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Portugal em Friburgo – Entrevista com Emanuel Cardoso

© Marina Hader© Emanuel CardosoEmanuel Cardoso, 26 anos, é oriundo de Portugal e mora em Freiburg, na região de Breisgau (situada no sudoeste da Alemanha) desde julho de 2014. Aí aprendeu Alemão, no Goethe-Institut, onde, em março de 2015, passou no exame do nível C1. Está desde janeiro de 2016 a tirar a especialização em Cardiologia no Herzzentrum, um centro de cardiologia em Bad Krozingen.

Olá Emanuel. Conta-nos lá então por que razão resolveste vir para a Alemanha.

A organização da especialização médica na Alemanha foi decisiva para mim. A formação médica na Alemanha oferece a vantagem de se poder organizar o próprio percurso de forma individual. Isto significa que posso ganhar experiência em diversos departamentos de Cardiologia, mas também em departamentos de Medicina Interna, sem ter de fazer vários exames de graduação, como é o caso em Portugal. Aqui, efetua-se a candidatura nos respetivos departamentos de um hospital e, durante a entrevista, analisa-se se existe compatibilidade com o departamento ou não. Isto facilita a nossa formação.

O que sabias sobre a Alemanha antes de vir para cá?

Muito sinceramente: quase nada. Sabia que a língua é muito difícil e conhecia a “fama” que a Alemanha tem nos outros países por causa da sua história. De resto, sempre relacionei a Alemanha com a Oktoberfest, com os carros e com filmes como o “Goodbye Lenin”.

O que é que te surpreendeu mais ou o que é que esperavas que fosse diferente na Alemanha? O que é que te causou maiores dificuldades?

Pensei que o tempo fosse muito pior do que é na realidade. Muito sinceramente: o inverno de cá é muito mais seco do que em Portugal. Tenho a sensação de que, aqui, não sinto o frio de maneira tão intensa como em Portugal, onde o frio é mais húmido. Em português, dizemos que o frio nos entra nos ossos. Além disso, as casas na Alemanha estão mais bem preparadas para o frio, o isolamento é melhor e há aquecimentos em todo o lado.

O que me causou maiores dificuldades foi a língua. O alemão é extremamente difícil. Pensamos que dentro de dois ou três anos tudo se tornará mais fácil, mas depois verificamos que aparecem sempre novas dificuldades. E mesmo quando já se fala a língua, falta-nos por vezes uma certa “cultura geral alemã” para perceber piadas ou indiretas. Acho que é preciso ter crescido aqui para perceber mesmo tudo.

Quais são os requisitos para se poder trabalhar na Alemanha enquanto médico português?

Deve saber-se falar bem alemão, uma vez que é necessário passar no exame de nível C1 de alemão. Depois, segue-se um curso de comunicação com o paciente, disponibilizado, por exemplo, pelo Goethe-Institut. A juntar aos certificados do nível C1 e do curso de comunicação com o paciente, é necessário entregar diversos documentos na associação médica do respetivo estado federal. Esses documentos são requeridos em Portugal, como a certidão de registo criminal e o diploma de conclusão do curso. Aqui em Baden-Württemberg, com a entrega desses documentos, recebemos a autorização para exercer a atividade. Dependendo do estado federal, existem requisitos diferentes, sobre os quais temos de obter informações junto da respetiva associação médica.

De que é que sentes mais saudades em Portugal?

Aquilo de que sinto mais saudades são os jogos do Sporting de duas em duas semanas no Estádio de Alvalade (risos). Claro que tenho saudades da minha família e dos meus amigos. Também sinto falta da Queima das Fitas, em Coimbra, que tem lugar em maio. São as festividades dos estudantes, para celebrar o final do curso.

, que tem lugar em maio. São as festividades dos estudantes, para celebrar o final do curso.

Sim. Todos temos dias bons e dias maus, e nos dias maus penso em como seria se estivesse a viver esses dias maus em Portugal. Mas nos dias bons, voltar para Portugal está completamente fora de questão.

Há alguma coisa de que gostes mais na Alemanha do que em Portugal?

Na Alemanha tudo funciona (risos). Tenho a sensação de que os problemas burocráticos são rapidamente resolvidos. Os transportes públicos são sem dúvida muito bem organizados. Na verdade, nem é preciso ter carro.

Que conselhos gostarias de dar a jovens portugueses que pretendem emigrar para a Alemanha?

Aprende a língua, de preferência antes de sair de Portugal, no Goethe-Institut, por exemplo. Se pensares em ir para o estrangeiro depois de terminar o curso, fazer Erasmus e um estágio durante o curso no respetivo país constitui uma boa oportunidade para o conhecer e formar um círculo de amigos. Quando já se viveram experiências positivas no país, a mudança torna-se muito mais fácil.
Marina Hader
é de perto de Augsburg e mora em Freiburg desde 2014. Marina deve muito ao seu entrevistado, Emanuel: entre outras coisas, deve-lhe os seus melhorados conhecimentos de português e o facto de saber agora o nome de todos os jogadores da seleção portuguesa de futebol.

Copyright: Tudo Alemão
Maio de 2017

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

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