Música

“Toquem lá mais alto!”

Quem quer fundar uma banda arrisca-se a viver algumas aventuras. O primeiro passo é procurar os músicos adequados: pessoas simpáticas e que ao mesmo tempo dominem o seu instrumento. O ideal é encontrar amigos com os quais, com o decorrer do tempo, os laços sejam cada vez mais fortes e que desenvolvam continuamente as suas capacidades musicais. Mas como é que isso se conjuga com as possibilidades que se abrem à cena musical jovem na Alemanha?

A questão da sala de ensaios

Se há algo que existe em quantidade suficiente na Alemanha são salas de ensaios. Pelo menos a acreditar nos motores de busca da Internet. Existem bastantes organizações e associações que oferecem espaços, e muitos particulares também disponibilizam os cobiçados locais de ensaio. Tudo em troca de dinheiro, entenda-se. Nos anos 1990 cheguei a ensaiar com a minha banda na cave de um centro de jovens. Ali só tínhamos de pagar 50 marcos por mês. Mais tarde, como muitas outras bandas, tivemos de mudar-nos para um antigo abrigo antiaéreo. Esses locais são normalmente escuros, frios e húmidos e muito pouco apropriados para trabalhos criativos. Mas são também, na sua maioria, uma alternativa barata. Algum tempo depois encontrámos uma bela sala de ensaios, com duas grandes janelas e bem isolada. No entanto, essa comodidade também tinha o seu preço: uns imponentes 250 euros por mês.

É aconselhável realizar uma buscar alargada, obter informações, fazer telefonemas, escrever e-mails, comparar ofertas, e não ocupar logo a primeira sala de ensaios que apareça à frente.

Todos os começos são difíceis

Existem muitas bandas jovens na Alemanha. Mas são poucas as que conseguem atingir a ribalta. Muitas vezes fracassam devido à escassez de atuações. As oportunidades são bastante limitadas, mas existem. O “fator C” (conhecimentos e contactos com pessoas importantes) tem uma importância enorme nesse processo. A programação de música ao vivo de alguns pubs e bares proporciona às bandas jovens a possibilidade de apresentarem a sua música. O mesmo acontece em inúmeros centros de jovens, que por vezes organizam concertos ou oferecem às bandas a possibilidade de os organizarem naquele local. Isso permite às bandas conquistarem a sua pequena comunidade de fãs, que desempenha um papel extraordinariamente importante, sobretudo para os passos seguintes que é preciso dar.

Depois de se ter realizado alguns concertos e talvez juntado algum dinheiro, surge a possibilidade de produzir uma maquete. Esta é depois enviada a outras pessoas que organizam concertos. Isso pode levar, por exemplo, a que a banda consiga atuar nas primeiras partes de concertos de bandas internacionais de alto gabarito. Aqui o mais importante é aumentar a base de fãs e realizar novos contactos.

O caminho para o topo

Outro meio eficaz para elevar o estatuto de uma banda são os concursos de principiantes, que se realizam com regularidade. Neles é normal os vencedores receberem prémios não-monetários, como novos instrumentos, formação profissional na área ou a produção de um CD. Naturalmente que um concurso deste tipo traz também com ele a possibilidade de outras atuações. O número de concursos de principiantes que se realizam na Alemanha é grande e difícil de contabilizar, pois existem eventos locais, regionais, nacionais e internacionais. Entre os maiores e talvez mais conhecidos estão o Emergenza, o Becks on Stage e o Battle Of The Bands. Estações de televisão como a MTV ou revistas como a Bravo também procuram regularmente as melhores bandas jovens do nosso país.

É apenas preciso abordar a coisa com cautela, os membros da banda devem refletir em conjunto sobre as suas expectativas e sobre onde querem chegar com a sua música. Existem concursos de principiantes aos quais se pode concorrer apenas com uma maquete e informação sobre a banda. Alguns – como por exemplo o Emergenza – cobram uma taxa de inscrição. No caso do Emergenza essa taxa custa atualmente uns imponentes 75 euros. Existem concursos em que um júri decide qual a banda que passa à próxima ronda e, no fim, qual a que vence. Noutros, como por exemplo o Emergenza, é apenas o público que decide. Neste caso a regra é, naturalmente: quem tem mais fãs segue em frente. Sejamos sinceros. Quando assistimos à atuação de uma banda amiga que dá um concerto pobre e à de uma outra banda que foi claramente melhor, a quem é que damos o nosso voto? Aos nossos amigos, claro. Por vezes também há a possibilidade de votar em duas bandas, o que torna a coisa novamente mais justa.

Em última análise, a participação num concurso de principiantes mexe sempre com a banda, pois a situação de competição estimula e une os seus membros.

Cocanha?

À primeira vista, parece não haver nenhum país melhor para as bandas jovens do que a Alemanha. Mas ao observar com atenção o panorama no estrangeiro percebe-se que em muitos países as possibilidades são muito mais variadas e as bandas jovens são claramente mais toleradas e apoiadas. As oportunidades na Alemanha existem, mas são muito limitadas. O potencial também existe, mas não é utilizado. Temos inúmeras bandas boas na Alemanha. É pena que muitas continuem por descobrir.

Ben Dehn
trabalha como jornalista freelancer e vive em Herne.
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