Conferência em São Paulo: “Ensaios Amazônicos – Amazonische Versuche”São Paulo, 8 e 9 de dezembro de 2006
Em dezembro de 2006, realizou-se em São Paulo uma Conferência Internacional de Ciência, que explorava a fundo as diferentes dimensões e temáticas do Projeto Amazônia.
Participantes:
Pretendia-se então examinar a possibilidade de uma reflexão estético-política, que pudesse ser concretizada através de uma forma de uma expressão polisemiótica bem conhecida do mundo ocidental: a ópera. O seminário propunha-se a tentar encontrar respostas para as seguintes perguntas: Se a proposta é criar-se uma ópera, o que, na Amazônia, poderia servir de tema para este projeto? Ou seja: O que está em jogo nessa região, que precisaria ser encenado? E como transpor para o palco esta realidade (uma pergunta decisiva), para que as complexas reflexões desenvolvidas atualmente na Amazônia, também estejam contidas nesta reflexão?
A Amazônia é hoje foco central da crise ambiental global, da geopolítica, das lutas pela preservação da biodiversidade, da privatização dos recursos genéticos e dos conhecimentos tradicionais a eles associados, dos interesses da tecnociência e dos fluxos transnacionais de capital, da “tardia” predação econômica, dos projetos de desenvolvimento (sustentáveis e não sustentáveis), bem como dos problemas sociais e étnicos, que se manifestam em âmbito local, regional, nacional e internacional. E, como se não bastasse, tudo isto acontece em proporções realmente amazônicas, isto é: sobre-humanas, desmedidas, e não apenas com relação à paisagem, ao tamanho dos rios e à exuberância das florestas, mas também à postura daqueles que acreditam num “paraíso” inesgotável, passível de exploração infinita.
Parece incrível, mas é verdade: Peter Weibel superou seu medo de voar e veio a São Paulo. Sua presença enriqueceu muito o seminário. O “outro” xamã da Amazônia teve de cancelar sua participação na última hora, porque a morte de um integrante de sua tribo tornava imprescindível sua presença na aldeia. Durante o seminário, o melhor e o mais crítico conhecimento da Amazônia pode ser compilado, apresentado e discutido. O excelente nível do encontro deveu-se principalmente ao trabalho dos coordenadores Laymert Garcia dos Santos (Unicamp, Campinas) e Eduardo Viveiros de Castro (Museu Nacional, Rio de Janeiro).
Participantes:
- Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Serviço Social do Comércio (SESC), São Paulo
- Joachim Bernauer, diretor regional de Cultura, Goethe-Institut São Paulo
- Peter Weibel, Centro de Arte e Mídia (ZKM), Karlsruhe
- Eduardo Góes Neves, Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo
- José Ribamar Bessa, Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói
- Paulo Roberto Martini, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), São José dos Campos, São Paulo
- Eduardo Viveiros de Castro, professor de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
- Philip M. Fearnside, biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
- Washington Novaes, jornalista
- Lúcio Flávio Pinto, redator-chefe do “Jornal Pessoal”, Belém
- Marcelo Leite, sociólogo, São Paulo
- Fernando Pellon de Miranda Jr., geógrafo, Cenpes, Rio de Janeiro
- José Wagner Garcia, artista multimídia, São Paulo
- Carlos Alberto Ricardo, sociólogo e diretor do Instituto Socioambiental (ISA), São Paulo
- Mauro William Barbosa de Almeida, antropólogo, Universidade de Campinas (Unicamp)/Acre
- Toinho Alves, jornalista
- Laymert Garcia dos Santos, sociólogo
- Tânia Stolze Lima, antropóloga social, Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói
- Habakuk Traber, Bienal de Munique
- Pedro Peixoto Ferreira, sociólogo, Universidade de Campinas (Unicamp)
- Geraldo Luciano Andrello, sociólogo, Instituto Socioambiental (ISA), São Paulo
- Hermano Vianna, antropólogo e pesquisador musical, Rio de Janeiro
- Rosângela de Tugny, musicóloga, Departamento de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte
- Marlui Miranda, cantora
Um Relatório Final – por Joachim Bernauer
O seminário “Ensaios Amazônicos – Amazonische Versuche” foi um encontro preparatório para a produção de uma nova ópera. Ele examinava a necessidade e a viabilidade de uma reflexão sobre a atual situação e as perspectivas futuras da região amazônica sob três aspectos: como parte do planeta Terra, como território de certos estados-nação e, por último, como modelo do imaginário globalizado no que diz respeito à natureza (biodiversidade), aos segredos da selva (biotecnologia e conhecimentos tradicionais), à crise ambiental (aquecimento global) e ao destino do homo sapiens (passado e futuro).Pretendia-se então examinar a possibilidade de uma reflexão estético-política, que pudesse ser concretizada através de uma forma de uma expressão polisemiótica bem conhecida do mundo ocidental: a ópera. O seminário propunha-se a tentar encontrar respostas para as seguintes perguntas: Se a proposta é criar-se uma ópera, o que, na Amazônia, poderia servir de tema para este projeto? Ou seja: O que está em jogo nessa região, que precisaria ser encenado? E como transpor para o palco esta realidade (uma pergunta decisiva), para que as complexas reflexões desenvolvidas atualmente na Amazônia, também estejam contidas nesta reflexão?
A Amazônia é hoje foco central da crise ambiental global, da geopolítica, das lutas pela preservação da biodiversidade, da privatização dos recursos genéticos e dos conhecimentos tradicionais a eles associados, dos interesses da tecnociência e dos fluxos transnacionais de capital, da “tardia” predação econômica, dos projetos de desenvolvimento (sustentáveis e não sustentáveis), bem como dos problemas sociais e étnicos, que se manifestam em âmbito local, regional, nacional e internacional. E, como se não bastasse, tudo isto acontece em proporções realmente amazônicas, isto é: sobre-humanas, desmedidas, e não apenas com relação à paisagem, ao tamanho dos rios e à exuberância das florestas, mas também à postura daqueles que acreditam num “paraíso” inesgotável, passível de exploração infinita.
Parece incrível, mas é verdade: Peter Weibel superou seu medo de voar e veio a São Paulo. Sua presença enriqueceu muito o seminário. O “outro” xamã da Amazônia teve de cancelar sua participação na última hora, porque a morte de um integrante de sua tribo tornava imprescindível sua presença na aldeia. Durante o seminário, o melhor e o mais crítico conhecimento da Amazônia pode ser compilado, apresentado e discutido. O excelente nível do encontro deveu-se principalmente ao trabalho dos coordenadores Laymert Garcia dos Santos (Unicamp, Campinas) e Eduardo Viveiros de Castro (Museu Nacional, Rio de Janeiro).
Joachim Bernauer
era, em 2006, diretor regional de Cultura do Goethe-Institut São Paulo. Desde 2008, ele dirige o Goethe-Institut Lisboa, em Portugal.
era, em 2006, diretor regional de Cultura do Goethe-Institut São Paulo. Desde 2008, ele dirige o Goethe-Institut Lisboa, em Portugal.








