50 anos Goethe-Institut Porto Alegre

Longos Diálogos Acadêmicos*

Minha experiência com o Instituto teve início na metade dos anos 80, como estudante de graduação em Filosofia. Nesse período, sem internet, conheci, nos eventos promovidos pelo Goethe-Institut, grandes expoentes da Filosofia alemã contemporânea como Habermas, Apel e Luhmann. Também nessa época, entrei em contato com Hans-Georg Flickinger que, posteriormente, orientaria a minha tese de doutorado na Alemanha. Em 1989, comecei a frequentar mais intensamente os cursos de idioma no Goethe-Institut – tive seus excelentes professores! – como também a Biblioteca do Instituto. Em 1994, ao chegar na Alemanha para o doutorado, precedido por um curso de idioma no Goethe-Institut de Göttingen, pude constatar que recebera uma formação assaz sólida nessa língua na capital gaúcha, prestando, com êxito, naqueles anos, provas como o KDS [Kleines Deutsches Sprachdiplom] e o GDS [Großes Deutsches Sprachdiplom].

Em 1998, volto do doutorado e, nos anos seguintes, (co-)organizei uma série de eventos no Goethe-Institut. Atuei em projetos do Instituto Goethe e da AEBA (Associação dos Ex-Bolsistas da Alemanha), em parceria com uma série de colegas da PUCRS, tanto da Filosofia como do Direito, especialmente Nythamar de Oliveira, Ernildo Stein e Ingo Sarlet. Foi um período muito intenso da minha vida e de nosso intercâmbio com intelectuais alemães (muitas idas ao aeroporto e jantares com esses grandes intelectuais, que se tornaram momentos de longos diálogos acadêmicos), chegando a uma lista de convidados que ostenta mais de 80 nomes. Assim, possibilitou-se que nossos docentes e discentes entrassem em contato com intelectuais alemães altamente qualificados. Muitos desses visitantes vieram mais de uma vez a Porto Alegre e gentilmente acolheram pesquisadores brasileiros na Alemanha.

Além de o Instituto participar de forma decisiva no financiamento dessas atividades (juntamente com o DAAD [Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico], a DFG [Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa], a Fundação Humboldt e as agências de fomento brasileiras), ao hospedar nossas iniciativas conjuntas imprimia nelas o selo de qualidade de um Instituto unanimemente reconhecido na cena cultural de nossa cidade.

Concluo essas breves linhas, sublinhando o enorme significado que esse Instituto teve e tem na minha trajetória intelectual e renovando o agradecimento pela enorme colaboração que prestou à vida cultural do meu país. O Goethe-Institut de Porto Alegre marcou profundamente várias gerações de intelectuais de Porto Alegre, colocando-nos em contato com distintos pensadores alemães. Que privilégio poder ouvir, em solo gaúcho, Höffe,Tugendhat, Küng, Jaeschke, Horn, Neuser, Nüsslein-Volhard, Grimm, Limbach e Gutmann, entre dezenas de visitantes que poderia mencionar.

Draiton Gonzaga de Souza*
Professor de Filosofia da PUCRS