50 anos Goethe-Institut Porto Alegre

Traduzir para o teatro*

Carol de Góes

No âmbito da 60ª Feira do Livro de Porto Alegre o Goethe-Institut organizou em novembro de 2014 uma programação especial sobre tradução de textos dramáticos. A programação começou com um experimento: seis tradutores de diferentes regiões do Brasil ocupando-se durante dois meses da tradução coletiva de uma peça atual, “Mameloschn: língua-mãe” (Muttersprache Mameloschn), de Marianna Salzmann.

A peça, “uma comédia de tipos de alta voltagem a partir de uma família de mulheres judias” - conforme as palavras do crítico teatral Jürgen Berger, que a recomendou ao Goethe-Institut Porto Alegre - foi um verdadeiro desafio aos tradutores. Os diálogos, permeados por um humor subjacente, não permitiam uma tradução direta para a outra língua.

O encerramento do trabalho coletivo de tradução deu-se na forma de uma oficina de quatro dias durante a realização da Feira do Livro, quando os seis tradutores encontraram-se pela primeira vez em Porto Alegre e dedicaram- se a polir seu texto.

Carol de Góes

Evento "Tradutor Visível" durante a 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, com o grupo de tradutores (Camilo Schaden, Carla Bessa, Fabiana Macchi, Herta Elbern, Luciana Waquil e Marcus Tulius Franco Morais)  

No intuito de oferecer ao público em geral uma ideia do trabalho do tradutor, no quinto dia foi realizado um evento aberto nos moldes do já tradicional formato do “Tradutor visível”. Nesse evento os seis tradutores discutiram em público sobre as passagens mais complicadas no processo de tradução de “Mameloschn: língua-mãe”.

Uma vez que a tradução de textos teatrais tem como finalidade sua encenação, o Goethe-Institut Porto Alegre convidou a jovem diretora Mirah Laline, com diversas premiações, para levar a peça ao palco na forma de uma leitura cênica ainda durante a Feira do Livro. Assim o público pôde assistir ao trabalho de elaboração da tradução e, três dias depois, presenciar o texto traduzido no palco. O grupo de tradutores continuava limando seu texto até a manhã do dia da leitura cênica, enquanto as três atrizes e o gaiteiro ensaiavam em intensa comunicação com os tradutores. “Para mim foi uma grande emoção ver no palco o texto que nós traduzimos“, disse uma das tradutoras no debate que se seguiu, com a diretora, o dramaturgo brasileiro Fernando Kike Barbosa e o coordenador de artes cênicas de Porto Alegre, Breno Ketzer Saul.

Carol de Góes

Leitura Cênica de "Mameloschn: língua-mãe"

Diante da ressonância tão positiva da leitura cênica junto ao público, Mirah Laline a diretora e os atores Ida Celina, Mirna Spritzer e Valquiria Cardoso e Philipe Philippsen decidiram continuar trabalhando e transformar a leitura numa montagem da peça. As sete apresentações da peça em junho de 2015 no Goethe-Institut tiveram lotação máxima e grande repercussão na imprensa. O fato de os tradutores serem responsáveis por uma grande parcela desse sucesso tornou-se claro para todos a partir da oficina de tradutores.

Os tradutores de “Mameloschn: língua-mãe” são: Camilo Schaden, Carla Bessa, Fabiana Macchi, Herta Elbern, Luciana Waquil e Marcus Tulius Franco Morais.

*Marina Ludemann
Diretora do Goethe-Institut Porto Alegre