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Glamour contra aconchego – duas grandes cidades em competição

© Johanne Peito © Johanne PeitoApaixonei-me de novo. Por uma cidade. E esta cidade chama-se Lisboa. Mas, chiu – não contem a ninguém! É-me bastante difícil admiti-lo, pois, na verdade, como portuense não posso dizer que considero Lisboa pelo menos tão bonita como o Porto. É que entre as duas maiores cidades de Portugal existe, desde há décadas, uma rivalidade na qual se encontram alguns paralelismos com a competição que se verifica entre duas grandes cidades alemãs: Colónia e Düsseldorf.

Enquanto filha de mãe alemã e de pai português, tenho a enorme sorte de poder designar dois países como minha pátria e de viver uma vida entre duas culturas. Em Portugal é no Porto que me sinto em casa e na Alemanha fiz de Düsseldorf a minha terra adotiva. Apesar de todas as diferenças, encontro constantemente paralelismos entre os alemães e os portugueses. O que ambos os povos possuem indiscutivelmente em comum é a paixão pelo futebol.

© Johanne PeitoNo fim de contas, este desporto é culpado por Lisboa e o Porto se considerarem rivais. Entre o Benfica e o FC Porto existe e sempre existiu uma competição feroz. As «águias» do Benfica são, historicamente, a equipa portuguesa de maior sucesso, mas nos últimos 20 anos o domínio tem sido dos «dragões» do Porto.

Além do desporto, a «inimizade» entre Lisboa e Porto também se baseia em aspetos sociais e políticos. Do ponto de vista histórico, o Porto é considerado a terra da classe operária, uma cidade industrial, que gosta de se sentir independente e tem orgulho na sua força económica. Há um provérbio que diz que o dinheiro é ganho no Porto para ser gasto em Lisboa. Lisboa tem, naturalmente, a vantagem de ser a capital e, assim, o centro político do país. Não é apenas maior, mas também mais influente e glamourosa.

Quando, na semana passada, estive em Lisboa durante alguns dias, foi isso que me fascinou tanto: a cidade tem algo de sofisticado e maravilha-nos desde o primeiro momento. Não são apenas os muitos turistas que conferem a Lisboa um ambiente internacional, também as ruas largas, os locais representativos e os edifícios são impressionantes. Sobretudo a Praça do Comércio, um antigo centro de comércio aberto para o rio, ainda transmite alguma atmosfera dos grandiosos tempos dos descobrimentos portugueses.

© Johanne Peito Lisboa é uma cidade palpitante, mas também existem muitos recantos tranquilos. Especialmente belos são os inúmeros miradouros localizados na parte alta da cidade, que nos oferecem com frequência uma vista de cortar a respiração sobre o Tejo. À noite sabe muito bem sentarmo-nos ao ar livre no Bairro Alto e escutar o animado burburinho de vozes. Nessa altura torna-se quase impossível passar naquelas vielas sinuosas, todos os restaurantes colocam as suas mesas e cadeiras na rua. Uma atração para turistas, mas ainda assim interessante, é participar numa noite de fado em Alfama. Nas tascas de aspeto rústico, que fazem lembrar caves, toca-se então nostalgicamente a guitarra portuguesa e canta-se com voz vibrante.

Por mais arrebatadora que Lisboa também tenha sido para mim, a verdade é que fiquei feliz quando, quatro dias depois, regressei ao Porto. O glamour da capital não causa qualquer dano ao meu amor umbilical à aconchegante grande cidade do norte. Pelo contrário, são precisamente os contrastes que tornam tudo especialmente emocionante. E é também isso que, na Alemanha, me atrai tanto na relação entre Düsseldorf e Colónia.

As duas grandes cidades da Renânia do Norte-Vestefália ficam literalmente situadas frente a frente: o Reno separa Düsseldorf de Colónia e por vezes sinto que atravesso um oceano quando faço a viagem de 20 minutos de comboio para «Kölle» [alcunha por que também é conhecida Colónia]. Colónia é considerada jovem, multicultural e na moda, enquanto Düsseldorf surge como sossegada, chique e snobe (esta última tenho, no entanto, de rejeitar com veemência!).

© Johanne PeitoSe vou a um bar em Colónia, não posso, de forma alguma, pedir uma altbier, pois é a cerveja que se bebe em Düsseldorf. E vice-versa: nos bares de Düsseldorf não se encontra a kölsch. Além da cerveja, as duas cidades competem no desporto, na economia e sobretudo no carnaval. Quem sabe festejar melhor? Quem bebe mais cerveja? Quem atira mais guloseimas? Não sei. Enquanto nómada cultural com dois passaportes europeus consigo adaptar-me muito bem e sinto-me em casa em todo o lado. (Mas a altbier sabe melhor.)
Johanne Peito
nasceu e cresceu na Alemanha, mas também tem raízes portuguesas. Para conhecer melhor a sua segunda pátria, Portugal, ela realizou um semestre de Erasmus na Universidade do Porto. No seu mestrado, Johanne, de 25 anos, especializou-se nas disciplinas de Literatura, Práticas dos Media e Filologia Germânica. Ao mesmo tempo trabalha no departamento de imprensa e relações públicas dos serviços sociais e administrativos da Universidade Essen-Duisburg.

Copyright: Tudo Alemão
Novembro de 2014
Este texto é uma tradução do Alemão.

     

     
     

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