Quotidiano

Imagina só, está a decorrer o Europeu e ninguém vai lá

stux, pixaby.com© Jonas ZinkDe dois em dois anos, pessoas que normalmente pouco se interessam por futebol transformam-se em verdadeiras especialistas no que toca à constituição e ao estilo de jogo da seleção nacional. As grandes praças no centro da cidade são preparadas para a transmissão pública dos jogos e até o bar mais pequeno coloca um ecrã grande à porta. É outra vez tempo de Europeu (ou de Mundial).

Além disso, este ano o Europeu já estava carregado de temas políticos (terrorismo, nacionalismo, integração) desde antes do seu início. Assim, parece que nas próximas semanas o futebol vai ser omnipresente na Alemanha. Existe alguma possibilidade de escapar ao ruído? É isso que tento descobrir durante os primeiros dias deste Campeonato da Europa. Ou seja: não procurar resultados na internet, não combinar um churrasco com amigos para ver futebol e, naturalmente, não assistir a qualquer jogo.

© Jana Hermsen Os primeiros dias são muito fáceis, pois estou com a minha família numa casa de férias na Dinamarca. Aquando do apito inicial do jogo de abertura, estamos sentados à mesa a jogar às cartas e a beber cerveja dinamarquesa. Mais tarde o meu irmão grita-me: «A França ganhou!» E é tudo. A partir do terceiro dia já estou novamente na Alemanha e a coisa torna-se um pouco mais difícil. Defendo-me com valentia das primeiras perguntas dos amigos, «Então, onde vais ver hoje o jogo da Alemanha?», e sento-me confortavelmente em casa em frente à televisão. Não dá o Tatort, porque o jogo é transmitido na ARD, pelo que mudo para a ZDF. Aqui está a dar a série Traumschiff [«Navio de Sonho», em português] – enfim, lá por estar numa pausa do futebol não tenho de me submeter a tortura. Avanço do filme Engana-me Que Eu Gosto para o Promi Shopping Queen [reality show] e finalmente para a Fórmula 1. Não sou apreciador de nenhum dos programas, por isso desligo o televisor e pego no meu livro, para o ler. Só no dia seguinte tomo conhecimento do resultado.

É óbvio que nos dias que se seguem o Europeu é um grande tema de conversa, incluindo no meu círculo de amigos. Tanto os resultados como os tumultos causados por diversos grupos de adeptos são discutidos. Até no comboio os resultados são anunciados e as notícias mais atuais sobre lesões e equipas iniciais constituem, obviamente, tema em todos os jornais. Para o segundo jogo da seleção alemã proponho-me passear pelo meu bairro. Devido ao mau tempo, o grande local de transmissão pública no centro da cidade ainda está relativamente vazio pouco antes do apito inicial. Ainda assim, equipadas com artigos de merchandising e uma cerveja, algumas pessoas desafiam a chuva.

© Jonas ZinkEsta empurra-me então para o pequeno bar de vinho na esquina da minha rua. Se há bar que não transmite futebol só pode ser este, penso. É que aqui a clientela é um pouco mais velha, se quiséssemos usar um cliché poderíamos designá-la por «académicos estabelecidos». No entanto, mal entro no bar ouço logo ressoar a voz do comentador da ZDF, que me atira de novo para a rua. Até no supermercado vejo três pessoas a andar de um lado para o outro enquanto olham obstinadamente para o smartphone. Já de si, isto não é nada de novo. Mas estas tinham acedido à transmissão em direto do jogo no telemóvel. No caminho de regresso a casa vejo através das janelas do bar seguinte duas grandes imagens, transmitidas por um projetor de vídeo. Como é óbvio, também ali está a dar o jogo.

A minha conclusão: gozar um tempo livre de futebol na Alemanha durante um Europeu não é nada fácil. Não saber absolutamente nada do que se passa no torneio é quase impossível. Aquando do jogo dos oitavos de final da Alemanha talvez faça uma viagem rápida ao estrangeiro, sendo que... a fronteira mais próxima é com a França. Será que lá as coisas estão mais calmas?
Jonas Zink
estuda História em Friburgo. Após ter frequentado o 11.º ano em Portugal, a beleza do país nunca mais o largou. Regressa constantemente para estágios e, naturalmente, para muitas e belas horas de férias, e todas as vezes fica feliz por descobrir sempre algo de novo sobre o país, as pessoas, a cultura e a gastronomia.

Copyright: Tudo Alemão
Junho de 2016

Este texto é uma tradução do alemão.
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