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Portugal em Friburgo – Entrevista com Elisa Tavares

© Marina HaderElisa Tavares é de Lisboa e foi aí e em Friburgo que estudou Estudos Lusófonos e Germânicos, bem como Tradução Português - Alemão. Vive em Friburgo desde 2003 e trabalha desde então na universidade enquanto professora convidada, leitora de Português e estudante de doutorado. É ainda, desde 2016, assistente de direção do departamento de Romanística. Durante o seu semestre de Erasmus em Freiburg entrou em contacto com o projeto de teatro “Os Quasilusos” na universidade. Os Quasilusos apresentam peças de teatro em português e qualquer pessoa pode participar, desde que goste de falar português, seja estudante de português ou falante nativo. A partir de 2003, Elisa Tavares assumiu cada vez mais responsabilidade pelas questões artísticas e da organização do grupo de teatro. © Os Quasilusos

Olá Elisa. Poderia contar-nos de forma resumida quais foram as razões que a levaram a mudar-se para a Alemanha?

O meu fascínio pela língua alemã começou aos 15 anos, quando escolhi o alemão como língua estrangeira na escola. Naquela altura isso era algo exótico, pois a maioria dos alunos escolhia espanhol. Enquanto o espanhol não me entusiasmava nada, o contrário acontecia com o alemão. Mais tarde decidi até tirar um curso em Germânicas. Na universidade, depressa percebi que iria beneficiar muito de uma estadia na Alemanha, e foi assim que aceitei um emprego de férias em Colónia logo nas primeiras férias de semestre. Para mim, vivenciar a língua ao vivo pela primeira vez foi uma experiência impressionante, além de que tive imensas experiências positivas em Colónia, pelo que comecei a desenvolver uma paixão pela Alemanha. E foi essa paixão que acabou por me trazer para a Alemanha.

O que é que sabia sobre este país antes de vir para cá?

Conhecia todas as coisas negativas sobre a Alemanha, isto é, sobre a Segunda Guerra, dos tempos em que as aprendi na escola e na universidade. Além disso, associava a Alemanha sobretudo à cerveja, às salsichas e às casas antigas construídas com traves de madeira. Quando estávamos a aterrar em Colónia, fiquei bastante impressionada e muito desiludida por não ver nenhuma casa desse tipo.

Foram então as casas que mais a surpreenderam quando esteve pela primeira vez na Alemanha, em Colónia?

De certa forma sim. Tal como disse, tinha imaginado que na Alemanha todas as casas eram antigas e construídas com traves de madeira. Naquela altura, viajei com 5 ou 6 colegas da universidade. Conseguimos um emprego de férias numa fábrica através de uma empresa de trabalho temporário. Fomos aconselhados pela nossa leitora do DAAD – o objetivo era melhorar os nossos conhecimentos de alemão. Essa primeira visita à Alemanha foi muito positiva. Apesar de ter de trabalhar durante o dia, a sensação que tinha era a de estar de férias.

Como é que surgiu o projeto de teatro “Os Quasilusos” e como é que se tornou parte dele?

© Os QuasilusosEm 1999 esteve em exibição a primeira peça em língua portuguesa na Universidade de Friburgo e, em 2000, o grupo foi criado oficialmente, com o nome “Os Quasilusos”. Este projeto tinha sido desenvolvido pela minha antecessora, em conjunto com uma colega brasileira. Vi nos Quasilusos uma boa oportunidade de, por um lado, falar a minha língua materna e, ao mesmo tempo, de conhecer alemães que estão a aprender português, ou seja, potenciais parceiros de aprendizagem mútua. Foi deste modo que vim parar ao projeto.

E quando é que podemos contar com a próxima exibição?

Neste momento, infelizmente, há pouca coisa a acontecer nesse sentido, pois o grupo encontra-se em pausa. A universidade está a usar a sala de teatro para outros fins. Além disso, desde a introdução do bacharelato que os estudantes têm pouco tempo para este tipo de projetos. Eu própria também não consigo dedicar o tempo necessário aos Quasilusos desde que iniciei o doutoramento. Desde 2015 que já não ensaiamos com regularidade, apesar de continuarmos a fazer apresentações pontuais. Para a comunidade portuguesa em Freiburg, que é, aliás, muito numerosa, preparámos para as crianças uma peça alusiva à Páscoa, por exemplo, e oferecemos também um workshop. Depois de termos tido uma ótima aceitação, voltámos a fazer o mesmo para a comunidade portuguesa em Wiesbaden. A peça era dirigida em especial aos filhos de portugueses na Alemanha. Para mim, foi muito bom ver a alegria das crianças com a peça em português, foi uma experiência muito enriquecedora e engraçada.

Pode dizer-me qual foi até hoje o maior sucesso dos Quasilusos ou falar sobre ocasiões que lhe tenham ficado na memória enquanto momentos especiais?

© Os QuasilusosCada peça, só por si, foi um ponto alto. É o resultado de muito trabalho, suor e lágrimas, afinal são muitas pessoas com personalidades e ideias diferentes a trabalhar em cada uma das peças. De resto, ficaram-me na memória especialmente os dois encontros de alunos. Para estes encontros houve até quem viesse de propósito de Portugal e do Brasil até à Floresta Negra. Apesar de o grupo estar mais pequeno, foi muito importante para os antigos membros o facto de poderem estar presentes. Foi muito bonito.

Tem alguma dica para portuguesas que venham morar para a Alemanha agora?

Aconselho-as a começarem logo a aprender alemão em Portugal e a não vir para cá sem saber falar a língua. Há muita gente que pensa que basta ter alguns conhecimentos rudimentares, mas isso torna tudo muito, muito difícil. Na minha opinião, é mais fácil encontrar trabalho com poucos conhecimentos da língua em Portugal do que na Alemanha. É claro que depende muito do ramo, mas, em geral, penso que o mercado de trabalho em Portugal é mais aberto e flexível nesse aspeto.
Marina Hader
é de perto de Augsburg e mora em Freiburg desde 2014. Um estágio de três meses em Lisboa foi o suficiente para se apaixonar perdidamente pelo país e pelo povo. Para matar um pouco as saudades, foi à procura de pistas portuguesas em Freiburg.

Copyright: Tudo Alemão
Maio de 2017

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

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