Quotidiano

De vinho tinto quente e pés frios – mercados de Natal na Alemanha

© Johanne Peito © Johanne PeitoCá estamos nós novamente: o inverno chegou e com ele temperaturas que a cada dia se aproximam mais do ponto de congelação. No entanto, em vez de ficarem em casa e se aconchegarem no sofá debaixo de um cobertor quente, os alemães vestem o seu anoraque grosso e vão até ao mercado de Natal no centro da cidade. Ali enfiam-se no meio da apertada multidão, compram crepes excessivamente caros e bebem vinho quente com cheirinho.

Pessoalmente, tenho com os mercados de Natal alemães uma espécie de amor-ódio. Todos os anos mal posso esperar por vestir uma roupa aconchegante ao fim da tarde e ir com amigos beber um vinho quente. Adoro a atmosfera pré-natalícia: a iluminação brilhante de Natal na cidade, o cheiro a canela, a anis e a bebidas doces. Mas quanto mais se aproximam os dias de festa, mais cheio fica o centro da cidade. Nessa altura permanecemos horas na fila do quiosque das bebidas e levamos com um cotovelo atrás do outro nas costelas – lá se vai o ambiente contemplativo de Natal. Apesar disso, não consigo evitar: pés frios e narizes vermelhos e congelados são, simplesmente, parte integrante do Advento.

© Johanne PeitoO meu pai abana regularmente a cabeça, quando lhe conto sobre a minha visita ao mercado de Natal. Ele é português e simplesmente não consegue compreender que na Alemanha as pessoas bebam vinho tinto quente com canela e açúcar. Eu, por outro lado, enquanto rapariga metade portuguesa que cresceu na Alemanha, não me consigo imaginar a comer bacalhau cozido na véspera de Natal.

Os mercados de Natal já existem na Alemanha desde a Idade Média. Originalmente realizavam-se, em dezembro, feiras comerciais de um dia, para que as pessoas se pudessem abastecer de alimentos para a estação fria do ano. No século XIV os artesãos começaram então a disponibilizar brinquedos e artigos de pastelaria, para que servissem de presentes para as crianças. E assim continua a ser ainda hoje: nos mercados de Natal – também chamados de mercados do Menino Jesus ou mercados do Advento – pode-se comprar desde produtos alimentares, como, por exemplo, lebkuchen [biscoitos de especiarias], spekulatius [bolachas de especiarias com a forma de pessoas, animais ou objetos] ou weihnachtsstollen [bolo de frutos típico do Natal] até bebidas quentes (vinho quente, ponche e cacau), passando por enfeites para a árvore de Natal e presentes feitos à mão.

© Foto Wölkchen Nos últimos anos, os mercados de Natal têm-se comercializado cada vez mais. Os preços sobem continuamente e, ao lado dos pratos tradicionais de Natal, agora também se podem comprar cocktails, kebabs, batatas fritas e salsichas com molho de caril. Surge igualmente uma competição cada vez mais acirrada entre as cidades: quem tem o mercado de Natal mais bonito, maior e mais visitado? Normalmente ganha a tradição: entre os mercados de Natal mais antigos e bem-sucedidos da Alemanha contam-se o mercado de Natal de Aachen e o mercado do Menino Jesus de Augsburgo.

Na minha terra adotiva, Düsseldorf, é-nos possível escolher entre diversos mercados mais pequenos, que se espalham pela cidade. Assim, até 23 de dezembro, podemos experimentar pelo menos 200 quiosques de vinho quente. Ou será que este ano me devo decidir pela hot caipirinha? No fim, de certeza de que já não terei os pés frios.
Johanne Peito
nasceu e cresceu na Alemanha, mas também tem raízes portuguesas. Para conhecer melhor a sua segunda pátria, Portugal, ela realizou um semestre de Erasmus na Universidade do Porto. No seu mestrado, Johanne, de 25 anos, especializou-se nas disciplinas de Literatura, Práticas dos Media e Filologia Germânica. Ao mesmo tempo trabalha no departamento de imprensa e relações públicas dos serviços sociais e administrativos da Universidade Essen-Duisburg.

Copyright: Tudo Alemão
Dezembro de 2014
Este texto é uma tradução do Alemão.

     

     
     

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