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O FC Portugiesen de Friburgo

© Marina Hader© Marina Hader«Anda, chuta!», ouve-se da bancada onde se sentam os adeptos da equipa da casa e, sob um sol radioso, poderíamos pensar por um momento que estávamos num campo de futebol em Portugal e não em Friburgo, na Floresta Negra.

Encontro-me aqui para uma entrevista combinada com Manuel Ervões e Quim Torres, na qual pretendo saber mais sobre o clube FC Portugiesen Freiburg. Manuel Ervões, também conhecido no sul da região de Baden por «el Presidente», é originário de Lisboa e mudou-se para a Alemanha aos catorze anos com os seus pais, imigrantes de primeira geração. Quim Torres nasceu nos arredores do Porto e veio para a Alemanha aos sete anos com a sua família, igualmente como filho de trabalhadores imigrantes portugueses. Ambos acompanharam o FC Portugiesen Freiburg e.V. desde as suas origens, nas mais variadas funções.

Mais do que um mero clube de imigrantes

© Marina HaderDepois de um jogo em que o FC Portugiesen, após uns minutos finais emocionantes, saiu derrotado por 3-4, sentei-me finalmente com os dois. «Depois de uma derrota destas, é óbvio que se torna difícil dar uma entrevista», afirma Manuel Ervões, algo desolado. Mas quando começa a contar as origens do clube e a sua história, o seu humor melhora rapidamente de novo. Fico então a saber que o FC Portugiesen existe há 37 anos como associação registada. Foi fundado em 1980 com o nome Club Portugiesisch Freiburg por imigrantes portugueses de primeira geração, que até então jogavam juntos quando calhava e participavam em torneios esporádicos. «Nessa altura o campo de futebol era, aos domingos, o ponto de encontro dos portugueses de Friburgo e foi assim que também passei a fazer parte do clube. Hoje o clube conta com cerca de 120 sócios, dos quais aproximadamente 40 são ativos. Calculamos que 50 por cento dos sócios sejam portugueses», conta Manuel Ervões, com Quim Torres a acrescentar: «No conjunto somos uma equipa muito multicultural, com cerca de 10 nacionalidades diferentes.»

O futebol e Portugal também unem os sócios do FC Portugiesen fora do clube. Os resultados da liga portuguesa são discutidos e os torneios internacionais são visionados em conjunto, até 2009 na sede do clube em Haid e, após o encerramento desta, organizados de forma privada em casa de sócios. «O coração bate claramente por Portugal», assegura Manuel Ervões. Aquando do Euro 2004, que teve lugar em Portugal e no qual a seleção portuguesa chegou à final, estabeleceu-se que, após cada jogo vitorioso da sua equipa, os adeptos portugueses de Friburgo percorriam a cidade num cortejo automóvel, encontrando-se no final junto à Martinstor. «Este ponto de encontro tornou-se entretanto tão conhecido que, por vezes, também encontramos lá portugueses de França», conta Quim Torres, «e no ano passado também houve boas razões para festejar!», diz, risonho.

Só os jovens causam preocupação

Como muitos clubes pequenos, o FC Portugiesen também depende muito do dinheiro dos patrocinadores. Na sua história, o clube nunca teve um campo de jogos próprio, utilizou sempre os campos de outros clubes. Além disso, os problemas no recrutamento de jovens também causam atualmente algumas preocupações: «Como não temos as nossas próprias camadas jovens, precisamos de atrair jogadores de outra forma. Mas há sempre portugueses recentemente chegados a Friburgo que vêm ter connosco e perguntam se podem jogar no nosso clube», revela Quim Torres.

© Marina HaderAo contrário de muitos clubes de imigrantes espanhóis, jugoslavos, turcos e italianos da região, o FC Portugiesen foi um dos poucos clubes de imigrantes que sobreviveram. A que se deve isso? «Nós atribuímos isso ao facto de sempre termos dado grande importância à integração e de, por exemplo, sempre termos procurado o contacto com o adversário no final dos jogos», afirma Quim Torres. «Foi assim que ao longo dos anos criámos a nossa boa reputação na região sul de Baden.»

Se tiveres interesse em jogar no FC Portugiesen e/ou em colaborar com o clube de outra forma, encontras mais informações e os dados de contacto em fcportugiesen.de.
Marina Hader
nasceu nos arredores de Augsburgo e vive desde 2014 em Friburgo. Ao procurar vestígios de Portugal em Friburgo deu de caras com o FC Portugiesen. No primeiro jogo do FC Portugiesen a que assistiu ficou impressionada pela emotividade com que os adeptos apoiam a sua equipa. Ela faz figas com as duas mãos para que o clube consiga a permanência.

Copyright: Tudo Alemão
Junho de 2017

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

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