Nómadas

Amor à distância

Copyright: Madeleine Schade / www.jugendfotos.de

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Apaixonado(a) de fresco? Muitos parabéns! Mas o que fazer quando o outro vive a milhares de quilómetros de distância e além disso ainda fala outra língua? A norte-americana Emily e a alemã Caro conhecem demasiado bem a sensação de viver uma relação separada por um oceano. Neste artigo elas contam-nos as suas histórias de amor pouco comuns.

Fez faísca!

Na verdade, Emily chegou a Munique para aprender alemão. Mas o que lhe aconteceu na Oktoberfest faz concorrência a qualquer filme romântico de Hollywood. Numa tenda de cerveja sobrelotada, ela procura um lugar. Mas em vez disso encontra Philipp, o seu grande amor. “Limitei-me a perguntar-lhe se me podia sentar ao lado dele.” E o que respondeu ele? Claro que sim! “É verdade que soa um bocado piroso”, afirma Emily, de dezoito anos, “mas foi realmente amor à primeira vista. O Philipp era tão querido e tímido. Muito diferente dos homens americanos, que muitas vezes adotam uma pose ridícula de macho.” Entre o frango assado e a música tocada por instrumentos de sopro, ela deu livre curso aos seus sentimentos e fez o que nunca teria coragem de fazer nos Estados Unidos. “Beijei-o, simplesmente!” O que se seguiu foram três meses de paixão intensa. Um friozinho na barriga, o coração a bater mais depressa – o catálogo inteiro de sensações. Retrospetivamente, Emily conta que nem nos seus sonhos mais ousados imaginara juntar-se a um alemão. “Ele mudou completamente a imagem que eu tinha da Alemanha. Sempre tinha pensado que os alemães eram um pouco frios.”

Madeleine Schade / www.jugendfotos.deEntendes-me?

Os apaixonados de fresco veem-se quase diariamente, e os três meses que Emily ainda fica em Munique passam a correr. Philipp mostra-lhe os seus lugares preferidos, apresenta Emily aos seus amigos e, como o amor passa muito pelo estômago, como é sabido, dá-lhe a conhecer as especialidades da cozinha bávara. No entanto, aquilo que mais fazem é conversar, muitas vezes durante horas a fio. Umas vezes em alemão, outras em inglês. O quotidiano de uma relação em duas línguas revela-se um desafio que tem de ser superado constantemente. Emily recorda-se de um mal-entendido que terminou em lágrimas. “Ele percebeu de forma completamente errada a minha pergunta sobre se continuaríamos juntos quando eu voltasse aos Estados Unidos, pois traduziu-a literalmente do inglês.” Entretanto, Emily regressou novamente aos EUA, mas a sua relação com Philipp é mais séria do que nunca. Enquanto ele não a visita, o que acontecerá em março, manterão contacto através do Skype. Mas medo do futuro Emily não tem, pois acredita firmemente no seu amor. E se um dia surgirem mesmo dúvidas? “Nessa altura deveremos recordar os bons tempos e ficar orgulhosos deles!“

À segunda vista

Cenas de despedida no aeroporto, noites inteiras ao telefone, e-mails de partir o coração. Mas sobretudo a tormentosa questão: como será o futuro? Caro passou por tudo isso incontáveis vezes. Quem ouve a sua história não pode deixar de abrir a boca de espanto. A professora primária natural do sul da Alemanha tinha apenas catorze anos quando, há doze anos, conheceu Jason, de Vancouver. O canadiano, na altura com dezasseis anos, passou o verão como trabalhador temporário na quinta dos pais de Caro, junto ao lago de Constança. “Não nos apaixonámos imediatamente um pelo outro, o que também teve a ver com o facto de eu nessa época ter namorado”, afirma hoje Caro. No entanto, Caro e Jason simpatizaram tanto um com o outro que mantiveram contacto ao longo dos anos. Visitavam-se regularmente no Canadá e na Alemanha – a reboque dos parceiros que tinham na altura. “De alguma forma sempre houve algo entre nós desde o início, mas o tempo ainda não era oportuno.” A faísca saltou finalmente em setembro de 2007: quando Caro se libertou de uma relação que não funcionava e, separada de fresco, andava a passear com Jason pelas florestas do Canadá, ele confessou-lhe o seu amor.

A dor da separação

Anja Vigenschow / www.jugendfotos.deTudo está bem quando acaba bem? De forma alguma: os três anos desta relação à distância ficaram marcados por altos e baixos, nos quais o casal procurava sobretudo uma coisa: um local onde pudesse construir uma existência conjunta. “O mais difícil era termos de nos adaptar sempre de novo um ao outro”, conta Caro, que passava dias dentro do avião só para poder ver Jason. Entre os curtos momentos de felicidade existiam sempre longas fases de separação. Nesses períodos ela retirava forças sobretudo da sua família, que a apoiava – também financeiramente –, pois os voos constantes para cá e para lá abriam um buraco imponente na sua carteira. Houve alguma altura em que tivesse pensado em desistir? “Não!”, responde Caro como se disparasse um tiro de pistola. “Algo em mim sempre disse: ele é o homem certo!” Suportada por este pensamento, Caro amadureceu a decisão de desmontar a tenda na Alemanha e arriscar um novo começo em Vancouver – seria uma vida nova, mas teria Jason a seu lado. Foi um passo corajoso, do qual ela não se arrependeu até hoje. “Claro que foi duro deixar para trás a minha família e os meus amigos”, afirma Caro, recordando-se das suas primeiras semanas no Canadá. “Quando a saudade aperta, ponho-me a ver um episódio da minha série alemã favorita.” A televisão como arma contra os sentimentos nostálgicos. E qual é a dica definitiva que ela dá para os períodos de seca nas relações à distância? “Devemos estar preparados para correr riscos e manter sempre na mente que é fabuloso amar alguém – onde quer que ele esteja!” Com alguma sorte até pode haver um final feliz, como aconteceu com Caro e Jason. Em junho nascerá o seu primeiro filho, depois seguir-se-á o casamento.

Franziska Gerlach
trabalha como escritora independente e professora de alemão como língua estrangeira em Munique.

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Dezembro de 2010

     

     
     

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