Quotidiano

A Alemanha é campeã do mundo!

© Katja Kluge© Katja KlugeO dia 13 de julho de 2014 irá, provavelmente, permanecer na memória de todos os alemães durante muito tempo. Depois de a nossa seleção nacional já ter estado na final em 2002 e ter alcançado o 3.º lugar em 2006 e em 2010, os «rapazes do Jogi» conquistaram finalmente o há muito almejado título em 2014, apesar do largo ceticismo que se verificava entre os adeptos alemães. A Alemanha é campeã do mundo de futebol!

O mais tardar desde 2006, ano em que o Campeonato do Mundo de futebol se realizou na Alemanha, que o país se encontra regularmente em estado de emergência, quando a nossa seleção nacional luta pelo título.

E depois da meia-final deste ano a euforia tomou conta do país inteiro: os 7-1 contra o Brasil não entusiasmam apenas os adeptos alemães, impressionam também internacionalmente – em Nova Iorque até o Empire State Building foi iluminado de preto, vermelho e dourado, por ocasião deste resultado histórico.

© Foto WölkchenÉ de forma igualmente eufórica que a Alemanha anseia pela final com a Argentina. O jogo para o 3.º lugar não merece grandes atenções – no sábado, muitos habitantes de Leipzig preferem trocar a camisola de futebol por roupas de verão bonitas e escutar o concerto gratuito ao ar livre da Orquestra da Gewandhaus. Já o domingo, como acontece por toda a Alemanha, é dedicado aos preparativos para a final. Infelizmente, o boletim meteorológico prevê aguaceiros para o final da tarde e para a noite, pelo que muitos preferem planear festas caseiras do que ir para o public viewing.

Também eu renuncio a um ecrã ao ar livre e vou para casa de amigos, que arranjaram espontaneamente um projetor e estenderam um lençol na parede. Além disso, penduraram ainda grinaldas de cor preta-vermelha-dourada, bandeiras alemãs e camisolas, compraram cerveja em abundância e convidaram uma dúzia de amigos e amigas, pelo que o ambiente é perfeito. A caminho da casa dos meus amigos a minha ansiedade cresce cada vez mais. Quase todos aqueles com quem me cruzo estão equipados com apitos, línguas-da-sogra, chocalhos, tambores e bandeiras da Alemanha ou, como eu, pintados de preto-vermelho-dourado. Num dia como este a moderação alemã é esquecida – todos convivem alegremente entre si e trocam palavras de ordem futebolísticas – independentemente de se conhecerem ou não.

© Foto WölkchenContra todas as expectativas, depois do retumbante êxito frente ao Brasil, o jogo mantém-se durante muito tempo no 0-0. No entanto, todos estão conscientes da grande importância da final e os vários remates na direção da baliza mantêm o ambiente bem vivo. As pausas são ultrapassadas com a ajuda de insultos contra o árbitro. O mais tardar no prolongamento todos se indignam com as faltas cometidas sobre os jogadores alemães – há preocupação com Kramer e respeito para com Schweini, que aguenta os ataques dos argentinos, um após o outro. É então que, aos 113 minutos, o substituto Götze marca o golo libertador – e «nós» somos campeões do mundo!!!

© Katja KlugeDepois de uma alegre festa comemorativa em casa dos meus amigos, por volta da meia-noite e meia apanho o elétrico, para fazer os 30 minutos de caminho até minha casa. Na rua ressoam concertos incessantes de buzinas e campainhas. Berrando de alegria, os adeptos cumprimentam-se com um «dá cá cinco» quando se cruzam de bicicleta, e todos estão em êxtase. O elétrico chega pontualmente – mas no centro da cidade não há forma de avançar. As pessoas dançam na rua e bloqueiam o trânsito. No elétrico é obrigatório festejar, todos parecem conhecer-se – a cerveja dá o seu contributo.

Na estação principal tenho de fazer transbordo, e como o elétrico, seja como for, não avança, tenho muito tempo para observar e filmar a multidão aos berros nas ruas: num lado da rua um engarrafamento de automóveis e camiões a buzinar, com pessoas sentadas nos tejadilhos dos seus carros, agitando a bandeira alemã enquanto gritam e esperam que a comunidade de adeptos dançantes em frente à estação principal volte, a qualquer momento, a libertar o caminho. E no outro lado um patinador em linha, que aproveita a parte livre da estrada bloqueada para subir e descer a rua cantando alto e agitando uma gigantesca bandeira alemã. Os adeptos de futebol andam ao longo dos carros e felicitam e são felicitados por aqueles que esperam e festejam ao mesmo tempo, entre os quais se encontram muitos adeptos estrangeiros da Alemanha. O ambiente é fabuloso.

© Katja Kluge A certa altura o elétrico acaba por conseguir furar a multidão e eu subo em direção a Karli. A Karl-Liebknecht-Straβe é uma DAS ruas principais de Leipzig no que respeita a bares e festas – e, como é óbvio, aqui ninguém quer deixar passar um elétrico. Após termos esperado 20 minutos e o nosso meio de transporte ter retomado a marcha, a passo de caracol, os adeptos lá fora começam a bater nos vidros do elétrico, quando este passa por eles, enquanto gritam e berram; em resposta, os passageiros também batem nos vidros e gritam alegremente. Ao fim de quase duas horas chego a casa, murmurando o refrão da canção alemã para o Campeonato do Mundo, da autoria de Andreas Bourani: «Ein hoch auf uns, auf dieses Leben, auf den Moment, der immer bleibt. Ein hoch auf uns, auf jetzt und ewig, auf einen Tag Unendlichkeit.» [«Um viva para nós, para esta vida, para o momento que fica sempre. Um viva para nós, para agora e para sempre, para um dia de eternidade.»]

Os rapazes do Jogi conquistaram finalmente a quarta estrela e agora todos conhecem as divertidas entrevistas com Thomas Müller, Bastian Schweinsteiger ou Per Mertesacker. Neuer, Müller, Schweinsteiger e Götze são elevados a heróis nacionais e um milhão de pessoas recebem festivamente os recém-sagrados campeões do mundo de futebol em Berlim, a 15 de julho.

Agora esperamos ansiosamente pelas novas camisolas da seleção com as quatro estrelas ao peito, para as podermos vestir e, mais tarde, contarmos aos nossos filhos e netos: Eu estive lá!
Nastasia Herold
estuda Filologia Portuguesa e Francesa em Leipzig. Também por motivos de estudo, passou alguns meses em Portugal (Universidade de Lisboa) e no Quebeque. Em outubro de 2012, enquanto ainda frequentava o mestrado, fundou a empresa «Culture Mondial». Com esta, Nastasia especializou-se em processamento de informação intercultural a nível mundial.
Mais informações em www.culture-mondial.com

Copyright: Tudo Alemão
Julho de 2014

Este texto é uma tradução do alemão.

     

     
     

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