Sebald, W. G.

Vertigem. Sensações

W.G. Sebald: Vertigem, sensações. © Editora: Companhia das LetrasVertigem. Sensações
Tradução: José Marcos Mariani de Macedo
São Paulo: Companhia das Letras, 2008
- 200 p.
ISBN: 9788535913347

Título original: Schwindel. Gefühle







Em outubro de 1980, um narrador anônimo abandona a Inglaterra, onde vivera durante o último quarto de século, para tentar escapar a um período particularmente difícil de sua vida. É assim, sob o signo da fuga, da viagem perene, que começa o périplo de Vertigem: da Inglaterra ao continente, de Viena a Veneza, Verona, Milão, Riva e finalmente à aldeia alemã W.
A viagem do protagonista se multiplica em outras: ele passa a refazer trajetos empreendidos em outros tempos por viajantes inquietos como Casanova, Stendhal, Kafka, que narra no tom minucioso de um historiador ou biógrafo. Com isso, seu trajeto vai aos poucos se fragmentando numa verdadeira câmara de espelhos, um espaço tão palpável quanto metafórico, teatro que é tanto o da memória íntima quanto o da história européia do século XX. A verdadeira viagem do narrador, afinal, será a experiência de uma redescoberta dolorosa do passado

Excerto da obra

Austerliz

Austerlitz © Cia. das LetrasAusterliz
Tradução: José Marcos Mariani de Macedo
Sao Paulo: Companhia das Letras, 2008
- 288 p.
ISBN: 9788535912012

Título original: Austerliz





O professor Jacques Austerlitz explora a estação ferroviária de Liverpool Street, em Londres, coletando material para suas pesquisas, quando é subitamente tomado por uma visão retrospectiva que talvez o ajude a explicar, não tanto a "arquitetura da era capitalista", seu campo de estudos, mas sim o sentimento incômodo de ter vivido sempre uma vida alheia. A partir dessa experiência, suas andanças pelas ilhas britânicas e pelo continente europeu, sua mania fotográfica e sua memória minuciosa ganham ímpeto bem mais que acadêmico: Austerlitz passa a reconstruir a própria história, descobrir a própria biografia.
Para cumprir essa tarefa - ou esse destino - o herói do romance terá de ir e vir entre várias décadas, muitos países e os cenários mais díspares: um lar protestante no interior de Gales, um internato britânico, uma biblioteca em Paris, fortificações, palácios, campos de concentração, monumentos e banheiros públicos. No fim dessa viagem - que converterá a biografia mais íntima do professor inglês em cifra da história européia no século XX -, está o momento em que tudo começou, com outros nomes, em outra língua, numa outra estação ferroviária, quando os horrores da Segunda Guerra e do Holocausto começavam a se anunciar.
Explorando temas como a perda, o desolamento e a inquietude mental, e misturando gêneros como as memórias, a história e a literatura de viagem, a prosa de Sebald foi imediatamente saudada no mundo todo por desafiar os limites da ficção. Como em todos os seus romances, o texto de Austerlitz também é costurado por uma série de fotografias quase enigmáticas: objetos, cartões-postais e lugares não identificados não são meras ilustrações da história - através delas, o autor parece sugerir algo mais.

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