Nómadas

Sirva-se à vontade (e não se esqueça de pagar...)

© Alexandra FaustA chegada da primavera na Alemanha é um dos acontecimentos que provocam maiores sentimentos de felicidade aos europeus do sul que aqui vivem. É que, depois de longos meses de frio, as temperaturas finalmente sobem – os raios de sol voltam a sentir-se na pele.

Durante esta altura do ano, campos e jardins começam a florir e a paisagem ilumina-se com as suas cores vivas – é a Alemanha a apresentar a sua mais bela faceta. Entre prados floridos e hortas bem cuidadas, encontram-se na Alemanha campos nos quais cada um pode colher o que quiser – em contrapartida, paga-se ao agricultor um valor correspondente ao que se colheu. Este é um costume com uma longa tradição.

Deparamo-nos aqui com o verdadeiro significado do conceito de self-service. Chegamos ao campo, colhemos as flores, as frutas e os legumes segundo os nossos próprios critérios de seleção e deixamos o valor correspondente ao que colhemos numa espécie de mealheiro que se encontra ao lado da placa que indica o preço. O que é especial aqui é que o agricultor não está presente. Não há ninguém a vigiar o campo.
O agricultor simplesmente confia que cada um irá pagar por aquilo que levou. Incrível, não é?
Muitos alemães colhem os seus morangos diretamente nos campos e usam-nos depois para fazer o tão tipicamente alemão bolo de morangos. Outros carregam as bagageiras com caixas cheias de batatas.

Da primeira vez, usei este método completamente por acaso. Fui convidada para um jantar, mas não tinha nenhum presente para levar aos meus anfitriões, e quando passei por um campo cheio de túlipas com um letreiro que dizia “Flores para levar“, encontrei a solução para o meu problema. Peguei na tesoura que ali se encontrava e entrei no campo.

Ao início, senti-me como um ladrão. Era estranho estar a colher aquilo que outros tinham plantado... Por isso, tirei uma nota de dez euros do bolso, de modo a poder mostrá-la caso o dono do campo aparecesse – para que ele pudesse ver logo que eu tencionava efetivamente pagar. Com a tesoura numa mão e a nota na outra, compus um belíssimo ramo. Ao pagar, orientei-me pelo preço de cada flor, indicado numa placa, e coloquei o dinheiro na caixa prevista para o efeito. No caminho para o jantar, ocorreu-me que não há nada mais tipicamente alemão do que levar flores para um jantar e, ainda por cima, colhidas por mim própria!
Ana Gragera
trabalha como professora de Espanhol em Munique, trabalho que combina com as suas duas outras paixões: o jornalismo e a escrita. Ana adora a natureza do sul da Alemanha, especialmente os Alpes e os majestosos lagos que existem em grande número na Baviera.

Copyright: rumbo @lemania
Junho de 2016

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

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