Música

O boom da música alemã

Prinz Pi, Bildquelle: (CC BY-NC-ND 2.0) Johanna Bocher, flickr.comNem sempre foi assim. Todos sabem que, na Espanha, a música nacional é muito apreciada. Em comparação com os êxitos vindos dos EUA, as vendas de música nacional não se ficam nada atrás.

Na Alemanha, pelo contrário, o domínio das produções vindas do outro lado do oceano fez-se sentir durante muitos anos. Mas esta realidade pertence ao passado.
Em especial no ano de 2013, quase todos os álbuns editados em alemão conseguiram chegar ao Top Ten das tabelas alemãs, se não mesmo à posição de topo. Como é que se explica este boom? Será que as pessoas na Alemanha ganharam uma nova sensibilidade e um novo sentimento em relação à sua própria língua? Vamos aqui tentar explicar esta evolução segundo quatro pontos de vista: a qualidade das produções, que chegou ao mais alto nível, a comercialização, que está a funcionar bem, os artistas, que estão mais dispostos a experimentar coisas novas e, em geral, o facto de todos estarem em harmonia uns com os outros.

Produções de primeira linha deleitam o ouvido

Quando falamos de qualidade na produção musical, um leigo poderia talvez argumentar que não consegue perceber a diferença entre uma gravação de segunda ou terceira classe. No entanto, se lançarmos o olhar sobre o panorama musical como um todo, iremos verificar que, na Alemanha, claramente já se trabalha a um nível que está perfeitamente à altura da produção internacional.
Um som límpido, arranjos musicais de excelência e agudos e graves nítidos são o que se pode encontrar no produto final que adquirimos na loja. O ouvinte agradece. Finalmente, no que ao som diz respeito, Philipp Poisel não fica atrás de Lady Gaga, e os discos do rapper alemão Casper têm um som tão bom como os de Eminem. Pelo menos, é parecido. Conclusão: um som de alta qualidade altera os nossos hábitos de ouvir, sentir e amar a música.

O marketing é meio caminho andado

Bildquelle: (CC BY 2.0) Jason A. Howie, flickr.comMuitos artistas e editoras discográficas perceberam, finalmente: enquanto, nas últimas décadas, era dada pouca atenção à comercialização, atualmente as estratégias publicitárias trabalham a todo o gás. A era digital ofereceu-nos o Twitter, o Facebook e o jornalismo online. Estes canais são explorados ao máximo, com o objetivo de que nem um único fã de música deixe de perceber que está aqui a surgir algo de grandioso.
As fotos publicitárias deslumbram com imagens fantásticas, criadas à medida de cada grupo-alvo, os vídeos tornaram-se mais experimentais e, claro, são gravados em alta definição. A isto somam-se brindes publicitários, concertos grátis, log-ins para obter canções extra e linhas de roupa próprias – este é o pacote completo que, em 2013, tornou os artistas na Alemanha tão fortes.

A vontade de experimentar está em alta

Casper, Bildquelle: (CC BY-NC-ND 2.0) Johanna Bocher, flickr.comSe olharmos para as entrevistas dos últimos meses, tanto na área do HipHop, como do Rock ou da música eletrónica, torna-se óbvio que os artistas fazem uma clara referência ao seu background musical. Prinz Pi, um artista de HipHop de sucesso, recebeu influências de Bob Dylan pela parte do pai. Casper, artista já aqui mencionado, publicou em fóruns na internet uma lista de estrelas de renome do Indierock, como os Arcade Fire, que terão inspirado o seu álbum que foi nº 1 nos tops de vendas.
A propósito de Indierock: Thees Uhlmann, vocalista da banda Tomte, gravou subitamente um álbum com influências Rap. No entanto, não se trata aqui apenas da fusão de estilos. A vontade por parte dos artistas de experimentar coisas novas cresceu. Atrevem-se a fazer fintas a si próprios e aos seus seguidores e a explorar sons completamente novos. Rap alemão com ritmos de música Country? Elementos de DJ num disco de Rock? Em 2013, tudo isso deixou de ser um problema. Os artistas alemães têm agora um horizonte suficientemente claro para se poder permitir incorporar outras influências na sua música.

Todos estão em harmonia uns com os outros

Philipp Poisel, Bildquelle: (CC BY-NC-SA 2.0) EARLIER.at, flickr.com Passemos então ao último ponto. Aconteça o que acontecer, os artistas alemães apreciam-se verdadeiramente uns aos outros. Ponto final. Existe a sensação de que cada um está consciente do seu papel dentro do mercado musical, sem deixar, no entanto, de impulsionar o trabalho de outros artistas alemães, tornando possível o seu sucesso.
As fronteiras entre estilos estão a diluir-se lentamente, pois, de repente, todos acham mais interessante e atraente aquilo que é “diferente”. A criação intercultural está a assumir uma importância cada vez maior, e os temas das canções abordam as pessoas a um nível muito pessoal. Estes componentes, que, antigamente, provavelmente teriam significado a morte no mercado, tornaram-se subitamente no standard atual. Só foi preciso por a engrenagem em movimento. Agora, já ninguém a poderá parar no seu caminho em direção ao topo.
Elias Guerrero Rodríguez Vázquez
é originário da cidade fronteiriça de Constança, junto ao lago com o mesmo nome, no sul da Alemanha. É filho de mãe espanhola e de pai alemão, e teve a oportunidade de reunir experiências no âmbito de diferentes culturas. Formou-se como assessor de línguas estrangeiras e como professor de Educação Física, bem como fisioterapeuta desportivo. Neste momento, este blogger está a tirar o curso de História da Cultura Europeia e Alemão como Língua Estrangeira na Universidade de Augsburgo. Obteve experiência enquanto jornalista através de estágios (entre outros, na Eurosport e na editora Labhard), assim como em participações como escritor convidado em diversos portais na internet.

Copyright: rumbo @lemania
Outubro de 2013

Língua original: Alemão.

     

     
     

    Migração e integração

    A migração altera culturas

    rumbo @lemania

    © rumbo @lemania
    … el portal para jóvenes nómadas

    FuturePerfect

    © Future Perfect
    Hitsórias para amanhã - hoje, em todo o mundo

    Goethe-Institut Portugal

    Bem-vindo
    à nossa
    Homepage!