne Teresa de Keersmaeker e da coreógrafa francesa Maguy Marin. No Festival de Teatro de Avignon, foram dedicadas noites às peças de Pina Bausch. Avignon se tornava, naquele período, uma espécie de meca do teatro contemporâneo. Deste que é o maior festival de teatro do mundo, participavam vários diretores alemães, enquanto Heiner Müller era aclamado pelos franceses, que o veneravam como a Brecht, Beckett e Genet. A edição do Festival de 1991 foi inteiramente dedicada a Heiner Müller. Entre outros eventos, aconteceu uma "Noite Müller", durante a qual as encenações em francês do dramaturgo alemão puderam ser vistas das 10hs da noite até as 4hs da madrugada.

França - Alemanha

Homenagem a Pina Bausch no Festival de Avignon, 1995; Copyright: picture-alliance / dpaPara os profissionais do teatro alemão, era interessante observar as diferenças entre a organização dos teatros nos dois países. Quem cruzava a fronteira alemã, atravessando o Reno, percebia com satisfação que a Alemanha parecia ser o único país no mundo a contar com uma rede de teatros municipais com elenco fixo e repertório estabelecido. Algo parecido nunca havia existido e continua não existindo na França. Por outro lado, na função de ministro francês da Cultura, Jacques Lang fundou uma série de centros de incentivo de teatro e teatro-dança, como o Centre Nationale du Teatre e o Centre Nationale de la Danse, onde as interseções entre a representação teatral e a dança começaram a ser pesquisadas muito antes do início de pesquisas similares na Alemanha. Além disso, havia no sistema de teatro francês uma permeabilidade maior entre grupos tradicionais e independentes. A Alemanha, porém, tirou o atraso e tem hoje grupos independentes (como o Rimini Protokoll por exemplo, que trabalha com pesquisa de campo no espaço urbano) que foram rapidamente integrados ao programa de teatros tradicionais.

Ao mesmo tempo, o público francês começou a desenvolver uma predileção por diretores alemães, festejando, entre outros, um diretor inovador como Frank Castorf e seu teatro da desconstrução. Depois da virada do século, chegou a vez de Thomas Ostermeier, diretor do Schaubühne de Berlim, cultuado pelo público de Avignon. Ostermeier incorporava o estilo alemão de direção de não apenas encenar uma peça, mas de explorar intensamente as relações entre os personagens. Uma tendência presente até hoje no teatro alemão, que contrasta com o "teatrão" preso ao texto, cultivado por muitos diretores franceses.

Inglaterra - Alemanha

Cena de Karl Marx: O CAPITAL, primeiro volume por Helgard Haug e Daniel Wetzel / Rimini Protokoll; da esq. para a dir. Sascha Warnecke, Ralph Warnholz, Schauspielhaus de Düsseldorf, Estreia 4 de novembro de 2006; Copyright: Sebastian HoppeEm termos de direção, os diretores alemães sempre demonstraram maior afinidade com o teatro inglês. Mas em meados dos anos 1990, os diretores alemães sentiam-se muito próximos do teatro britânico especialmente por causa de peças escritas no Reino Unido por jovens autores. Neste contexto, Thomas Ostermeier também exerceu um papel importante, ao transformar o Baracke, um anexo do Deutsches Theater de Berlim, em um dos palcos mais interessantes da Europa. Ostermeier introduziu ali peças contemporâneas de autores britânicos, como Shopping and Fucking, de Mark Ravenhills, Disco Pigs, de Enda Walsh, ou Knives in Hens de David Harrower. Sob a direção de Ostermeier, o Schaubühne é, de acordo com dados fornecidos pelo próprio teatro, a única casa de espetáculos do mundo a ter no repertório todas as peças da prematuramente falecida autora Sara Kane.

Mais importante que a influência de cada autor britânico na Alemanha foi o fato de o teatro alemão ter passado a desenvolver uma rede estreita de incentivo a dramaturgos, inspirada no modelo inglês. Hoje, os teatros municipais alemães recrutam seus próprios autores, muitas peças passaram a ser escritas sob encomenda e foram criados festivais de dramaturgia contemporânea com peças alemãs e europeias. Enquanto isso, diretores belgas e holandeses, como Luc Perceval e Johan Simons, exercem um papel importante nos teatros alemães. E o público francês continua demonstrando uma predileção especial por diretores alemães.

Jürgen Berger
Jürgen Berger é crítico de teatro e literatura dos jornais Süddeutsche Zeitung, Berliner Tageszeitung e da revista Theater heute. É membro do júri do festival Berliner Theatertreffen. Entre 2003 e 2007, participou do comitê de seleção do Prêmio de Dramaturgia de Mülheim.

Tradução: Renata Ribeiro da Silva

Copyright: Goethe-Institut e. V., Online-Redaktion

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Janeiro de 2008

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