Joanesburgo

© The Cave O filme Berea, a contribuição do realizador sul-africano Vincent Moloi no Metrópole africana, foi selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Toronto. Ele fala-nos sobre esta notícia emocionante, conta-nos por que se tornou realizador e fala-nos sobre o poder das histórias.

Depois de Os homens de ouro, a sua contribuição com Berea no Metrópole africana, é o seu segundo filme a lidar com o tema de pessoas brancas agora economicamente desfavorecidas. Qual é o seu fascínio em torno deste assunto?

Curiosamente, desta vez a ideia surgiu depois de algumas sessões de brainstorming com um grupo de colegas. Portanto, a ideia não é propriamente minha, mas a de muitos pensamentos e observações com os meus colegas. Foi o que se destacou para nós acerca de Jozi e a sua mudança social. Pessoalmente, fascinam-me as experiências humanas que são marcadas pelo passado, mas que dizem muito acerca da construção do futuro. É um contraste interessante de tempo. Mas principalmente aqui, estávamos a tentar entender a alma de um homem que foi deixado à sua sorte, pelos seus próprios pés. Uma escolha feita por ele, tenho de acrescentar.

Você é um realizador perito em documentários. Está a planear fazer alguma longa metragem de ficção num futuro próximo?

Ao longo dos anos tenho evitado as oportunidades de fazer uma longa metragem. O meu primeiro documentário intitulado Luting, foi filmado nas montanhas Maluti no Lesoto, e continua a ser muito importante para mim, apesar de a maioria dos sul-africanos não o terem visto. Depois de realizar
mais de dez dramas para televisão, não queria fazer uma longa metragem só por fazer. Queria sentir que valia a pena e que tivesse algum significado.
Acredite em mim, o sentimento é muito gratificante. Posso dizer com agrado, que estamos agora a desenvolver uma longa metragem que está de
acordo com as minhas intenções.

Como documentarista, acredita que os filmes de ficção têm o potencial de educar as pessoas sobre as questões sociais também?

As histórias têm a incrível capacidade de aumentar a coesão social, de curar e de criar limites. O modo de o fazer não é sempre essencial. O que é fundamental é o seu conteúdo e a sua intenção.

Você produz principalmente filmes para uma audiência africana, ou para os espectadores fora de África?

A mim fascina-me o drama humano e é isso sempre que determina o meu público. Espero que as histórias que eu conto se dirijam a uma raça humana
que se possa identificar com as experiências de filmes que eu faço. Não há dúvidas que de muitas maneiras sou um pró-africano. Há mais beleza neste continente, do que o que é partilhado. E cabe-nos a nós mudá-lo.

O seu filme foi selecionado para ser exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto, parabéns! Como se sente acerca disso, e se ficou surpreso?

Sinto-me extremamente humilde com a seleção. Reafirma o tipo de esforço que eu e os meus colegas colocamos no nosso trabalho. Temos sido pacientes, consistentes e honestos com nós próprios. O Festival Internacional de Cinema de Toronto está entre os festivais de cinema mundiais mais respeitados
do mundo, por isso estamos agradecidos com o alcance que o filme poderá ter por causa disso.

Que realizador africano, ou outro, admira mais e porquê?

Nenhum em particular. Isto pode soar como um cliché, mas os meus colegas inspiram-me de maneiras diferentes. Alguns como Norman Maake, Xoliswa Sithole, Tristan, Dumisani Phakathi, Lodi Matsetela, Khalo Matabane, Akin Omotoso, Rolie Nikiwe, Makgano Mamabolo, Trevor Calverly, Thabang Moleya, Teboho Malope, Vuyano Dlondlo, Teboho Mahlatsi, Mosese Semenya, Aryan Kaganof, Mfundo Mkhize, Lineo Sekeloane, Teddy Mattera e muitos outros; a lista é interminável.

Acha que tem vindo a ser feito o suficiente para financiar, apoiar e promover produções sul-africanas locais e apresentá-las a um público internacional?

Tem havido um esfoço enorme e eu, pessoalmente, estou grato por isso. Mas é evidente que há mais terreno para cobrir. Instituições como a NFVF e a Comissão Cinematográfica Gauteng têm sido grandiosas, mesmo com os desafios que enfrentam. Agora temos também o Goethe-Institut a apoiar os nossos filmes e os realizadores do continente. Gostaria que as emissoras aderissem. Algumas como Channel4, Arte e HBO apoiaram filmes para a televisão. A televisão é o novo cinema e quanto mais cedo as emissoras locais aderirem a isso, melhor.

O que é que acha das histórias sobre a África do Sul filmadas por Hollywood, como os recentes “Zulu” e “Winnie”, por exemplo? Acha que os filmes fazem
justiça à história da África do Sul, ou prefere ver os sul-africanos a assumir essas produções?

O primeiro prémio seria para as pessoas que contassem as suas histórias. Mas nós não podemos fazer histórias exclusivas. O mundo não é assim.
Se nos sentirmos fortes ao contar as nossas histórias, então temos de competir e criar espaço para o nosso povo para contar as suas próprias histórias. E essa é uma responsabilidade de todos nós.

Por que é que optou originalmente por se tornar realizador, e o que é que gosta mais na arte da realização?

Foi puramente circunstancial. Eu queria ser apresentador de rádio, mas não era nítido o suficiente para tal. Então a televisão seria uma opção, porque aí não precisaria de falar, mas sim de mostrar. O principal era fazer o mesmo, partilhar ideias e pensamentos para o bem do mundo. Ao contrário do que
as escolas de cinema dizem, realizar para mim tem a ver com o que você quer saber, nunca é um processo definitivo, pelo menos é esse o meu ponto de vista.

Quais são os seus planos de futuro em termos de cinema?

Ainda não sei bem. Mas tenho a certeza de que o principal será o mesmo: tentar mudar o mundo enquanto eu puder, da melhor maneira que eu puder.

 

Miriam Daepp do Goethe-Institut entrevistou Vincent Moloi no âmbito do Festival Internacional de Cinema de Toronto.

Goethe film talk on African Metropolis at the Goethe-Institut Toronto (Watch video on Youtube)

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