Resumo
Tempo da verdade

Zeit der Wahrheit
München: Kabel Verlag, 2003
285 S.
ISBN 3-492-24333-9
Edição de bolso: Piper, 2005
Pia Lessing, jornalista de um diário de Hamburgo, é chamada ao leito de morte do pai. No último suspiro, menciona o nome Zoё, a antiga ama de Pia na África do Sul. Pouco depois, em 1996, Pia viaja ao serviço do jornal para a politicamente explosiva África do Sul. Está encarregada de relatar as audições acabadas de começar da Comissão sul-africana para a Verdade e Reconciliação na Cidade do Cabo e Durban.
Pia, nascida na Cidade do Cabo, filha de pais alemães, regressou definitivamente com a família para Hamburgo quando tinha quatro anos. No âmbito das primeiras audiências, que Pia seguiu como jornalista alemã, começa a questionar-se sobre a história da sua própria família e do seu passado na África do Sul.
Em Bellville, um subúrbio da Cidade do Cabo, conhece o fotógrafo de imprensa sul-africano Jonathan. Começa com ele um tímido romance tendo como pano de fundo as profundas mudanças políticas. O "tempo da verdade" deve agora começar também para a vida de Pia. Juntamente com Jonathan, começa a procurar a ama Zoё e vai percebendo um pouco da história da África do Sul. Pia fica a saber das instalações forçadas em townships, do ódio racial e da opressão da população negra e de cor. Durante a sua busca nas townships, ela vive momentos em que experimenta a prestabilidade e a amizade, mas também a exclusão e o desprezo e duvida que, desta forma, algum dia venha a saber a verdade sobre o sistema do apartheid e sobre a sua própria história. Apesar das muitas adversidades, consegue chegar às raízes e aos segredos da sua própria família.
Comentário
Renate Ahrens: Zeit der Wahrheit
(Tempo da verdade)
Apesar de as contradições que a jornalista Pia vive nas suas "experiências em África" não poderem ser maiores, Ahrens consegue, contudo, dar ao leitor uma visão de dois mundos diferentes. Não é por acaso que o jornal de Newlands instala Pia num subúrbio fino da Cidade do Cabo, no Vineyard Hotel, no sopé da Montanha da Mesa. As descrições desta experiência exótica mostram a precisão e a minúcia com que Ahrens observa os contrastes com que se depara durante a sua estada na África do Sul. Qualquer hóspede do hotel reconhecerá a descrição detalhada, quer seja das pintadas a correr livremente nos jardins do hotel, dos limoeiros, dos hibiscos vermelhos em flor ou do repuxo da fonte.
Contudo, o problema é que a personagem principal, durante a sua estada na África do Sul, prefere viver nesta harmonia artificial, e experiencia o contacto nas townships meramente com a perspectiva da europeia abastada, que mantém sempre a distância em relação à pobreza e às necessidades das pessoas, voltando à noite à segurança do luxo do hotel. Apesar de Pia mostrar um certo desprezo pelos turistas alemães e falar das suas más maneiras, continua fiel ao seu europeísmo. Não há uma verdadeira reflexão sobre as dificuldades das pessoas durante a mudança de sistema. Apesar de, no início, ser feita uma descrição impressionante das audições, no desenrolar da história e no final, os difíceis resultados e as reflexões da sociedade sobre o trabalho da Comissão sul-africana para a Verdade e Reconciliação não são tidos em conta. O final feliz pouco tem a ver com os contrastes expostos e com os conflitos durante a viragem política, que afinal só serviu para compor o cenário.
Não obstante, apesar de muitas passagens problemáticas, Ahrens escreve um romance de entretenimento, agradável e que vale a pena ler, mas que não representa, contudo, uma reflexão crítica sobre os problemas da África do Sul durante a viragem política, permitindo ao leitor ter apenas alguns vislumbres sobre a transição para a paz na África do Sul.










