Nómadas

Um café, se faz favor! – A cultura do café em Portugal

© Johanne Peito © Johanne PeitoEnquanto filha de mãe alemã e pai português, vivo entre duas culturas. Nasci e cresci em Hannover, mas pelo menos uma vez por ano viajo até ao Porto, para ali visitar a parte portuguesa da minha família. Sinto-me em casa tanto em Portugal como na Alemanha, pelo que não posso dizer qual dos dois países amo mais. Mas numa coisa vejo Portugal bem à frente: o café é melhor! Desde fevereiro que realizo um semestre de Erasmus na Universidade do Porto, e todos os dias saboreio a minha quente e castanha bebida preferida.

Na Alemanha estou habituada a beber de manhã, juntamente com o meu pão com manteiga ou o muesli, uma grande chávena de café preto de filtro com um pouco de leite. À tarde, na universidade, permito-me de vez em quando saborear um latte macchiato – de preferência com muita espuma de leite e um biscoito a acompanhar. Os alemães adoram beber café à maneira italiana, os tempos do café de filtro demasiado fraco pertencem ao passado. Quando o meu avô português veio pela primeira vez à Alemanha, pediu um café no restaurante e, ao darem-lhe um grande «pote» de café, ele não conseguiu acreditar no que via, pois naquela altura não se conhecia nada assim em Portugal.

O café desempenha um papel importante no quotidiano dos portugueses. Até arrisco afirmar que um português toma, pelo menos, cinco cafés por dia. E não o faz, como acontece na Alemanha, no seu local de trabalho, retirando-o de um termo grande ou de uma máquina Senseo, mas sim lá fora, no café da sua confiança. Todos aqui têm o seu estabelecimento habitual: na esquina da sua rua, perto do escritório, no centro da cidade, junto ao rio ou ao mar, e por aí afora. Beber café é um ritual, ainda que rápido: «Um café, se faz favor», deita-se açúcar, mexe-se, dá-se um gole e já está. Um café português é curto, quente e forte. Só é bebido com leite quando se tem tempo e, talvez, com um pastel de nata com canela a acompanhar.

© Johanne PeitoHá alguns dias vi-me obrigada a sorrir quando passeava com uma amiga alemã no Porto e ela pediu um cappuccino. O empregado serviu-lhe uma mistura de pó com uma quantidade vergonhosamente reduzida de espuma de leite. Em Portugal não existe cappuccino nem latte macchiato. E porque haveria de existir? Os portugueses têm um café muito melhor do que os italianos, perdono. Aqui podemos escolher entre um café simples (espresso, na Alemanha), um café pingado (café simples com um pingo de leite), uma meia de leite (chávena com metade de leite) e um galão (três quartos de copo de leite). Espuma de leite também não existe. Em compensação o sabor do café é bastante mais intenso. Aqui fala uma amante de café!

A cultura do café em Portugal recorda-me um pouco a tradição dos cafés em Viena, na Áustria. No centro do Porto, por exemplo, na Rua de Santa Catarina, uma artéria comercial, existe o chamado Café Majestic. É, naturalmente, um íman de turistas! Mas também é muito bonito: projetado em estilo Arte Nova, com espelhos artisticamente ornamentados nas paredes e empregados de fraque e avental branco. Diz-se que Joanne K. Rowling escreveu aqui um dos seus romances sobre Harry Potter. Apesar de a maioria dos cafés, ao contrário do Majestic, ser decorada de forma muito simples e fria e não convidar a permanecer ali muito tempo, em Portugal encontram-se frequentemente cavalheiros e senhoras de idade que passam horas a beber café e a ler o jornal.

Ao contrário do que acontece na Alemanha, há uma coisa que não se vê por aqui: coffee to go. Isso contradiria o modo de vida português – é algo demasiado agitado! É óbvio que se encontra um ou outro Starbucks em Lisboa ou no Porto, mas são sobretudo visitados por turistas norte-americanos, para os quais é normal pagar cinco euros por uma chávena de café.

Eu prefiro antes o pequeno café português por não mais de 60 cêntimos!
Johanne Peito
nasceu e cresceu na Alemanha, mas também tem raízes portuguesas. Para conhecer melhor a sua segunda pátria, Portugal, ela realiza neste momento um semestre de Erasmus na Universidade do Porto. No seu mestrado, Johanne, de 25 anos, especializou-se nas disciplinas de Literatura, Práticas dos Media e Filologia Germânica. Ao mesmo tempo trabalha no departamento de imprensa e relações públicas dos serviços sociais e administrativos da Universidade Essen-Duisburg.

Copyright: Tudo Alemão
Setembro de 2014
Este texto é uma tradução do Alemão.

     

     
     

    Migração e integração

    A migração altera culturas

    rumbo @lemania

    © rumbo @lemania
    … el portal para jóvenes nómadas

    FuturePerfect

    © Future Perfect
    Hitsórias para amanhã - hoje, em todo o mundo

    Goethe-Institut Portugal

    Bem-vindo
    à nossa
    Homepage!