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Portugal em Friburgo – Entrevista com Olívia Maria Pereira

© Marina Hader© Marina HaderOlívia Maria Pereira é do Alentejo e dirige com o marido a loja de produtos alimentares Casa Portugal em Friburgo, onde vende, sobretudo, especialidades portuguesas, mas também espanholas e brasileiras.

Olá D. Olívia Pereira. Podia contar-me o que a levou a mudar-se para a Alemanha?

Claro. Vim para a Alemanha com o meu marido em 1972. Recebi um contrato de trabalho na Alemanha através dos órgãos administrativos locais em Portugal, como era comum com os emigrantes. No meu caso, foi um contrato de um ano numa empresa da indústria metalúrgica no norte da Alemanha. Depois desse ano, mudei-me com o meu marido para o sul da Alemanha, pois já vivia lá o meu irmão e era possível encontrar trabalho.

Quais foram as suas primeiras impressões da Alemanha?

© Marina HaderEm princípio, a primeira grande impressão foi logo o comboio que nos levou de Lisboa para a Alemanha, foi emocionante! Foi a primeira vez que andei de comboio. Não nos podemos esquecer de que, nessa altura, na aldeia de onde eu venho, no Alentejo, não havia eletricidade. Por isso, a viagem de comboio já foi extraordinária. Depois, na Alemanha, vi neve pela primeira vez, em Portugal nunca tinha visto. Isso também me ficou na memória como uma das primeiras impressões mais empolgantes.

O que é que a levou a abrir a Casa Portugal?

. Naquela altura, havia uma pequena mercearia para alugar. O meu marido e eu trabalhávamos os dois por turnos e pensámos que poderíamos ter uma pequena loja de produtos importados de Portugal, onde trabalharíamos também por turnos, o meu marido de manhã e eu à tarde, ou ao contrário. Foi assim que, no dia 15.12.1989, inaugurámos a nossa loja de produtos alimentares. Quando, no início da primeira década de 2000, o prédio onde ficava a loja foi vendido, mudámo-nos para a loja atual. Tivemos de renovar e reparar muitas coisas, mas valeu a pena o esforço.

Vê alguma diferença entre os portugueses da sua geração que vieram para a Alemanha e os que emigram hoje em dia?

Claro que sim! Os emigrantes dos anos 60 e 70 tinham, em comparação, muito pouca formação, a maioria de nós tinha apenas quatro anos de escolaridade. Não nos podemos esquecer de que foi no tempo de Salazar. Naquela altura, as pessoas queriam fugir à miséria. Hoje, em contrapartida, são sobretudo portugueses com boa formação a emigrar: médicos, engenheiros, enfermeiros...

Existe alguma coisa que hoje faria de maneira diferente do que há 40 anos atrás?

© Marina HaderCom certeza que sim. Quando, naquela altura, vim para a Alemanha, não frequentei nenhum curso de alemão. Para o meu trabalho, era suficiente comandar as máquinas, para isso não precisava de saber a língua, e em casa falava sempre português com o meu marido e, mais tarde, com os nossos filhos. Naquele tempo também não havia cursos de alemão organizados como hoje, e o problema era que para tirar um curso era preciso ter tempo e dinheiro, mas as pessoas que tinham tempo e dinheiro não emigravam para a Alemanha. Agora vejo que um curso de alemão me teria facilitado muitas coisas.
Marina Hader
é de perto de Augsburg e mora em Friburgo desde 2014. Um estágio de três meses em Lisboa foi o suficiente para se apaixonar perdidamente pelo país e pelo povo. Para matar um pouco as saudades, foi à procura de pistas portuguesas em Friburgo. Foi quando descobriu tremoços e pastéis de nata verdadeiros na Casa Portugal.

Copyright: Tudo Alemão
Julho de 2017

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

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