Quotidiano

De correntes de bicicleta e olheiras – a campanha eleitoral na Alemanha entra na fase quente

(c) www.portugiesenviertel-hamburg.de© Moritz BraessPôr a cerveja no frigorífico, pegar nas pipocas e ajeitar a poltrona! A cada quatro anos podemos ser testemunhas de um acontecimento perante o qual o Campeonato do Mundo de Futebol e o Festival de Circo de Monte Carlo não têm qualquer hipótese: as eleições para o parlamento alemão! Ah, como é belo! Até ficamos com vontade de devorar a notificação que recebemos sobre a data das eleições, tal é o formigamento que sentimos nos dedos quando nos damos conta de que até lá ainda nos esperam 5 dias do melhor programa eleitoral em todos os canais da idade da informação.

E não é que os últimos meses tenham sido monótonos. Pelo contrário. Em parte, aconteceram neles mais coisas do que em todo o ano de eleições de 2009. Na altura, o ultrassério candidato do SPD a chanceler, Steinmeier, e a ultraultrasséria chanceler da CDU, Merkel, faziam uma figura quase penosa na sua conduta enfadonha: a Alemanha tinha conseguido libertar-se da sua imagem de desmancha-prazeres e de sabichona aquando do Campeonato do Mundo de 2006 realizado no país e logo aparecem aqueles dois cromos e deitam tudo a perder.

Em relação aos protagonistas do ano de 2013 não precisamos de ter este tipo de preocupações. E não podemos deixar, em grande parte, de atribuir este mérito ao candidato do SPD, Peer Steinbrück. Ele sabe como animar as hostes! Logo no congresso do partido que resultou na sua nomeação, no ano passado, ele pediu aos delegados “espaço para as pernas” na campanha eleitoral e anunciou “posições firmes”. Iria manter a palavra, mas de forma provavelmente diferente da que muitos camaradas esperariam. Tudo começou com pequenos passos em falso, e entretanto a imprensa diverte-se e deleita-se a divulgar os escândalos e escandalozinhos de “Peer-Pata-Na-Poça” ou, em caso de emergência, a construi-los.

© Moritz BraessUma pequena seleção: em janeiro, a manchete “Peer Steinbrück exige aumento do salário de chanceler” causou furor. É um tema com o qual não se pode mesmo brincar na Alemanha! Os aumentos dos salários dos deputados dão regularmente origem a um grito coletivo de indignação. É então que aparece um velho socialista que, como futuro chanceler, quer ganhar ainda mais um bocadinho! Na verdade, na entrevista respetiva (FASZ, 29.12.12), Steinbrück pretendera sobretudo denunciar publicamente os elevados salários dos gestores, e não um suposto baixo salário do chanceler, mas todas as explicações chegaram demasiado tarde: o escândalo tinha nascido. Pouco tempo depois soube-se que o slogan de campanha do SPD, “O Nós decide”, era precisamente igual ao de uma empresa de trabalho temporário de caráter duvidoso. Alvoroço em toda a nação! Igualmente célebre ficou a reação de Steinbrück às acusações: ao reparo de um jornalista, de que uma simples pesquisa no Google teria levado à descoberta de tal semelhança, o candidato a chanceler respondeu com um lacónico “Hätte, Hätte, Fahrradkette” [à letra, “teria, teria, corrente de bicicleta”; na prática significa algo como “não adianta chorar sobre o leite derramado”] – o que deu origem quase instantânea a um vídeo musical satírico, que conheceu enorme difusão na internet.

TV SymbolPeer Steinbrück mit "Hätte, hätte, Fahrradkette" (youtube)

Ao assistir a todo este espetáculo interrogamo-nos: e o que faz a chanceler?
E, desiludidos e algo admirados, constatamos: népia. Só quando observamos a chamada “pergunta de domingo”, isto é, as sondagens regularmente divulgadas relativas às eleições para o parlamento, é que nos voltamos a lembrar da presidente da CDU. É que nas sondagens Angela Merkel surge sempre na frente, de forma constante e com grande vantagem – e mantém-se em silêncio. Em desespero torna-se necessário inventar temas dignos de tabloide, para pelo menos garantir alguma emoção nas conversas de café ou de cabeleireiro. Para este fim é necessário recorrer constantemente, por exemplo, às subtis mas constantes alterações no penteado da chanceler e na sua maquilhagem (da qual têm sido vítimas ao longo dos anos, inclusivamente, as suas impressionantes olheiras). Mas são apenas essas as notícias de fofoquices saídas da Chancelaria Federal.

Graças a Deus que temos Peer Steinbrück. É ele que nos dá esperança para uma emocionante “fase quente” da campanha eleitoral. Tivemos, por exemplo, a cena com Berlusconi e o palhaço, os honorários dos oradores ou… Ah, limitemo-nos a recostar-nos e a apreciar. Talvez a chanceler afinal ainda venha a colaborar. Só podemos aconselhá-la a fazê-lo, pois quem sabe se na próxima exibição, daqui a quatro anos, voltará a ter oportunidade para isso.

No total, 34 partidos candidatam-se às eleições na Alemanha. Uma enorme barafunda, mas a grande maioria dos partidos são tão pequenos que não têm grandes hipóteses de entrar no parlamento. A tabela seguinte apresenta, de forma simplificada, uma visão geral dos maiores partidos e da sua orientação política.

Partido Orientação políticaCabeça de lista
CDU (União Democrata Cristã) / CSU (União Social Cristã. Apenas na Baviera)Centro-direita / Burguesa, ConservadoraAngela Merkel
SPD (Partido Social Democrata Alemão) Centro-esquerda / Social-democrataPeer Steinbrück
Bündnis 90/ Die GrünenCentro-esquerda / Política verde Jürgen Tritin/ Katrin Göring-Eckardt
Die Linke Esquerda / Socialismo democrático Não tem um candidato único mas sim uma equipa de topo de 8 políticos, entre os quais Gregor Gysi, Dietmar Bartsch, Sahra Wagenknecht
FDP (Partido Liberal Democrata)
Centro-direita / Liberal Rainer Brüderle
Piratenpartei Deutschland(Centro-esquerda) / Direitos dos cidadãos, Liberdade na Internet(Presidente do partido: Bernd Schlömer)
ADF (Alternativa para a Alemanha)Centro-direita, Eurocrítica (Saída da Zona Euro)(Presidente do partido e fundador: Bernd Lucke)

Moritz Braess
acaba de concluir o seu mestrado em Espanhol e Alemão na Universidade de Göttingen. O próximo meio ano será passado no deserto do México, onde trabalhará como professor de Alemão como Língua Estrangeira na Universidad de Baja California/Mexicali. Antes disso, no entanto, não apenas observou intensivamente a campanha eleitoral alemã como a apoiou de forma ativa e enérgica. E, naturalmente, no dia 22 de setembro irá colocar as duas cruzes a que tem direito – em que partido, isso permanecerá no segredo dos deuses.

Copyright: Tudo Alemão
Setembro de 2013

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

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