Flucht nach Afrika

Resumo

A fuga para África

Eberhard Knorr:
Flucht nach Afrika
Berlin: Frieling, 1997
255 S.
ISBN 3-8280-0450-4
(Edição original de bolso)

Ann Gopal, uma jovem atraente, está exasperada pelo excessos de desejos sexuais do marido, o psiquiatra Kalinaw. É por isso que o deixa para ir ao encontro de Orlando Andrey, amigo de seu marido. Este leva uma vida recatada nas montanhas da Sierra Nevada, nos Estados Unidos. Orlando é um zoólogo abastado, que encetou um estudo sobre o potencial dos primatas. Na sua propriedade, cuida do gorila Amandus. O animal de 11 anos tinha nascido num jardim zoológico da Califórnia.

Dez meses depois da partida da mulher, o doutor Kalinaw conhece, num bar da cidade, Timo Hook, um homem de muito peso e pouca inteligência. Incumbe-o da tarefa de encontrar a mulher, Ann. Entretanto, Orlando e Ann deixam a Califórnia à pressa para viajarem para África. Pretendem devolver o gorila ao seu meio natural. São seguidos por Timo Hook, mas também por Kalinaw: Na África do Sul, no Zimbabué, na Zâmbia, na Namíbia e em Moçambique. Contudo, Timo não embarca nesta viagem para ajudar o doutor, mas em seu próprio interesse, pois também ele se apaixonou pela bela Ann.

A viagem termina com a morte súbita do gorila Amandus durante uma emboscada em Moçambique. Este desaparecimento acalma os ânimos de toda a gente e põe um ponto final nos respectivos projectos. Contudo, esta viagem contribuiu para que as cinco personagens principais pudessem formar a sua própria imagem de África.

Alioune Sow

    Comentário

    Eberhard Knorr: Flucht nach Afrika
    (A fuga para África)

    O romance do autor Knorr "Flucht nach Afrika" pode ser entendido como um voltar a questionar um mundo excessivamente materialista e, por conseguinte, como a reabilitação de um mundo de almas onde a dimensão espiritual prevalece.
    A obsessão sexual do psiquiatra Kalinaw representa uma dimensão do mundo materialista em que o sexo se tornou num artigo de consumo. Não é por acaso que Ann Gopal se separa do marido Kalinaw para ir ter com Orlando, o zoólogo. Ann está em busca de um universo onde seja considerada a dimensão natural da humanidade.

    Rapidamente, o interesse de Orlando pelo primata Amandus é comparado com o interesse pelo ser humano como tal. Isto pressupõe que o habitat dos primatas são os trópicos e que o gorila é um antepassado ou um primo afastado do ser humano. Assim sendo, África poderia se vista como o berço da humanidade. África seria, neste caso, o verdadeiro meio natural do primata Amandus.

    A viagem de Orlando e Ann a África mais não é do que uma busca profunda da natureza. O zoólogo Orlando deseja muito devolver o gorila Amandus ao seu habitat natural, enquanto que Ann procura o verdadeiro amor. A relação de Orlando com o primata Amandus assemelha-se a uma relação entre dois seres humanos, uma vez que Orlando lamenta empreender a viagem a África sem o consentimento do primata. O contraponto da viagem destas personagens principais está na viagem de Kalinaw e Timo Hook, feita por motivos assumidamente materialistas. Há uma necessidade premente de satisfazer exclusivamente desejos egoístas. Kalinaw deseja encontrar Ann, mas também sabe que o seu companheiro Timo se apaixonou por ela. Contudo, consegue-se perceber de que, para os dois grupos, a viagem a África está impregnada de exotismo.

    A morte súbita do primata Amandus surge como um sério aviso relativamente à omnipotência da ciência. Nesta medida, o desaparecimento de Amandus é também um apelo ao renascimento espiritual de um mundo que tem em conta a natureza e que se preocupa com a sua protecção. O aviso serve para os dois grupos de viajantes. África, o berço da humanidade, onde o primata Amandus morreu, pode ser entendida como uma mãe que chama os seus filhos à responsabilidade, uma vez que a perda de Amandus se assemelha à perda da origem da humanidade. A morte de Amandus é a consequência da deriva materialista incorporada pelo ocidente (simbolizada pelos dois grupos de viajantes). "Flucht nach Afrika" é um voltar a questionar um mundo materialista, que transforma as pessoas numa máquina gigante de rendimento e eficácia, e, desta forma, um reabilitar de um mundo panteísta que respeita a essência das culturas e as diferenças.

    Alioune Sow