Quotidiano

«Os rapazes do Jogi» antes do Mundial
– O que se diz no café da esquina sobre a seleção alemã de futebol

© Alexandra Faust© Alexandra FaustQuando se trata de eleger o berço do espírito e da erudição na Alemanha, o mais habitual é nomear a universidade – de preferência de Göttingen, Berlim ou Heidelberg. A política, por sua vez, é feita no Parlamento Federal. Berlim é o centro do poder político. No entanto, tudo isto é apenas meia verdade.

É que quem já alguma vez parou num dos inúmeros cafés de esquina, quem já sentiu a alegria de escutar os cinquentões que ali se reúnem regularmente, essa pessoa sabe: o verdadeiro local onde se concentra toda a sabedoria universal, o verdadeiro embrião da política alemã não é nem o Parlamento Federal nem a Universidade Humboldt em Berlim, mas sim: a mesa do café. É aqui que se reúnem as pessoas que sabem – sabem tudo e sabem mais do que os outros.

© Alexandra FaustJuntemo-nos por alguns momentos a este círculo seleto e entendamos o que ocupa as mesas do café alemãs por estes dias: o estado da seleção nacional germânica antes do Campeonato do Mundo de Futebol, no Brasil. No estrangeiro, atribui-se aos nossos representantes no maior acontecimento desportivo do mundo as mais diversas alcunhas (por exemplo, «Die Mannschaft» [«A equipa»]). À mesa do café a única reação possível é franzir a testa. É que a seleção nacional de futebol é um tema demasiado sério para merecer a atribuição de uma alcunha. Quando muito, após a quarta ou quinta cerveja, podemos chamá-los de «os nossos rapazes», «os rapazes» ou ainda «os rapazes do Jogi [Joachim Löw, o selecionador alemão]».

O cliente habitual maldoso avalia, como sempre, pela negativa as hipóteses dos «nossos rapazes». Seria completamente diferente se por fim o deixassem assumir o leme e determinar a tática e a constituição da equipa. O ambiente à mesa do café é, muitas vezes, representativo da sociedade alemã. Então, de onde vem este pessimismo geral? Os últimos 5-10 anos foram determinados na Alemanha pela chamada «geração de ouro». Uma série de futebolistas de grande talento a quem foi atribuída em cada torneio a hipótese de conquistar o título. No entanto, até agora nunca o conseguiram. E não é só isso – entretanto também foram envelhecendo. Schweinsteiger, Lahm, Podolski, Klose, Müller, Mertesacker e Neuer. Todos possuem uma tremenda experiência competitiva. Por isso, têm na seleção nacional uma função parecida com a do porta-voz da turma – são eles que dão o tom, tanto para dentro como para fora. Contudo, a passagem do tempo deixa-lhes marcas, como demonstram as ausências por lesão de Lahm, Schweinsteiger e Neuer até há poucos dias.

© Alexandra FaustA seguir aos porta-vozes da turma vêm, para manter a metáfora, os alunos de nota cinco: jogadores de topo da segunda geração, que entretanto já ultrapassaram o estatuto de caloiros e atingiram um certo grau de maturidade. Entre estes contam-se Özil, Khedira, Kroos, Götze, Schürrle, Hummels e Boateng. É precisamente este grupo, que se tornou internacional pouco tempo depois dos «porta-vozes da turma», que tem sido muito elogiado nos últimos anos. Mas também aqui se levantam algumas interrogações antes do Mundial: Será Özil capaz de regressar à sua antiga forma? Conseguirá Khedira recuperar a tempo o seu atraso na preparação? Conseguirá Kroos estabilizar as suas exibições e sacudir a sua letargia? Conseguirão Götze e Schürrle desenvolver potencial criativo suficiente para substituir um Özil em baixo de forma ou pelo menos para apoiá-lo? E conseguirá a defesa, um problema duradouro sob o comando de Löw, estabilizar-se finalmente? Todas estas questões estão por responder, mas são extremamente decisivas.

De bem menor importância para a resolução destes problemas é o último grupo. O dos alunos que se sentam lá atrás ou até da primeira classe. Neste torneio estão claramente em minoria: Erik Durm, Mathias Ginter, Kevin Groβkreutz, Christoph Kramer e Shkodran Mustafi são as únicas caras novas no plantel da equipa para o Mundial. E, provavelmente, não desempenharão um grande papel. É espantoso. É que, antes dos grandes torneios, o professor Joachim Löw tinha retirado regularmente da cartola uma série de jovens jogadores com pouca experiência competitiva, oferecendo assim aos especialistas uma boa dose de matéria de discussão. O plantel que ele escolheu desta vez é proporcionalmente conservador, até podíamos dizer: quase um pouco monótono. Praticamente não haverá alterações em relação às equipas titulares no último Mundial ou Europeu, não existiu uma mudança.

© Moritz BraessO único ponto de exclamação (que também poderia ser um ponto de interrogação) esconde-se sobretudo no detalhe, isto é, na não chamada de Mario Gomez. Esta é aceitável, mas, juntamente com a não convocatória de Max Kruse e Kevin Volland, tem como consequência que a Alemanha parta para o Mundial com apenas um avançado de raiz. Nos últimos tempos, Löw tem privilegiado cada vez mais o sistema de jogo «espanhol» com um falso nove. Um sistema sem um verdadeiro avançado, mas sim com um centrocampista ofensivo a jogar no meio. Os resultados desta mudança de sistema são, para dizer de forma suave, modestos, como se viu no último empate 2-2 com os Camarões. Perguntamo-nos automaticamente por que razão se teve de abdicar à força do sistema antigo. Afinal de contas, ele valeu à Alemanha um 4-0 contra a Argentina e um 4-1 contra a Inglaterra no último Mundial. Esta é uma questão que ocupa atualmente toda a Alemanha futebolística, mas sobretudo as mesas do café desta nação.

Só os astros sabem que resultado alcançarão os nossos rapazes, mas uma coisa já podemos dizer com certeza absoluta. À mesa do café todos os participantes na discussão já o sabiam antecipadamente.
Moritz Braess
estudou Espanhol e Alemão em Göttingen e realiza atualmente o seu estágio em Braunschweig. Só é especialista em futebol nos tempos livres, fazendo assim, por mérito próprio, parte dos simpáticos (jovens) eruditos da mesa do café que, simplesmente, sabem tudo.

Copyright: Tudo Alemão
Junho de 2014

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

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