Quotidiano

Lanterna lanterna*

© Alexandra Faust© Alexandra FaustJá vivo em Colónia há algum tempo, e no dia 11 de novembro, nesta cidade, praticamente não há espaço para mais nada a não ser para o exuberante e colorido Carnaval, que tem o seu início neste dia. No entanto, o dia 11/11, para mim, que sou de Berlim, tem na verdade um significado muito diferente: é dia de São Martinho! E, verdade seja dita, a tradição de São Martinho, com as suas procissões de lanternas e as típicas canções entoadas pelas crianças, combina muito melhor com esses dias de outono, que vão ficando cada vez mais frios e escuros. E, ainda que esta seja uma tradição dedicada às crianças, gosto sempre de me lembrar dela.

Sol, lua e estrelas*

Os preparativos começam logo com semanas de antecedência. As crianças, para quem uma lanterna grande e colorida é a coisa mais importante para a procissão do dia de São Martinho, constroem com entusiasmo as suas lanternas no jardim de infância, na escola ou em casa. Claro que também se pode comprar uma lanterna já pronta no supermercado, mas as mais apreciadas são sempre as que são feitas à mão: lampiões clássicos, cabeças com caretas ou ainda pequenos morcegos e corujas. Não há limites para a imaginação!

© Katharina Hanke Depois, no dia 11 de novembro, chega finalmente a hora: assim que escurece, famílias, turmas da escola ou amigos encontram-se – todos envergando as suas lanternas, naturalmente. Dependendo da região, a procissão é, muitas vezes, precedida de um cavaleiro disfarçado de soldado romano com uma capa. É esta a origem desta tradição: numa noite fria, São Martinho terá cortado ao meio o seu manto, dando metade a um mendigo, para que este se pudesse aquecer. Este cavaleiro é seguido por miúdos e graúdos, acolhedoramente iluminados pelas velas das lanternas, enquanto cantam as mais diversas canções acerca das lanternas ou de São Martinho.

Os costumes do dia de São Martinho são muito diferentes. Em algumas cidades, as procissões conduzem os participantes até grandes fogueiras, as chamadas fogueiras de São Martinho. Noutras regiões, as crianças vão de casa em casa com as suas lanternas e cantam uma canção de São Martinho. Como forma de agradecimento, os habitantes das casas oferecem-lhes bolachas, nozes ou outras iguarias. Uma das variantes consiste na formação de pequenos grupos de crianças que, na noite anterior ao dia 11 de novembro, tocam às campainhas e cantam canções, transportando grandes sacos de juta. É muito divertido, pois, de outro modo, nem num ano inteiro se juntam tantos doces diferentes!

Que arda a minha luz – mas não a minha querida lanterna*

Quando se é criança, tudo isto é extremamente emocionante. Primeiro, passam-se dias a construir a lanterna perfeita, enquanto se pratica com entusiasmo as canções, para que as letras fiquem bem decoradas. Depois, pode andar-se pela rua na escuridão, ainda por cima com velas verdadeiras!

© Alexandra FaustPara mim, pessoalmente, no entanto, esta parte da tradição acabou rapidamente, e a partir dos cinco anos de idade deixei de poder levar velas verdadeiras. Porquê? Tal como todos os anos, eu e a minha melhor amiga estávamos completamente eufóricas no final da procissão de São Martinho e as lanternas abanavam de um lado para o outro, alegremente, no compasso das nossas cantorias. Foi então que aconteceu o que tinha que acontecer: a certa altura, as nossas lanternas incendiaram-se. Todos começaram a gritar, assustados, e gerou-se uma enorme confusão. Nós as duas desatámos a chorar desconsoladamente e, para tornar o caos perfeito, as pernas das calças do pai que corajosamente correu a ajudar, tentando apagar o fogo, começaram também a arder.

Depois deste drama, a minha mãe comprou uma iluminação a pilhas para lanternas, enterrando assim o assunto das velas. Uma decisão compreensível da parte dela, é verdade, mas, de certo modo, este evento não voltou a ser tão emocionante.

*Os títulos são uma alusão à canção tradicional alemã do dia de São Martinho, “Laterne Laterne”, cantada pelas crianças durante as procissões típicas deste dia. (N. da T)
Franziska Mollitor
nasceu e cresceu em Berlim e estuda História e Português na Universidade de Colónia. Já viveu no sul de França e perdeu-se de amores por Lisboa, mas também o resto do mundo a chama bem alto. 

Copyright: tudo alemão
Novembro de 2015

Língua original: Alemão

     

     
     

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