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Adepto procura clube: Parte 1 – No covil do leão

Marco Franco© João Ventura

Sou adepto de futebol, sempre fui. Para mim, o futebol significa paixão, fidelidade descomprometida, alegria sem limites, mas também tristeza amarga. O futebol oferece-me uma pátria, mesmo longe da minha verdadeira pátria, a Alemanha. Viajo muito pelo mundo e, nessas alturas, sinto falta do futebol e do meu clube, pelo que nos últimos anos me acostumei a assistir sempre a um jogo de futebol, onde quer que esteja. É que o futebol não conhece fronteiras, ele supera-as jogando. Na Islândia, por exemplo, assisto, sob um céu escuríssimo e temperaturas negativas, a um jogo de primeira liga do «Íþróttabandalag Vestmannaeyja», que joga contra o «Knattspyrnufélagið Valur Reykjavík». Tenta lá pronunciar isto sem tropeçar. Provavelmente, falharás. Mas a língua não é importante, decisivos são a alegria e o entusiasmo dos adeptos, dos espectadores.

O futebol, para mim, é um barómetro da cultura

Num jogo encontro pessoas de todas as classes sociais, todas unidas pela alegria pelo jogo e pela ambição de verem a sua equipa ganhar. Aqui posso perceber «como pulsam as pessoas», como se comportam num ambiente autêntico. É por isso que o futebol é, para mim, um barómetro da cultura. Aqui aprendo muitas vezes mais sobre as pessoas em 90 minutos do que em passeios pela cidade ao longo de vários dias. Aqui aprendo também a sentir-me em casa.

Neste momento vivo em Lisboa. Também aqui o futebol tem uma grande tradição. Dois nomes sonantes do futebol mundial estão aqui sedeados: Sporting e Benfica. Como é óbvio, assisti a jogos destes dois clubes. Quero escolher um dos dois para mim. Ele deverá ajudar-me a sentir-me em casa aqui em Lisboa. Ele deverá ligar-me emocionalmente a esta cidade e às suas pessoas e dar-me a sensação de lhes pertencer. Mas, qual deles deverá ser?

No covil do leão

© Mattis WeberÉ domingo, dia 07/04/2019, 20h00. Estou no Estádio José Alvalade XXI, a casa do Sporting, «os leões», como também são chamados por cá. Aqui há lugar para aproximadamente 50 mil espectadores, hoje apareceram cerca de 26 mil. O estádio foi concebido em cores berrantes, dominando o amarelo e o verde. Não é para todos os gostos. O Sporting joga contra o Rio Ave, um clube do norte de Portugal. Observo atentamente as pessoas e abro caminho para o meu lugar através da multidão. O ambiente é bom. Sento-me logo por cima dos «ultras», aqui há sempre barulho e os adeptos são especialmente emotivos. Tento absorver todo o ambiente. O hino do clube soa, todos puxam dos seus cachecóis e seguram-nos orgulhosamente sobre a cabeça. É então que a música do estádio é desligada e o jogo começa, mas os adeptos cantam o hino a capella até ao fim. Fico severamente impressionado: é um som fantástico!

O jogo também é bom. No final o Sporting vence por 3-0. É um bálsamo para a alma devastada dos adeptos do Sporting. É que os escândalos recentes em redor do clube foram um duro golpe para os adeptos e para o clube. Continua a pairar uma sombra negra sobre os acontecimentos do ano passado. Um grupo de «adeptos» atacou e feriu os jogadores aquando de um treino. E como se isso não fosse suficientemente mau, veio então a público que o próprio presidente teria incentivado os «adeptos» à consecução deste ataque. Muitos jogadores, entre os quais alguns internacionais portugueses, rescindiram, em consequência, os seus contratos. Um escândalo inacreditável.

© João VenturaEntretanto, a situação desanuviou um pouco e, no plano desportivo, as coisas também têm vindo a correr melhor. Nas últimas semanas o Sporting ganhou muitos jogos e apurou-se igualmente para a final da Taça de Portugal, onde vai defrontar o FC Porto. Ainda assim, o Sporting precisa de mais dias como o de hoje para se livrar do peso e dos prejuízos de imagem que carrega consigo desde o verão do ano passado. É isso que também me assegura um adepto com quem converso brevemente. «Hoje foi bom», afirma. «Se agora também ganharmos a final da Taça contra o Porto, então terá sido uma boa época.» Percebo que por aqui se anseia por regularidade ao mais alto nível – ou seja, exatamente aquilo que o outro grande clube da capital tem, neste momento, de vantagem em relação ao Sporting. O amor dos adeptos pelo clube, em todo o caso, permanece firme. Um grito prolongado de «Spooorting» continua-me a ecoar durante muito tempo, quando me ponho lentamente a caminho de casa, ainda completamente absorto pela magia deste jogo de futebol.

Na segunda parte de «Adepto procura clube», contarei a minha experiência no «Estádio da Luz». Na próxima semana ficarão a saber o que me entusiasma no Benfica e qual o clube que, no final, acabei por escolher para mim...
Mattis Weber

Copyright: Tudo Alemão
Maio de 2019

Língua original: Alemão.

     

     
     

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