Dança

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Engenho

24 dançarinos do Balé do Teatro Castro Alves, buscando transpor a amargura e a doçura do açúcar para os paradigmas espaço, tempo e corpo.



Na coreografia Engenho, o coreógrafo alemão Felix Ruckert traz a figura do dançarino, sua personalidade e individualidade, para o centro das atenções, ajudando assim o corpo marginalizado a adquirir status de sujeito no palco central do teatro.

Um processo semelhante ocorre com o desvio deliberado do olhar: os espectadores são estimulados a abandonar sua posição de observadores, a circular livremente pelo teatro, dentro do palco e mesmo atrás dele, e dessa forma a se tornar, eles próprios, parte da performance, assumindo momentaneamente a perspectiva dos dançarinos em ação; deslocam-se, assim, as posições de sujeito e objeto.

Através dessa sua concepção do espaço, Ruckert propõe uma reação contra o fatalismo do açúcar. A ambivalência do açúcar como objeto agridoce se revela também em outras dicotomias que Ruckert busca trazer ao palco e que se encontram em suspenso devido a sua simultaneidade.

Estreiteza e vastidão, circularidade e ruptura, encenação e improvisação – estes são alguns dos pares de opostos através dos quais Ruckert tenta abarcar a complexidade do objeto açúcar.

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Por um teatro participativo: tocar em vez de bolinar
por: Felix Ruckert


Hoje em dia, a relação entre atores e receptores na dança lembra a falta de carinho presente nas cenas de um clube de swingers. Uma mecânica do encontro medrosa e às vezes ridícula que abraça a ilusão de liberdade. Uma máquina de brinquedo sem fi m que pretende substituir a falta de criatividade. Uma emoção incipiente logo relativizada pelo humor. O indivíduo se deixa levar fi sicamente, sem acovardar-se diante da imundície, da dor ou dos berros, mas seu coração não pode e nem quer estar ali. O que será isso? Nos palcos contemporâneos, há muito sexo e muito consumismo, mas pouco amor e doação. As teorias da comunicação abafam o estranhamento e a estupefação....

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Sob a neve tropical: como continuar dançando em corpos-campos de concentração
por: Ciane Fernandes


No início de 2003, na gelada Berlin, visitei uma exposição no Ethnologisches Museum (Museu Etnológico), intitulada Deutsche am Amazonas — Forscher oder Abenterer? Expeditionen in Brasilien 1800 bis 1914 (Alemães no Amazonas – Exploradores ou Aventureiros? Expedições no Brasil 1800 a 1914), sob curadoria de Richard Haas. No espaço limpo e organizado cronologicamente, artefatos de culturas indígenas brasileiras misturavam-se a fotos destes e dos exploradores, bem como de alguns de seus objetos de viagem. O silêncio e ordem concediam homogeneidade e clareza a estes objetos supostamente contrastantes.
No final de outubro de 2008, na quente Salvador da Bahia, assisti à estréia do espetáculo Engenho, do coreógrafo alemão Felix Ruckert, resultado de dois meses de sua residência com o Balé do Teatro Castro Alves. ....

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