Quotidiano

O Bairro Português em Hamburgo - Um pedaço de Portugal na Alemanha

(c) www.portugiesenviertel-hamburg.de(c) www.portugiesenviertel-hamburg.de“Queria um galão”, diz Claudia Behrens num café turco em Hamburgo. De seguida, pousa o casaco e o gorro e senta-se num lugar junto à janela. O dono do café, Hüseyin Deper, percebe-a sem problemas e leva-lhe o café com leite.


Esta cena faz parte do quotidiano do Bairro Português. Ali ao lado, na mercearia alemã, um cartaz junto à porta faz publicidade à cerveja Sagres. E Hüseyin Deper, além dos bolos turcos e do pão alemão, também vende pastéis de nata frescos.
O “Bairro Português” (“Portugiesenviertel”), na verdade, chama-se “Südliche Neustadt”“ e fica situado nas proximidades das Landungsbrücken (as pontes de atracamento) do porto de Hamburgo. Neste bairro, do tamanho de dois campos de futebol, existem cerca de 40 estabelecimentos gastronómicos, dos quais cerca de metade estão nas mãos de portugueses.

Já nos finais do século XVI os navegadores portugueses faziam escala em Hamburgo. Judeus sefarditas fugiam da Inquisição e estabeleciam-se nesta cidade hanseática, onde lhes eram concedidos quase os mesmos direitos que a um cidadão de Hamburgo. Como sinal do seu reconhecimento, fundaram uma casa que ainda hoje se encontra à entrada do Bairro Português.

© www.portugiesenviertel-hamburg.deDesde meados dos anos 70 que cada vez mais emigrantes portugueses fixaram residência neste bairro. Em 1984, a família Soares-Vasconcelos inaugurou o “Porto”, o primeiro restaurante português do bairro. O “Porto” teve, desde logo, um enorme sucesso e transformou-se num modelo que veio a ser seguido mais tarde por outros portugueses, que abriram também eles restaurantes ou pastelarias, oferecendo a gastronomia portuguesa.

Mas não foram só os portugueses que se deixaram contagiar por este sucesso. Houve também espanhóis a abrir bares de tapas e italianos a abrir pizzerias. Ao todo, são 16 os países que estão representados no Bairro Português. Se, no século XVII, eram os navegadores portugueses que traziam para Hamburgo cobiçadas especiarias vindas de todo o mundo, hoje são o peixe português, a paelha espanhola, as igrejas em honra dos marinheiros escandinavos e os souvenirs portuários alemães que conferem charme a este bairro no sul de Neustadt. A sua leveza mediterrânica e a atmosfera marítima atraem anualmente a esta zona de Hamburgo 2,5 milhões de visitantes. É sobretudo no verão que o Bairro Português se enche de pessoas que, pela noite dentro, se sentam à volta das mesas colocadas na rua. Mais cheio, só durante os campeonatos de futebol. Nessas alturas, todo o bairro é decorado com bandeiras e os adeptos encontram-se à volta do bar do Benfica para ver os jogos em conjunto.

© www.portugiesenviertel-hamburg.deSurpreendentemente, este é um bairro tranquilo, apesar da agitação que aqui se vive de tempos a tempos. “Basta sentarmo-nos um pouco na rua para ficarmos a conhecer todos os vizinhos”, diz Wiebke Kuhn, que já vive no Bairro Português há alguns anos e está neste momento a passar a sua hora de almoço no restaurante “Portugal”. “Morar aqui é como viver numa aldeia“, diz. Se o local onde mora a marcou de algum modo? “Sim. Já só bebo Vinho Verde”, diz Wiebke a rir. “E quero muito fazer uma viagem a Portugal“. Além disso, já não prescinde dos pastéis de nata e do café português – mas esses também se podem encontrar no Schanzenviertel. Não é só na “aldeia do porto” que podemos pedir um galão com boas probabilidades de que nos entendam. Segundo o Statistikamt Nord (Instituto de Estatística do Norte), 8627 portugueses vivem neste momento em Hamburgo, e a Portugiesisch-Hanseatische Gesellschaft (Sociedade Hanseática-Portuguesa) tem na sua lista 68 cafés e pastelarias, bem como 42 restaurantes portugueses em toda a área da cidade. Como se pode perceber, não é só no Bairro Português que é possível encontrar um pedaço de Portugal, mas sim em toda a cidade de Hamburgo.
Jon Nielsen
nasceu e cresceu em Kiel e estudou Ciências da Comunicação e Estudos Alemães em Erfurt e em Madrid. Mais tarde trabalhou numa emissora de rádio na Nicarágua e está agora a fazer o Mestrado em Jornalismo em Hamburgo.

Copyright: Tudo Alemão
Maio de 2013

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

    Migração e integração

    A migração altera culturas

    rumbo @lemania

    © rumbo @lemania
    … el portal para jóvenes nómadas

    FuturePerfect

    © Future Perfect
    Hitsórias para amanhã - hoje, em todo o mundo

    Goethe-Institut Portugal

    Bem-vindo
    à nossa
    Homepage!