Quotidiano

Onde o “Mestre Lâmpada” esconde os ovos

© Theresia Schlechshorn© Christian ReilingNa verdade, os coelhos são animais muito tímidos. Não é de estranhar: se pensarmos em quão longa é a lista dos seus inimigos, estes medrosos roedores têm toda a razão em se pôr à distância ao menor sinal de perigo. A alcunha dos coelhos em alemão, “Meister Lampe” – “Mestre Lâmpada”, deve-se ao facto de estarem constantemente em fuga; a cauda branca em forma de pompom deste orelhudo fugitivo fazia lembrar aos caçadores uma luz redonda e branca.
Esta é, pelo menos, uma das muitas teorias acerca do surgimento deste nome carinhoso. Uma coisa é certa: na natureza, a única coisa que se vê dos coelhos e das suas primas, as lebres, é quase sempre a luz traseira. Na altura da Páscoa, no entanto, acaba-se a timidez e o coelho transforma-se na figura principal da festa. Mas não se pense que a razão para isso é uma repentina sede de protagonismo por parte destes roedores; na verdade, são as pessoas que empurram este pequeno e adorável animal à força para o centro das atenções.

© Christian ReilingMal o Pai Natal desaparece das prateleiras dos supermercados, estas enchem-se com multidões de coelhos da Páscoa. Há-os nas mais diversas variações: de massapão, de cobertura de açúcar, de bolacha de espelta e, principalmente, de chocolate. Nas padarias, podem encontrar-se coelhos feitos de diversos tipos de massa e – claro – há ainda as gomas em forma de coelho. No entanto, estaríamos a fazer uma grande injustiça ao coelho da Páscoa se o reduzíssemos a um mero alimento: é que, no domingo de Páscoa, ele assume uma tarefa muito importante. Ano após ano, é ele que esconde nos jardins e nas florestas os ovos coloridos – é isto que se conta às crianças que, uma vez por ano, vão em busca dos ovos da Páscoa. E a suposição de que o coelho da Páscoa está por detrás dos ovos escondidos não é descabida, pois a partir de março há inúmeros coelhos a correr de forma suspeita por todos os campos e prados.

Tal como acontece com os coelhos, também os ovos aparecem em todas as variações possíveis pela altura da Páscoa. No entanto, aquele que é especialmente imprescindível é o ovo cozido e – se quisermos seguir à risca a tradição – pintado à mão. Em algumas partes da Alemanha, os saborosos achados transformam-se até num jogo, como é o caso no estado federal de Brandeburgo, no nordeste da Alemanha, onde existe um costume especial que dá pelo nome de “Eiertrudeln” (“Rebolar dos Ovos”). Para começar, procuram-se os ovos da Páscoa escondidos, tal como em outras regiões da Alemanha. Depois de terminada com êxito a busca, toda a família se dirige para o cimo de um monte e o jogo começa. Ganha aquele cujo ovo percorra o maior percurso, rebolando pela encosta, sem que a casca se parta.

Coelho e ovo: na Alemanha (tal como em muitos outros países da Europa), a festa da ressurreição é marcada por símbolos de fertilidade e renovação. Neste ano, na Alemanha, há a impressão de que a alegria com a chegada da Páscoa é especialmente grande. De outro modo, é difícil explicar que o coelho da Páscoa apareça tantas vezes e que o seu olhar, normalmente tão medroso, assuma um sorriso cheio de autoconfiança.
Em criança, Christian Reiling
não duvidava da história do coelho da Páscoa. Afinal, o seu avô era um apaixonado criador de coelhos, e a maioria dos ovos da Páscoa estavam escondidos perto das coelheiras. Um amigo português contou-lhe que, em Portugal, o coelho da Páscoa também existe…

Copyright: Tudo Alemão
Abril de 2017

Língua original: Alemão.

     

     
     

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