Música

Lisboa no ouvido - 2ª Parte

© arquivo particular de António Manuel Ribeiro© Rita CarmoTambém na segunda parte da nossa viagem musical por Lisboa (podem encontrar a primeira parte aqui: (Lisboa no ouvido - 1ª Parte) , o Fado persegue-nos a cada passo. No entanto, ao Fado vêm juntar-se estilos musicais modernos e internacionais, que refletem a vida política e social de Lisboa, em mudança a partir dos anos setenta e que, ao mesmo tempo, conferem uma nova sonoridade a esta cidade junto ao Tejo.

UHF – Rua do Carmo, Noites lisboetas, Apetece namorar contigo em Lisboa

UHF 1981 © arquivo particular de António Manuel Ribeiro Nos anos pós-25 de abril de 1974, que, ao nível musical, ficaram marcados sobretudo por canções de cariz revolucionário (como “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso), os outros estilos musicais têm em Portugal uma evolução mais lenta. No entanto, o Rock ganha uma grande influência nos anos oitenta e algumas bandas registam os seus primeiros êxitos. A mais antiga destas bandas, que existe ainda hoje, os UHF, tem uma forte ligação a Lisboa e transmite desde o início nas suas canções uma nova sensação de viver, mais crítica e mais livre: apesar de Lisboa continuar a ser a bela cidade junto ao Tejo, a imagem da cidade nas canções dos UHF já não está marcada por um olhar pesado sobre o passado, mas sim por um presente que é emocionante e diversificado. E ainda que a sua música, vista a partir dos dias de hoje, pareça quase bem-comportada, muitos dos temas abordados eram tabu absoluto apenas dez anos antes: a vida noturna marcada por excessos, o comportamento de casais em público e um ou outro lado mais problemático da vida na cidade.

Existem ainda outras bandas portuguesas de Rock e Punk que não prescindem de tocar as suas próprias canções sobre a capital e, apesar de todo o amor que sentem pela sua cidade, exprimir críticas acerca das más condições sociais e dos problemas de desenvolvimento da cidade, como, por exemplo, os Tara Perdida, os Rio Grande ou os Xutos & Pontapés.

Madredeus –Alfama

Tendo também iniciado a sua carreira musical enquanto membro de uma banda Pop-Rock, Rodrigo Leão é hoje conhecido além-fronteiras como músico Lounge e como co-fundador do grupo Madredeus, criado em 1986 no bairro lisboeta de Xabregas. Em 1994, Lisboa é Capital Europeia da Cultura e o realizador alemão Wim Wenders realiza o filme “Lisbon Story”, uma homenagem à metrópole, cujas imagens delicadas da cidade são acompanhadas pelo som da música dos Madredeus e giram em volta da cantora Teresa Salgueiro. O álbum “Ainda” e, em especial, a canção “Alfama” tornam-se no soundtrack expressivo de uma viagem por Lisboa, numa Europa de fronteiras abertas, na qual os Madredeus ganham cada vez mais popularidade devido ao filme.

OqueStrada: 7 colinas

© Michel BryTal como os Madredeus, também a banda OqueStrada é – como eles próprios dizem – uma orquestra de rua do subúrbio lisboeta de Almada, inspirada pelo fado, mas que cativa com uma mistura colorida de influências internacionais, desde a França, passando pela Espanha até Cabo Verde. “7 Colinas”, uma descrição dos tradicionais bairros sobre as sete colinas da velha Lisboa, é uma adaptação da tradicional marcha “Senhora do Tejo” e, embora a canção se mantenha fiel ao original no que diz respeito ao texto, a adaptação musical e a parte instrumental seguem caminhos próprios, que se inserem na imagem de um Portugal aberto ao mundo, alegre e cheio de humor, desenhado pelos OqueStrada na sua música e apresentado em muitos festivais também fora de Portugal. O seu álbum de estreia, ”TascaBeat – o sonho português”, celebra um sucesso considerável também a nível internacional.

Dead Combo – Lisboa Mulata (Álbum)

A música dos Dead Combo exprime esta faceta de Lisboa aberta ao mundo. A banda define a sua música como uma mistura de Rock e Blues, com influências de fado enquanto “music with Lisbon inside” (“música com Lisboa dentro”). Fundada em 2002, esta banda tornou-se conhecida a nível internacional quando Anthony Bourdain apresentou alguns dos seus temas no episódio de Lisboa da série televisiva “No Reservations”. As canções que aparecem neste episódio foram retiradas do álbum “Lisboa Mulata”, que a banda dedica à Lisboa multicultural. Os Dead Combo expõem conscientemente a sua música, tanto nos álbuns mais antigos como nos mais recentes, a diferentes influências de África e da América Latina, que marcam o mundo da música dos bairros antigos e multiculturais da cidade. Nestes bairros, ao contrário de há quarenta anos atrás, há muito tempo que o Fado deixou de ser a música mais ouvida.

Sara Tavares – Lisboa kuya

© World ConnectionNão são só os Dead Combo que provam que há muito que Lisboa tem mais influências musicais para oferecer para além do Fado. Também a cantora e compositora Sara Tavares, cujos pais são de Cabo Verde e que cresceu em Portugal depois da separação destes, é apenas um dos muitos exemplos dos diversos estilos musicais e nacionalidades que hoje em dia marcam Lisboa. Com ”Lisboa kuya”, do álbum “Balancé”, lançado em 2005, Sara canta a sua própria ode à cidade, num Português com influências angolanas que faz parte não só da sua música, como também do quotidiano da cidade. Também Sara Tavares não perde o Fado de vista, ao fazer, por exemplo, uma interpretação da canção de Carlos do Carmo “Nova Feira da Ladra”, da autoria de Ary dos Santos. O Fado cujas origens se supõe estarem na Mouraria, bairro que ainda hoje continua a ser o centro de uma Lisboa diversificada e multicultural.
Corinna Lawrenz,
nascida e criada em Nuremberga, sempre gostou de explorar o mundo de caderno e câmara na mão. Depois de terminar o ensino secundário, viveu meio ano no Paraguai, regressando então à Alemanha para estudar Ciências dos Média e Ciências da Cultura em Düsseldorf. A seguir viajou novamente para sul, para prosseguir os seus estudos em Lisboa, onde frequenta um mestrado em Estudos de Cultura e escreve para o tudo alemão, revelando o que mais a fascina no seu novo local de residência.

Copyright: Tudo Alemão
Outubro de 2014

Este texto é uma tradução do alemão.
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