Nómadas

Um país para sonhar

© Mattis WeberAi, Portugal. Como sinto a tua falta! De ti e dos teus bolos divinais, com os quais poderia sonhar todo o santo dia!
Por vezes, é difícil ter uma boa recordação. À alegria associa-se sempre a saudade daquele momento. E eu sinto saudades do país cujas especialidades doces não têm igual no resto do mundo.

Como tudo começou

© Mattis WeberMas comecemos pelo princípio. A minha história de amor com Portugal começou há não muito tempo, no ano de 2016. Foi o ano em que Donald Trump foi eleito presidente dos EUA, em que Portugal se sagrou campeão da Europa e em que tiveram lugar os devastadores ataques terroristas de Nice, Bruxelas e Berlim.

Em fevereiro desse mesmo ano, pus-me a caminho de Portugal com a minha namorada. Tínhamos sete semanas para conhecer o país, as pessoas e a comida. Nessa altura já planeávamos passar um semestre em Braga e queríamos começar logo a construir uma relação com o país, que até então apenas havíamos percecionado como um fenómeno marginal no oeste da Europa.

Chegámos ao Porto e fomos imediatamente conquistados pela beleza e pela autenticidade desta metrópole junto à inóspita costa do Atlântico. Seguimos o oceano para norte, subimos os degraus até ao Bom Jesus, atravessámos o Lima, andámos de cavalo pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês e tomámos banho nas fontes quentes pouco para lá da fronteira portuguesa, em Espanha. Vivemos dias maravilhosos!

O ponto de viragem

© Mattis WeberNão esperávamos, contudo, o que aconteceu a seguir: o nosso foco deslocou-se em passo firme da arquitetura grandiosa e das paisagens mágicas para a comida do país. Foram sobretudo os pequenos bolinhos que nos encantaram. Pastéis de nata, travesseiros, ovos moles – a caminho do sul, fomos deixando atrás de nós um rasto imaginário de açúcar. A partir de certo ponto, a busca por guloseimas descontrolou-se. Quase não conseguia pensar em qualquer outra coisa. Tinha de provar tudo! Fui atraído pela multiplicidade de formas e de cores, de cheiros e de sabores. Sentia-me como um caçador de tesouros, como uma criança pequena que, às portas da cidade, já espera excitada pela próxima descoberta.

A minha namorada ainda tentou travar-me, mas era tarde de mais: já estava completamente mergulhado num mundo paralelo feito de açúcar. Os palácios de Sintra tornaram-se secundários. Palácio Nacional da Pena? Antes de provar um travesseiro não faço mais nada! Castelo dos Mouros? Só depois de uma queijada! Um passeio de barco pelo canal de Aveiro? Sem ovos moles? Nem pensar!

Levei a minha namorada à beira do desespero. No final foram 17 as cidades que visitámos e nas quais andei a perguntar nas padarias qual a especialidade local. Muitas das minhas descobertas permaneceram sem nome, devoradas pela loucura do açúcar. Restam apenas fotografias e a recordação de uma inesquecível experiência gustativa.

Inúmeros pastéis de nata mais tarde, regressámos à Alemanha, antes que fosse tarde de mais para o conseguirmos fazer. A nossa viagem foi um sonho. Mas agora é hora de acordar.

A separação é difícil e a recordação de todas as iguarias é dolorosa, mas há uma certeza reconfortante que permanece: o próximo sonho estará certamente a caminho!
Mattis Weber​

Copyright: Tudo Alemão
November 2019

Língua Original: Alemão.

     

     
     

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