Sobre o projeto

“Amazonas”, a ópera – uma sinopse

© ZKM

Em três partes artisticamente independentes, “Amazônia” fala do drama climático, político e cultural que se desenrola na Amazônia dia após dia. Os compositores Klaus Schedl, Tato Taborda e Ludger Brümmer criam diferentes paisagens sonoras para o libreto de Roland Quitt (parte I e II) e os projetos artísticos desenvolvidos no ZKM - Centro de Arte e Mídia (parte III). Dessa forma, “Amazônia” põe em foco três dimensões de um tema decisivo para o futuro global, e lança um olhar no passado, no presente e num possível futuro dessa região.


Parte I: “Tilt”

Libreto de Roland Quitt, música de Klaus Schedl

Klaus Schedl | Foto: particularNum tempo após o final dos tempos. Vozes distantes se juntam à ruidosa transmissão de uma notícia. Demorará até que os aparelhos se desliguem. As vozes falam do momento inaudito de um primeiro encontro. Elas relatam sobre o pesadelo do paraíso, sobre o horror do indizível. Justificam a necessidade de se substituir a natureza pela cultura e se perdem em visões febris de um mundo artificial, em que, no final, o homem também será uma máquina dourada. A peça é baseada no relato da expedição de Walter Raleigh The discoverie of the large rich and bewtiful empyre of Guiana. Em 1595, Raleigh partiu em expedição com 40 homens para explorar o Orenoco. Ele acreditava que a região designada pelos espanhóis de Eldorado estaria em um local próximo ao atual território dos índios Yanomami. Tilt persegue pistas subliminares no relato de Raleigh, que se revelam como protótipo do pensamento europeu. Escrito a partir da perspectiva dos antigos descobridores, o texto já contém uma completa descrição sobre conquista e usurpação da terra.

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Klaus Schedl sobre sua composição (MP3, 04:21 minutos, em alemão)


Parte II: “A queda do Céu”

Libreto de Roland Quitt, música de Tato Taborda

Tato Taborda | Foto: Michael ScheidlNão esperes até que possas vê-lo! Esta regra de sobrevivência não vale apenas com relação ao jaguar. A selva é impenetrável para os olhos. São os ouvidos que garantem a orientação. O xamã entende a voz da floresta, e a floresta lhe conta que, há pouco tempo, surgiu no céu uma fenda. A floresta é o próprio mundo - seria inútil distingui-los. E o mundo vem sendo visitado por um monstro canibalesco invisível que chega envolto em fumaça, ruído de motores, e devora os homens e o seu espaço vital, enquanto a fenda no céu continua a crescer. Os agentes do monstro podem ser vistos. Feios e de pele clara, eles se escondem, por isso mesmo, sob uma segunda pele. Eles lutam por idéias abstratas e têm uma paixão incompreensível por coisas inúteis. Acreditam que seria uma ótima idéia iluminar a noite amazônica com eletricidade. Mas o homem não precisa da escuridão para estar a sós consigo mesmo? – A Queda do Céu trata da devastação da Amazônia segundo a interpretação dos Yanomamis do sul, ao redor da aldeia Watoriki. Fonte principal para esta parte foram as conversas com a população indígena e os seus xamãs. O entnólogo Bruce Albert, que atuou como consultor, tradutor e companheiro de trajeto, teve importante participação na criação desta peça. Esta segunda parte também se baseia no livro La Chute du Ciel de Davi Kopenawa e Bruce Albert, publicado pela Editora PLON, em Paris.

Foto da Amazônia na região de Watoriki, Roraima / Brasil | © ZKM, Hutukara Associação Yanomami. Foto: Moritz Büchner


Parte III: “A espera da sustentabilidade de um método racional para solucionar o problema climático”

Peter Weibel, Ludger Brümmer e Bernd Lintermann

Peter Weibel e Ludger Brümmer | © ZKM, ONUKNa mitologia dos Yanomami, cantos provindos das árvores relatam e preservam seu passado, seu futuro e suas histórias. Os animais e os espíritos também falam com eles através das árvores. Um grupo vocal com 16 componentes personifica e dá voz à floresta e aos índios Yanomami. A música não é entendida aqui como a criação de um compositor, mas sim, como “composição molecular” – uma sonorização das informações oriundas da floresta: a organização interna desse imenso bio-organismo pode ser vivenciada acustica e musicalmente. Elemento central do palco é uma mesa de conferência, utilizada como um instrumento áudio-visual. Representantes da política, da igreja, da economia e da área científica negociam a questão amazônica, dando início a uma tensa discussão com as vozes da floresta.

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Peter Weibel, Ludger Brümmer e Bernd Lintermann: “Amazonas – teatro música em três partes”, parte III

Credits

“Amazonas – Teatro música em três partes” é uma co-produção da Central do Goethe-Institut em Munique, da Bienal de Munique, do Centro de Arte e Mídia de Karlsruhe (ZKM), do SESC São Paulo, da Hutukara Associação Yanomami e da Ópera Nacional de São Carlos em Portugal. Seus parceiros de cooperação são: a Operadays Rotterdam, a Netzzeit (Viena). O projeto conta com o patrocínio da Fundação Nacional da Cultura, do Programa “Kultur” da União Européia, do Deutsche Bank, do Petrobrás, do Hamburg Süd e da Fundação EDP. Parceiros mídia: ARTE, Deutschlandradio Kultur, Antena 2 e RTP.
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