Nómadas

Uma declaração de amor aos pastéis e, aiai, alguém lhes chama «natas»!

© Franziska Mollitor© Franziska MollitorSou uma pessoa culinária. Gosto de comer e vivo de acordo com a máxima de que temos de ter provado tudo pelo menos uma vez. Caracóis grelhados em França: confere; patas de galinha em escabeche no almoço de casamento de uma amiga chinesa: confere. Não foram os meus pontos mais altos, mas de qualquer forma agora posso dizê-lo por experiência própria. Eu viajo também para alargar os meus horizontes culinários.

Que melhor forma há de conhecer uma cultura do que através dos seus pratos tradicionais? Com a minha companheira de casa em Lisboa só conheci novos bairros quando, fundamentalmente, havia neles algo para comer após termos dado a nossa volta turística. «Vamos até Belém?» – «Ohhh, mas depois temos de ir àquela pastelaria comer pastéis!» Era óbvio!

Se me pedirem dicas de viagem para locais onde já estive, vão também encontrar sempre na minha longa lista de sugestões as dicas culinárias correspondentes. Para mim é algo simplesmente obrigatório. «Em Sintra existe uma pastelaria onde tens de ir comer queijadas de Sintra!» ou «Em Paris TENS de comer os macarons da La Durée!» Ou, precisamente: «Em Belém tens de comer pastéis!»

Afinal o que são estes pastéis?

Os pastéis de nata ou, justamente, pastéis de Belém, são pequenas tartes de massa folhada recheadas com um preparado de pudim de baunilha e natas, e devem ser saboreadas polvilhadas com canela e açúcar. Em Portugal existem em todas as pastelarias e, juntamente com um pequeno café português, constituem um lanchinho maravilhoso – de manhã, à tarde e/ou à noite. Com três dentadas desaparecem no estômago, fazendo-nos esquecer o eventual número de calorias (o qual nunca fiz questão de conhecer exatamente). Os melhores pastéis existem em Belém, na Casa Pastéis de Belém. Isto não deve ser visto como publicidade, pois a verdade não pode ser negada.

© Franziska Mollitor

Nesta pastelaria os pastéis são confecionados em série e, na realidade, são acabados de fazer e mornos que eles sabem melhor. Naturalmente, podemos sentar-nos a uma das muitas mesas, mas eu recomendo que mandem antes embalar uma dose de pastéis e os saboreiem sentados junto ao Tejo – é que lá fora, com a luz do sol, acompanhada por uma brisa fresca vinda do rio, que faz agitar e espalhar o açúcar em pó, os pastéis sabem ainda melhor!

Na minha opinião, os pastéis são também o prato nacional secreto dos portugueses. Pelo menos, não conheço ninguém que não os aprecie e, do ponto de vista culinário, são mais fáceis de aprender a gostar pelos turistas do que o omnipresente bacalhau, para o qual parece que existem pelo menos 365 formas de preparação – uma para cada dia do ano. É verdade que também eu aprendi a apreciá-lo (hein, qual é o problema? Recordo-vos novamente os caracóis e as patas de galinha!), mas ele não é exatamente o meu presente preferido para oferecer a alguém. Só o seu cheiro inconfundível torna logo difícil transportá-lo na bagagem de mão...

Um «natas», por favor, ou quê?!

Espetacularmente, os requintados pastéis de nata também chegaram entretanto à Alemanha. Já os descobri em vários pequenos cafés e de todas as vezes fiquei extraordinariamente feliz; para mim eles são portadores de memórias e combatentes da vontade de viajar num só! E, além disso, têm um sabor tão maravilhoso que não se pode escondê-los dos alemães. Também já encontrei possibilidades de confeção em livros de receitas, o que talvez me leve em breve a tentar a minha própria sorte na cozinha.

© Franziska MollitorA única coisa com a qual não me consigo familiarizar de todo é a forma como estas tartezinhas pequenas e deliciosas são designadas no meu país. «Natas», é assim que são chamadas. Pateticamente «natas», assim, no plural. «Um natas, por favor!» – soa horrivelmente mal! Ou será que os clientes dizem «uma nata»? Ou será que se trata de uma estratégia de vendas, e as pessoas compram os pastéis sempre no plural? Eles DEVIAM ser sempre comprados no plural, pois um pastel nunca é suficiente, mas também devem existir pessoas com menos apetite... Eu compreendo que «pastéis» não seja uma palavra fácil de pronunciar, mas a humanidade deveria esforçar-se mais em nome desta grandiosa delícia. «Pas-téis» – também não é assim tão difícil. No entanto, na minha última tentativa de esclarecer estes factos com a empregada de um café recebi apenas olhares enervados e senti-me obrigada a encomendar o meu pastel para levar.

Assim, sentei-me com ele num parque, ao sol, fechei os olhos e viajei em pensamento até à margem do Tejo, em Belém – ai, saudade!
Franziska Mollitor,
Estudante em Colónia atormentada por uma grande vontade de viajar para lugares distantes e que não aceita piadas quando o tema é «pastéis». :-)

Copyright: Tudo Alemão
Julho de 2014

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

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