Nómadas

Alemanha, o paraíso do nudismo

(c) Joao VenturaFoto- (CC BY 2.0) http-//www.wikimedia.org/, flickr.com

No verão vê-se por toda a Alemanha uma enorme quantidade de pessoas que desfrutam do sol em praias, lagos, rios e parques, e que apenas se encontram vestidas com óculos de sol. Estas pessoas, cuja pele é quase sempre extremamente branca, chamam-se nudistas ou naturistas e são adeptas da Freikörperkultur (FKK) [em tradução literal, «cultura do corpo livre»], muito popular na Alemanha.

Esta prática coletiva tem a sua origem na época da industrialização, quando os trabalhadores das fábricas se banhavam nus no mar ou num lago para descontraírem após um longo e duro dia de trabalho. Depois de ter sido proibida no Terceiro Reich, esta cultura voltou, aos poucos, a tornar-se popular no período pós-guerra. A FKK transformou-se numa verdadeira moda sobretudo na RDA, o nudismo era visto como normalizador e libertador ao mesmo tempo – pois nus todos eram iguais e todos eram livres.

Hoje é completamente normal encontrar pessoas nuas nas praias dos mares do Norte e Báltico, desfrutando do sol juntamente com aqueles que preferem não tirar a sua roupa de banho.
O convívio com nudistas é algo muito habitual. Por exemplo, quando passeamos pelo Englischer Garten, em Munique, podemos observar como, numa atmosfera agradável e descontraída, pessoas nuas jogam voleibol ou futebol ou, simplesmente, leem um livro.

Em Portugal ainda não existe uma tradição assim tão alargada de nudismo e naturismo, por isso é comum sentirmo-nos desconfortáveis e até chocados ao depararmo-nos em locais públicos com famílias inteiras, amigos ou casais nus. Lançamos-lhes um olhar furtivo quando passamos por eles, mas fingindo que nos é perfeitamente normal ver pessoas nuas na rua.

Na Alemanha existem atualmente 150 clubes de nudismo e naturismo, enquanto em Portugal a Federação Portuguesa de Naturismo conta com apenas três clubes filiados, mas já ultrapassou os 10 mil sócios, enquanto a página de Facebook tem quase 9000 fãs. A federação foi criada em 1977, depois de o nudismo ter sido proibido durante a ditadura que vigorou em Portugal ao longo de quase cinco décadas e terminou em 1974. A primeira lei naturista só viu a luz do dia em 1988 e a mais recente data de 2010. Existem, entretanto, oito praias naturistas oficiais, todas a sul de Lisboa, bem como algumas dezenas onde a prática se tornou comum com o tempo, sobretudo em zonas mais recatadas.

Quem teria sido capaz de pensar que uma parte considerável dos alemães, frequentemente apelidados de «sérios», aderiria com tanto entusiasmo à cultura do corpo livre? Os alemães são um povo que não para de me surpreender.
Ana Gragera
trabalha como professora de Espanhol em Munique, e este trabalho liga-a às suas outras duas paixões: o jornalismo e a escrita. Adora a natureza no sul da Alemanha, especialmente os Alpes e os lagos majestosos, que existem em número abundante na Baviera.

Copyright: rumbo @lemania
Agosto de 2016
Este texto é uma tradução do alemão; língua original: espanhol.
Certas partes do texto foram adaptadas pelo tradutor João Ventura para espelharem a realidade portuguesa.​

     

     
     

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