O ciclo de cacau de Jorge Amado



O ciclo do cacau de Jorge Amado, a política, a literatura e a recepção alemãs

O artigo aqui apresentado, de Claudius Armbruster, diretor do Instituto Português-Brasileiro, na Alemanha, enfatiza as interfaces da vida e obra de Jorge Amado com a literatura e cultura alemãs.

O ciclo do cacau do escritor baiano Jorge Amado (1912-2001) compreende quase meio século de escrita sobre o tema do cacau. Nos romances Cacau, Terras do Sem Fim e São Jorge dos Ilhéus, as relações sociais no universo cacaueiro, com os donos da terra, os coronéis e as suas esposas e amantes, os trabalhadores, as meretrizes, os conflitos e tocaias ganham um caráter épico e histórico, ultrapassando os limites do realismo socialista. Mais tarde, em Gabriela Cravo e Canela (1959) e Tocaia Grande (1982), Jorge Amado volta à região do cacau, com ênfase na cultura popular e no amor.

A comparação de Jorge Amado com a escritora alemã Anna Seghers (1900-1983) mostra dois escritores engajados, escrevendo sobre a exploração dos pobres e sobre a perseguição política e religiosa. O tempo do nazismo, a guerra e a guerra fria fizeram ambos envergarem pela via stalinista e pelo realismo socialista.

Com relação à recepção literária dos romances de Jorge Amado na Alemanha, foi a amiga Anna Seghers quem criou a imagem de Jorge Amado como um “Balzac brasileiro” ou um “Balzac da selva”, apresentando o romance Terras do Sem Fim na Alemanha Oriental. Na Alemanha Ocidental, Amado era visto como um autor comunista e editado só depois da publicação de Gabriela, quando Jorge Amado, depois de se desligar do stalinismo, inaugura uma nova fase literária mais livre e mais popular. Anna Seghers, porém, não consegue distanciar-se abertamente do regime comunista da Alemanha Oriental.

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