Quotidiano

Dos campónios aos meninos da cidade

Qual é o melhor lugar na Alemanha para passar a juventude? O campo ou a cidade? Depende muito do ponto de vista. Julia, uma “campónia” e Alina, uma “menina da cidade”, contam-nos a sua experiência.

Alina (à esquerda) e
Julia; Copyright: Franziska Gerlach
Alina à esquerda) e Julia (à direita)


Há muitas coisas que ligam Alina a Julia: ambas têm 23 anos, ambas estão a estudar Alemão como Língua Estrangeira na Universidade Ludwig Maximilian, em Munique, e desde há alguns meses partilham até a casa. No entanto, se perguntarmos a estas duas amigas se o melhor sítio na Alemanha para passar a juventude é o campo ou a cidade, obtemos respostas muito diferentes. Julia cresceu na pequena aldeia de Bruckmühl, no norte da Baviera, e Alina a 20 km de distância, em Rosenheim, que, com os seus 70.000 habitantes, se insere na categoria das pequenas cidades alemãs.

Julia, que recordações tens da tua infância passada no campo?

Julia: Na verdade, passávamos o tempo a brincar na rua, e às vezes também dávamos uma ajuda nas quintas perto de casa – sem estarmos acompanhados pelos nossos pais, claro. Eles sabiam que, na aldeia, não nos podia acontecer nada de mal.

E que outras atividades tinhas nos tempos livres?

Julia; Copyright: Hanna Kulke
Julia - do campo
Julia: Uma vez por semana tinha aulas de ballet. Mas era preciso a minha mãe levar-me de carro até à vila mais próxima. Enquanto eu estava na aula, a minha mãe aproveitava para ir às compras ao supermercado ou à drogaria, o que para ela também era muito prático.

Alina, notas alguma diferença em relação à tua infância?

Alina: Eu vivia com a minha família numa vivenda no centro da cidade. Também podia ir brincar para fora de casa, mas tinha de ficar no jardim, não podia andar a correr pelos campos. Para a escola ou para as aulas de flauta ia sozinha de autocarro ou de bicicleta.

Achas que a vida na cidade ensina as crianças a ter mais autonomia?

Alina; Copyright: privat
Alina - da cidade
Alina: Claro que sim. As crianças da cidade aprendem muito mais cedo a orientar-se sozinhas, pois muitas vezes os pais trabalham. Depois da escola, a grande maioria dos meus amigos ficava num centro de tempos livres até às 5 da tarde.

Julia: Na aldeia, isso é muito mal visto. Só as crianças das famílias mais necessitadas é que frequentavam as atividades de tempos livres. Isso significava que o dinheiro não chegava e que as mães também tinham de ir trabalhar.

O cliché da vida idílica do campo tem mesmo um fundo de verdade?

Julia: Sem dúvida. No campo, as crianças estão muito mais protegidas enquanto crescem. E a família também tem uma importância diferente.

Alina: Também acho que sim. Quando penso na vida do campo, imagino automaticamente a típica família numerosa alemã. Filhos, pais e avós a viver debaixo do mesmo teto e a ajudar-se mutuamente.

Julia, alguma vez alguém te deu a sensação de seres uma campónia?

Julia: Sim. Acho que tem a ver com o facto de eu falar Bávaro. Mas sim, já aconteceu olharem-me de lado no metro em Munique.

Alina: Também já me aconteceu. O pai de uma amiga que mora no campo costumava imitar-me a falar Alto Alemão. Achava que eu era uma menina fina e mimada. Penso que existem preconceitos de ambas as partes – tanto das pessoas da cidade como das do campo.

Julia, quando eras adolescente não terias preferido viver na cidade?

Land; Copyright: Bär Lilalaunebär / www.jugendfotos.de, CC-Lizenz(by-nc)
http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/deed.de

Julia: Nessa altura sim. Principalmente quando começámos a sair à noite. Tínhamos de apanhar o autocarro da discoteca, que nos levava de Bruckmühl para Rosenheim. Mas esse autocarro só passa duas vezes por noite (risos).

Isso soa a um imenso esforço de organização. Alina, em comparação com esta realidade, sabias apreciar o facto de ter tudo à porta?

Alina: Claro. Sempre pude ir a pé para casa, o que é uma enorme vantagem, pois consegue-se planear a noite de uma forma muito mais espontânea. Sobretudo não é preciso pedir aos pais que nos levem e vão buscar.

Atualmente ambas vivem em Munique. Sentem-se bem aqui?

Julia: Muito bem. No entanto, passado algum tempo fico stressada com o excesso de atividades que a cidade tem para oferecer. Quando estou em Munique, tenho de me controlar imenso para conseguir passar um dia sem sair. Na aldeia isso não é um problema. Lá tenho sossego e posso deitar-me sozinha na relva sem ter que partilhar o espaço com outras mil pessoas, como acontece aqui, junto ao rio Isar.

Stadt; Copyright: Colourbox

Alina: Comigo é exatamente ao contrário. Gosto da cidade precisamente porque sei que posso fazer coisas interessantes a toda a hora. Claro que também gosto de passar um ou dois dias no campo para descontrair. Mas depois aborreço-me. Também é possível encontrar oásis de tranquilidade na cidade. Gosto, por exemplo, de ir ao Englischer Garten (Jardim Inglês). Claro que há lá outras pessoas, mas haverá algo melhor do que observar pessoas? (risos)

Se vocês próprias um dia tiverem filhos, onde gostariam que eles crescessem – na cidade ou no campo?

Julia: Se for de algum modo conciliável com o meu emprego, não há dúvida de que gostaria que os meus filhos fossem criados no campo, pela simples razão de que as crianças no campo têm muito mais liberdade. Acho que o facto de crescermos protegidos nos dá muita segurança para a vida.

Alina: Sou obrigada a concordar contigo. Por mais que goste da cidade, preferia que os meus filhos crescessem no campo. Além do mais, nos meios pequenos é muito mais fácil encontrar um lugar num infantário. Também as rendas, em comparação com Munique, são bastante mais baixas, e posso oferecer aos meus filhos, pelo mesmo valor, a possibilidade de viver numa casa com jardim. Mas para a faixa etária abaixo dos 30 anos, a cidade simplesmente tem mais para oferecer.

A vida na cidade é demasiado superficial?

Alina: Eu diria que, por vezes, é um pouco anónima. Mas na cidade também é possível criar um círculo sólido de amigos, com os quais nos encontramos com regularidade. Quanto melhor se conhece uma cidade, mais prazer dá viver nela.
Franziska Gerlach
trabalha como escritora independente e professora de Alemão como língua estrangeira em Munique.

Copyright: Todo Alemán
Julho de 2013
Língua original: Alemão

     

     
     

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