Quotidiano

Dia de São Valentim:
moda e comércio ou romantismo genuíno?

© Alexandra Faust© Alexandra FaustA luz de uma vela acesa enche a sala; nesta, uma mesa ricamente posta, com toalha branca, em cima dois copos de vinho, dois conjuntos de louça e talheres, uma rosa vermelha, ao lado da qual jaz um cartão. À luz das velas, dois pares de olhos contemplam-se mutuamente; duas pessoas estão sentadas à mesa e seguram-se pelas mãos. Ansiavam por este dia e querem celebrá-lo de maneira condizente.

Como acontece em muitas partes do mundo, os restaurantes na Alemanha registam uma afluência muito especial em meados de fevereiro. Mais concretamente, a 14 de fevereiro, pois esse é o dia de São Valentim.
Seja em casa ou no restaurante: o jantar à luz das velas é, e continua a ser, juntamente com a rosa oferecida, o «must do» do dia de São Valentim. Na verdade, existem mesmo diretrizes de várias revistas femininas sobre a forma exata© Alexandra Faust como este dia deve ser passado. E não apenas isso: a partir do fim de janeiro só posso revirar os olhos quando, quase diariamente, tenho de ler na caixa do supermercado manchetes como, por exemplo: «Quanto deve custar o presente dele para que eu saiba que ele realmente me ama?» Mas, afinal, porque é que tem de ser sempre ele a abrir os cordões à bolsa? Ela também não pode trazer flores? Seja como for, conheço muitos casais que não dispensam o dia de São Valentim.

Conversei sobre o assunto com duas colegas de trabalho. Elas estão de acordo: «É tudo completamente impessoal. Para que preciso eu de um dia específico para dizer ao meu parceiro como ele é importante para mim?» Só posso concordar. Onde está o romantismo de oferecer flores e bombons por obrigação – num dia em que todos os outros também o fazem? «É tudo exagerado à grande, só para as lojas aumentarem as suas vendas…!»

As opiniões divergem, portanto – os alemães não estão em consenso.

© Alexandra FaustAo darmos uma volta pelas lojas, no entanto, reparamos imediatamente numa coisa: o dia de São Valentim está muito presente na Alemanha. Coraçõezinhos e pétalas de rosa, brilhos e brilhozinhos – raramente se poupa na decoração, para não dizer: a loucura da decoração é expressada de forma excessiva. Por boas razões, pois a atenção dos clientes é assim habilidosamente orientada: nas montras uma oferta gigantesca de postais ilustrados, de bombons em forma de coraçõezinhos, de velas de todo o tipo de formas e de aromas variados, e até as joalharias dispõem de repente de promoções fantásticas: «Oferece ao teu parceiro algo especial pelo dia de São Valentim!», ou coisa do género. – Afinal de contas, já tínhamos aprendido com os média quanto custa uma verdadeira prova de amor!

As lojas têm a mesma opinião: o dia de São Valentim é fixe! As pessoas compram as suas tralhas de plástico e aderem completamente às ofertas especiais. Nesta altura podem pedir à vontade o dobro por muitos dos produtos – e as pessoas compram-nos!

© Alexandra FaustEm alguns solteiros, contudo, o dia de São Valentim provoca um desconsolo sentimental: apaixonados por toda a parte, casaizinhos por todo o lado, beijando-se… Como se não bastasse, ainda têm de sofrer a compaixão dos outros, enquanto «corações solitários». Mais uma vez só posso revirar os olhos. Mas, como é natural, o mercado tem consolo para dar, anunciando-o como frases como: «Ofereça-se um presente a si próprio, mime-se.» E, ao mesmo tempo, o speed dating e as festas para solteiros dos cafés e das discotecas da Alemanha gozam, nesta época, de especial popularidade.

A pergunta continua em aberto: afinal, este dia é romântico ou é puro comércio, com o qual apenas lucram as indústrias das flores e dos bombons? Qual é então o verdadeiro propósito do dia de São Valentim?

Uma coisa é certa: não se trata de uma invenção de um vendedor de flores esperto.

O espírito do dia de São Valentim é, na verdade, sentimental: uma antiga lenda religiosa conta que um sacerdote de nome Valentim oferecia a quem precisava de ajuda e de consolo uma flor do seu jardim e celebrava matrimónios contra a vontade do estado. Valentim entrou para a história como santo e é considerado o padroeiro dos apaixonados. Em sua homenagem começaram, mais tarde, a ser distribuídos bilhetinhos entre o povo com mensagens de amor. O dia da sua morte, 14 de fevereiro, passou a ser o «dia dos apaixonados», no qual se recorda como São Valentim os ajudava a atingirem a felicidade. Em muitos países já se comemora o «dia de São Valentim» há muito tempo, os costumes desenvolveram-se a partir dos elementos desta lenda. Ok, admito, em 1950 os vendedores de flores alemães declararam realmente, de forma oficial, este dia como o «dia dos corações abertos». Mas o que conta é o pensamento, acho eu. E esse continua: no dia de São Valentim pensa-se no amor.

© Alexandra FaustE este dia pode também ser uma boa oportunidade para reunirmos de vez toda a nossa coragem e confessarmos finalmente a alguém o nosso apreço. Na minha escola em Celle havia, por exemplo, uma ação no dia de São Valentim que seguia o modelo americano: nos dias anteriores podíamos, por um euro, preencher um postal em forma de coração e, no dia 14/02, alunos do último ano disfarçados de Cupido iam a todas as turmas e distribuíam rosas juntamente com os mencionados postais.

Quem for inteligente, pode comercializar tudo. Quem só quer saber da parte material, não percebeu minimamente o sentido do dia de São Valentim. Quem ama, oferece do fundo do coração. O dia de São Valentim pode ser qualquer coisa. O que fazemos dele, isso é que cada um tem de saber por si próprio!
Alexandra Faust
cresceu numa pequena aldeia da Baixa Saxónia. Completou o ensino secundário em Celle e em seguida começou o curso superior de Teologia Evangélica e Católica em Hannover. Atualmente realiza um estágio na culture.communication, onde é responsável pela área das relações públicas e do marketing.

Copyright: Tudo Alemão
Fevereiro de 2014

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

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