Quotidiano

O Coelhinho da Páscoa bebe Apfelschorle
– Duas perspetivas sobre o Domingo de Páscoa

© Sümeyye Yil© Theresia SchlechshornNa Páscoa de 1999 eu tinha apenas quatro anos de idade – quase cinco. Nos dias antes da celebração pascal o meu pequeno mundo já só girava à volta do Coelhinho da Páscoa e da busca pelos ovos da Páscoa. Exatamente 17 anos mais tarde, na Páscoa de 2016, olho para as festividades a partir de uma perspetiva completamente diferente: enquanto as minhas sobrinhas pequenas saltam euforicamente pelo jardim à procura de guloseimas, eu tenho de ter cuidado para não destruir por acidente a magia da Páscoa. Por vezes, não é assim tão fácil.

Páscoa de 1999

«Ali está o Coelhinho da Páscoaaaaa!», grita a minha irmã, excitada, e limpa a pasta de dentes da cara. Estamos junto à janela da casa de banho e esticamos as duas a cabeça, para termos uma visão melhor do campo em frente à nossa casa. O meu olhar segue o seu dedo agitado: ele aponta para um coelho bravio que salta apressadamente no seu caminho. Fico igualmente bem desperta de um momento para o outro e decidimos espontaneamente ir à caça do coelho.

© Theresia Schlechshorn Pouco depois, ainda de pijama, corremos através do nosso jardim, a relva ainda molhada do orvalho matinal. Chegadas finalmente ao campo, o nosso Coelhinho da Páscoa há muito que se tinha posto na alheta. Mas não nos deixamos perturbar. No fim de contas, um coelho ausente só pode significar uma coisa: ele já fez o seu trabalho! Excitadas, começamos então à procura do ninho da Páscoa. Mas por mais zelosamente que inspecionemos cada local, a nossa busca não é coroada de sucesso. Entretanto, o barulho também deve ter acordado os nossos pais, pois encontram-se agora – igualmente de pijama – no terraço e fazem uma cara perplexa. Desesperadas, contamos-lhes os acontecimentos: será que o Coelhinho da Páscoa se esqueceu de nós este ano? Os nossos pais sossegam-nos, 7h00 da manhã é muito cedo até para o Coelhinho da Páscoa.

Seguimos então o conselho paternal e, pelo menos para já, voltamos para casa – uma discussão sobre a situação é agora necessária, e com urgência. Entretanto, o papá vai buscar lenha para a lareira ao nosso alpendre. Mas em virtude da impaciência crescente, pouco depois iniciamos uma segunda tentativa de busca dos ovos da Páscoa. E vejam só, mal começo a minha busca encontro logo: o ovo da Páscoa! Um cesto de palha, de dentro do qual um coelho de chocolate se ri, está escondido atrás de uma pilha de madeira. Ovos da Páscoa coloridos brilham por entre a relva verde da Páscoa. «Então, valeu a pena olhar novamente com atenção!», diz o meu pai. «Estranho», penso, «eu tinha procurado ali antes.»

Páscoa de 2016

«Stups, der kleine Osterhase, fällt andauernd auf die Nase...» [«Stups, o Coelhinho da Páscoa, está sempre a bater com o nariz no chão», em tradução livre], ouço a minha sobrinha lamuriar-se pela sala. «Aprendemos isto no infantário», conta-me, orgulhosa, enquanto desempacota o seu material de pintura. Em condições normais esta seria a altura em que ela pediria o conselho da sua tia – ou seja, o meu – e perguntaria o que podia desenhar. Hoje é diferente. Ela já sabe precisamente o que quer pintar: o Coelhinho da Páscoa, naturalmente. E um ovo da Páscoa todo colorido. E ainda mais um. No fim, a folha está completamente cheia deles.

© Theresia Schlechshorn«Precisávamos de uma eternidade se tivéssemos de distribuir tantos ovos», atiro, com um sorriso. «Porquê nós? Não é o Coelhinho da Páscoa que faz isso?», pergunta a minha sobrinha, com os olhos muito abertos. «Sim, claro, o Coelhinho da Páscoa», acrescento apressadamente, «mas eu poderia ajudá-lo, se ele estivesse em stress.» Aliviada por me ter lembrado disto tão rapidamente, recosto-me e continuo a vê-la a pintar. «Mas o que é que o Coelhinho da Páscoa está a beber?», pergunto, desconcertada, quando observo melhor a imagem. «Apfelschorle!» [Sumo de maçã com água gaseificada], responde a minha sobrinha, desenhando ainda uma palhinha para completar a cena.
Theresia Schelchshorn
cresceu numa pequena aldeia na floresta bávara, mas o curso superior de «European Studies» levou-a até Passau. As suas estadias no Brasil e na Irlanda deram-lhe a conhecer e fizeram-na amar culturas e línguas estrangeiras. Entre janeiro e março de 2017 foi estagiária no Serviço Pedagógico no Goethe-Institut de Lisboa.

Copyright: Tudo Alemão
Abril de 2017

Língua original: Alemão.

     

     
     

    Migração e integração

    A migração altera culturas

    rumbo @lemania

    © rumbo @lemania
    … el portal para jóvenes nómadas

    FuturePerfect

    © Future Perfect
    Hitsórias para amanhã - hoje, em todo o mundo

    Goethe-Institut Portugal

    Bem-vindo
    à nossa
    Homepage!