idiotas
Ainda acenava, quando percebeu pelo canto dos olhos um movimento. Virou a cabeça e ali estava a fada, pairando diante dele.
- Boa-noite - desejou a fada.
- Boa-noite - respondeu Max, deixando o braço estendido no ar como sinal para o garçom e esperando que ela lhe pedisse uma informação ou um cigarro. Ele bem percebeu que a figura diante dele parecia, de certa forma, transparente e que seus pés descalços não tocavam o chão, mas atribuiu esses fatos ao modelo do reluzente vestido azul-celeste e ao efeito de sandálias de produção refinada. Ela talvez trabalhasse com moda; perto do Sporteck havia alguns pequenos ateliês.
- Sou uma fada e vim para realizar um desejo seu.
Max se voltara novamente para a porta, na esperança de poder lançar um olhar sedento para o garçom que, aparentemente, não notara seu braço estendido. Assim, só percebeu as palavras da fada após algum tempo.
- Como?
- Uma fada - repetiu a fada -, e vim para realizar um desejo seu.
Primeiro, Max olhou irritado, então, deixou o braço cair e franziu a testa com ar de desaprovação. Seria uma brincadeira? Talvez coisa de propaganda? A boa fada de Schultheiss ou Marlboro, que prometia realizar um desejo de homens sentados por aí, sozinhos, que poderiam escolher entre uma mountain bike ou uma coleção de facas, desde que encomendassem semanalmente um pacote de cigarros ou dois engradados de cerveja durante um ano inteiro? Ou uma dessas pegadinhas de televisão? Mas onde estavam as câmeras? Ou, simplesmente, seria uma louca?
- Ouça, caso se trate de qualquer tipo de brincadeira ...
- Não. Sou uma fada de verdade, e o senhor tem direito a um desejo. Contudo, os seguintes domínios estão excluídos: imortalidade, saúde, dinheiro, amor. - A fada recitava sua fala. Era seu décimo compromisso naquele dia e, talvez, o milésimo desde que o a promovera do serviço de estrelas cadentes para o círculo das fadas. Ela conhecia todas as reações de espanto e de indagações, ainda que em forma abrandada. Isso porque, para que sobrasse às fadas tempo suficiente para realizar os sonhos e para que não tivessem de explicar detalhadamente suas capacidades e particularidades a cada vez, havia algo em sua aura que só deixava aparecer, nos agraciados, algo como surpresa, susto, perguntas ou dúvidas numa proporção relativamente reduzida. A partir do momento de sua aparição, a visita de uma fada se tornava, para a maioria deles, quase tão normal como uma ida ao mecânico de automóveis ou a um consultor de impostos. As explicações técnicas desses últimos também não eram compreendidas com tanta exatidão por quase ninguém, e alguns dos métodos para conseguir um carro por intermédio do TÜV ou sonegar o imposto sobre um ganho beiravam a bruxaria para os não-iniciados.
Contudo, uma minoria exigia compreender um processo que, claramente, estava a seu favor.
Max permaneceu imóvel por um momento. Depois, escutou as palavras da fada, procurou se conscientizar de seu significado, sacudiu a cabeça, olhou rapidamente em volta para ver se o mundo ao redor ainda era o mesmo e, em seguida, inclinou-se sobre a mesa.
- A senhora realmente está levitando, é?









