Quotidiano

É cor-de-rosa e cintila! – Ou:
Um mercado de Natal em Colónia

© Foto Wölkchen© Foto WölkchenEm Colónia, muitas coisas são diferentes das do resto da Alemanha e talvez até do mundo. Reparei nisso desde o meu primeiro dia na metrópole renana. O Carnaval é uma dessas coisas, o mesmo se podendo dizer da franqueza descarada das pessoas e também dos mercados de Natal, tão tradicionais noutras regiões.

Na verdade, estes últimos existem aos montes, espalhados por toda a área urbana, mas desde o último ano há algo de novo no centro da cidade. Algo de cor-de-rosa e de cintilantemente novo. Um mercado de Natal que talvez só possa existir mesmo em Colónia: um mercado de Natal homossexual.

Tradições queridas

© Foto WölkchenPor favor, não me entendam mal. Adoro tudo o que é tradicional nos mercados de Natal! Quando, no final de novembro, as pequenas barracas aparecem de um dia para o outro em todos os lugares disponíveis, abrindo depois pontualmente no início do tempo do Advento, todos os anos sinto um formigueiro na região do estômago, tal é a alegria antecipada. Nessa altura, a minha primeira visita deve acontecer tão depressa quanto possível, senão eu, pequena viciada no Natal, começo a sentir sintomas de privação, na forma de assobio de canções de Natal no supermercado ou de orgias de confeção de biscoitos pela noite fora.

Para evitar que isso aconteça, os meus amigos são – voluntariamente ou não – arrastados para todos os mercados de Natal da zona onde resido. E em Colónia não são assim tão poucos! De repente lembro-me de pelo menos seis, cada um com o seu lema. Num deles existe uma pista de patinagem, outro tem como tema principal o artesanato e outro ainda tem carrosséis e as mais variadas atrações para crianças.

© Foto WölkchenEu tenho de ir a todos! Não necessariamente no mesmo dia, pois aí é provável que todos nós congelássemos graças ao tempo invernal alemão; mas até à véspera de Natal TENHO de ter visto todos. E, naturalmente, TENHO de ter bebido em todos o obrigatório glühwein [vinho quente com especiarias] – é verdade, o período dos mercados de Natal não é nada repousante para o fígado. Um torna-se facilmente dois e quanto está muito frio torna-se três e de repente damos por nós junto a uma barraca de glühwein balançando alegremente ao som de canções de Natal antiquíssimas, em conjunto com o grupo da mesa do lado, antes desconhecido… enfim, de certeza que conhecem a situação!

Além disso, em cada visita também TEM de haver pelo menos uma banana de chocolate branco – a atenção especial aqui vai para o «branco», uma das minhas tradições pessoais dos tempos de criança. Regularmente levava a minha mãe à beira do desespero com a minha exigência relativa ao meu querido fruto de chocolate, pois o chocolate branco não era tão fácil de encontrar nas barracas como o chocolate de leite ou o chocolate amargo. E ali ficava ela, com uma criança profundamente desapontada, que não queria absolutamente mais nada. Nunca ninguém tinha ganho a minha simpatia com uma maçã caramelizada.

© Foto WölkchenAinda hoje só consigo passear descontraidamente por um mercado de Natal depois de ter descoberto a primeira banana de chocolate branco num expositor. Alguns hábitos simplesmente nunca se extinguem. É exatamente o que acontece com o cartucho de amêndoas caramelizadas, obrigatório para o caminho de regresso a casa. Além disso há sempre uma ou outra bratwurst [salsicha frita] que se intromete, ou um crepe com Nutella, ou castanhas quentes, ou um dampfnudel [bolinho de massa] com molho de baunilha, ou… – a lista é interminável! Para quem quer ter cuidado com a sua silhueta, visitar um mercado de Natal não é, infelizmente, uma boa opção.

É possível que agora estejam a pensar que só vou aos mercados de Natal para comer e beber. Em parte tenho de lhes dar razão, mas um mercado de Natal tem tantas mais coisas para oferecer! Juntamente com a comida, adoro admirar as diversas barracas com artesanato, velas de cera de abelha e räuchermännchen [bonecos para queimar velas de incenso]. De certa forma é tudo um pouco piroso, mas a verdade é que tudo faz parte, exatamente assim, do Natal. Eu nunca compraria a maior parte das coisas, mas elas transmitem uma certa atmosfera acolhedora. Juntamente com as luzes que brilham nas árvores em todo o lado, as barracas enfeitadas e a música de Natal que rumoreja em fundo, elas permitem-nos fugir por algumas horas ao stress do Natal, que aparentemente está sempre presente.

E agora algo diferente, por favor!

© Foto WölkchenE estamos conversados sobre as tradições e os mercados de Natal «normais». Na «Christmas Avenue», o cor-de-rosa e cintilante mercado de Natal homossexual de Colónia, tudo decorre de forma um pouco diferente. Na verdade também encontramos ali amêndoas caramelizadas e o glühwein escorre pela noite dentro, mas a música de Natal está mais na moda e convida a dançar, em vez de espalhar uma atmosfera de pureza. A oferta em termos de bebidas também é diferente. Ao lado das bebidas quentes clássicas com cheirinho, como o cocktail Lumumba, o hidromel ou o ponche quente, existem também as mais recentes bebidas da moda na sua variante quente: Hot Caipi ou Hot Hugo. Em vez dos räuchermännchen encontramos nos expositores das barracas roupa interior apertada para homem e, como aconteceu na minha última visita – para grande divertimento de um grupo de rapariguinhas que riam baixinho –, figuras de chocolate claramente não destinadas a um público mais jovem. E até as havia de chocolate branco!
Franziska Mollitor:
Berlinense de nascimento, estuda atualmente História, Filologia Românica e Português em Colónia. É uma viciada confessa no Natal e está há anos à procura da banana de chocolate perfeita.

Copyright: Tudo Alemão
Dezembro de 2013

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

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