Língua e cultura

À procura de glühwein – uma expedição em Constança

Hugo Areias© Theresia SchlechshornVinho tinto, laranjas, cravinhos, paus de canela e açúcar – juntos, estes ingredientes resultam na receita tradicional de uma das mais apreciadas bebidas de inverno: o glühwein [vinho quente com especiarias]. Só os alemães bebem à volta de 50 milhões de litros todos os anos. Mas de onde vem o apetite por esta bebida doce? E onde a podemos encontrar? Ponho-me à procura de pistas em Constança, a bela cidade nas margens do lago com o mesmo nome.

Ainda 7 semanas até ao Natal

Logo em meados de novembro realizo uma primeira expedição ao centro histórico de Constança. Nesta altura, o outono já conquistou a zona: a folhagem colorida rodopia sobre as pedras da calçada e o vento gelado assobia através das vielas. Dir-se-ia que era o tempo perfeito para saborear uma chávena quente de vinho com especiarias. Paro então num café muito frequentado, para encontrar a minha sorte no glühwein. Estou confiante, afinal de contas a zona em redor do lago de Constança é conhecida por ser uma região vinícola alemã. Porém, quando faço o pedido, desiludo-me. «Ainda é demasiado cedo», respondem-me, «ainda não temos glühwein

© Theresia SchlechshornJá me encontro de novo a caminho de casa quando acabo por descobrir alguma coisa: no supermercado local já há filas e filas de garrafas de glühwein, à espera de serem aquecidas no fogão de casa e saboreadas. Nos rótulos das garrafas há pessoas risonhas com bochechas vermelhas. Afinal de contas, o glühwein não aquece apenas o corpo, mas também o espírito. No entanto, a maior parte das pessoas aqui no supermercado empurra o seu carrinho de compras ao largo das prateleiras, sem sequer reparar nas colunas de garrafas. O apetite por glühwein ainda não se fez sentir este ano.

Ainda 5 semanas até ao Natal

Cinco semanas antes do Natal já não preciso de continuar a procurar glühwein – o glühwein encontra-me. A primeira vez que o conhecido aroma doce me sobe ao nariz é no átrio da universidade, quando na verdade estou apenas a caminho da aula seguinte. Um grupo universitário montou ali uma pequena barraca e serve glühwein em copos de papelão. Um euro e cinquenta o copo, as receitas vão para uma boa causa. Pela multidão em frente à barraquinha posso depreender que o primeiro glühwein do ano sabe bem.
A partir desta altura sou confrontado com a bebida de inverno em qualquer canto: na drogaria fico pasmado com o creme de duche com odor de glühwein, uma pequena loja anuncia chá com aroma de glühwein e no supermercado não consigo resistir a uma barra de chocolate com sabor a glühwein. A época do glühwein foi oficialmente proclamada.

Ainda 3 semanas até ao Natal

© Theresia SchlechshornO mais tardar agora já ninguém se pode esconder mais do vinho quente, pois ele está à espreita em toda a parte. Além disso, no último fim de semana foi inaugurado um verdadeiro bastião do glühwein: o mercado de Natal de Constança. As suas barraquinhas iluminadas serpenteiam até lá abaixo, onde fica o porto. Acompanhado pelos primeiros flocos suaves de neve do ano, deambulo de forma tremelicante por entre as barraquinhas, para obter uma primeira visão panorâmica. A seleção de glühwein é gigantesca, pois os vendedores publicitam os sabores mais insólitos: sabor de mirtilo ou de maçã, leio nas placas. De ponche quente ou de mistela para curar a ressaca. Glühwein com amaretto ou ponche sem álcool para crianças. Acabo por me decidir pela variante clássica e junto-me aos meus amigos. Na verdade, é aí que reside a verdadeira magia por trás do glühwein: em saboreá-lo em boa companhia.
Theresia Schlechshorn

Copyright: Tudo Alemão
Dezembro de 2017

Língua original: Alemão.

     

     
     

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