Nómadas

Natal em Lisboa

© Veronika Faust © Veronika Faust

Pronto, agora era oficial. Estávamos no fim de dezembro e ainda não havia neve. E eu ainda não tinha bebido um único copo de glühwein [vinho quente com especiarias], não tinha comido um único schmalzkuchen [espécie de sonho] e não tinha comprado nenhum lebkuchenherz [bolo de especiarias em forma de coração]. O que tinha acontecido?

É muito simples: eu estava em Lisboa. Aqui não se sabe o que são mercados de Natal. Pelo menos não o tipo de mercados de Natal a que estou habituada na Alemanha. As três barracas da praça do Rossio não contam para mim. É difícil encontrar glühwein , há um ou outro café austríaco que o tem na ementa, mas a verdade é que não é a mesma coisa. Quando bebo o meu glühwein , faço questão de estar a congelar ao mesmo tempo! Porquê? É difícil explicar e, provavelmente também por essa razão, esta minha afirmação provocou alguns olhares interrogativos nos meus amigos portugueses. Sim, quem não o conhece, o nosso mercado de Natal, também não pode sentir a falta dele ou compreender a sua filosofia.

© Veronika FaustE assim, na véspera de Natal de 2012, em vez de me arrastar com as minhas irmãs pela neve em direção à igreja da aldeia, fiquei sentada na minha varanda com uma bebida fresca e em t-shirt e falei com os meus pais pelo Skype. Mais tarde, nessa noite, pus-me então a caminho da casa de alguns amigos igualmente “sem família”, onde, numa colorida mistura de nacionalidades (Angola, Brasil, Áustria e Alemanha), à luz das velas e ao som do YouTube Christmas-Mix, saboreámos a tradicional refeição natalícia portuguesa: bacalhau, ovos cozidos, batatas cozidas com azeite e muito alho e couve. Depois sentámo-nos em frente à televisão, vimos um filme de desenhos animados para crianças e adormecemos. Presentes não houve. Nem uma árvore até ao teto com velas ardentes.

Passei o 25 de dezembro novamente na varanda, sol um sol radioso, até que à noite arranquei para casa de um amigo lisboeta de gema com o objetivo de cumprir a tradição e, juntamente com ele e a namorada, comer a “roupa velha”. Não se trata de algo que se possa vestir, mas sim do jantar de Natal da véspera reaquecido. Depois seguimos para o Bairro Alto, para a Galeria Zé dos Bois , a fim de escutar o concerto de Natal – que, segundo o meu amigo, se tornou entretanto uma importante tradição natalícia lisboeta.
Festejámos pela noite dentro, depois dormi imenso e agora dou-vos três hipóteses para adivinharem onde passei o dia a seguir ao Natal… Acertaram, passei-o na minha varada. Sob um sol radioso.

© Veronika Faust© Veronika Faust© Veronika FaustComo é, então, passar o Natal longe da família, das tradições alemãs, da comida alemã, do mercado de Natal e, não podemos esquecer, do frio de rachar de dezembro?
Bem… é diferente. Para a minha sensibilidade, de alguma forma, não é algo particularmente natalício.

No entanto, tenho de reconhecer que nunca tinha passado uns dias de Natal tão descontraídos e calmos. Sem confusão, sem conflitos, sem longas discussões sobre o que vamos fazer a seguir, apenas com… tranquilidade. E o Natal também é isso: relaxar, desanuviar, refletir um pouco e estarmos gratos por tudo o que temos. Não é?
Veronika Faust,
constatou que nem sempre é bom viver num país tão maravilhosamente quente como Portugal. É que no Natal, o seu confesso feriado preferido, ela precisa de neve. Árvores de Natal de plástico e correntes de luzes em vez de velas verdadeiras não são para ela, e defende que o lebkuchen e o spekulatius têm de fazer parte da festa…

Copyright: Tudo Alemão
Dezembro de 2013
Língua original: Alemão.

     

     
     

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