Quadrinhos autorais

Sascha Hommer

Apresentação de slides Sascha Hommer
Apresentação de slides

„Ei! Queremos sair!“, gritam estes irmãos tão diferentes, ao dar com a cara nas portas trancadas do museu. „Regras são regras“, responde o excessivamente zeloso vigia do Museu, seguindo religiosamente às orientações sem deixar os adolescentes saírem do edifício. Um garoto que se acha muito inteligente e sua irmã em plena puberdade estão presos. Presos em um museu misterioso e cheio de labirintos cujas salas de exposição acordam para a vida repentinamente durante a noite. Em busca de uma saída, a dupla de irmãos atravessa novamente sala por sala, andar por andar, e vivencia alguns encontros extraordinários dentro do cenário das exposições do Museu de Ciências Naturais. Com paisagens de florestas tropicais, da Ilha de Páscoa e de mundos informatizados repletos de pixels, eles se deparam entre outros, com o Pai Morte, Ernst Jünger, Charles Manson e Fidel Castro. Em conjunto com o especialista em literatura e publicitário Jan-Frederik Bandel, Sascha Hommer, cartunista de Hamburgo, concebeu a tira de jornal „Im Museum“ (No museu), publicada diariamente desde 2007 no jornal Frankfurter Rundschau. Os autores enviam os protagonistas de suas historinhas para uma odisséia pela história do mundo e do tempo, através de paisagens culturais e artísticas. Momentos surreais e fantásticos são interligados por Bandel e Hommer com comentários políticos atuais e citações da cultura pop. Os protagonistas das historinhas adentram cada vez mais profundamente em um mundo paralelo absurdo, no qual coelhos brancos indicam o caminho e lagartas fumando cachimbos dão conselhos bem intencionados. Há referências ao clássico infantil de Lewis Carroll „Alice no país das maravilhas“, ao épico em quadrinhos de Hugo Pratt „Corto Maltese“ assim como aos romances de Terry Pratchett. As leis da lógica deixam de existir, e a sensação de tempo e espaço do leitor se perdem rapidamente. 

Em 2001 Sascha Hommer parte da Floresta Negra para Hamburgo, para estudar ilustração na Escola Superior de Ciências Aplicadas junto com Anke Feuchtenberger. Desde a sua mais tenra infância tinha o desejo de desenhar histórias em quadrinhos. „Quando cheguei em Hamburgo, pensei que seguramente deveria haver boas revistas de estudantes, onde se pudesse entrar e começar imediatamente. Mas não era o caso.“ Iniciativa própria foi necessária, e daí Hommer deu vida à antologia em quadrinhos chamada Orang, em que publica suas próprias estórias com o pseudônimo de Pascal D. Bohr. Esta série de publicações com contribuições de convidados internacionais é publicada pela editora Kikipost fundada em conjunto com Arne Bellstorf. Enquanto isto já se formou um grupo sólido de desenhistas em torno da revista Orang, ao qual pertencem também, entre outros, Line Hoven e Moki. Além de Berlim, Hamburgo também se transformou em um dos lugares mais interessantes e ativos em termos de quadrinhos na Alemanha, chamando muita atenção internacional com suas exposições e publicações. 

Os personagens de Hommer são pequenos e parrudos, com cabeças demasiadamente grandes e aparência estranha. São tudo menos fofos, já que Hommer se interessa pelos excluídos e marginalizados de nossa sociedade. Em uma entrevista diz: „Perdedores são sempre interessantes; gostamos de ler a respeito da desgraça alheia. Já era assim com o Charlie Brown.“ Até mesmo na estréia do seu livro em quadrinhos chamado Insekt (Inseto), o protagonista Pascal se diferencia dos seus coleguinhas. Porque ele é, como indica o título, um inseto. A estranheza do menino permanece a princípio desapercebida, já que a cidade em que cresce se encontra sob uma intensa camada de nevoeiro. Pascal vive a vida de um adolescente normal, vai à escola, encontra com amigos e é apaixonado por uma colega de escola. Quando a proteção da fumaça desaparece, fica sem saber o que está acontecendo. De repente tudo ao seu redor se transforma, seus amigos se tornam inimigos que começam a tiranizá-lo e a excluí-lo. Pascal se retrai, foge da cidade e finalmente encontra apoio junto a novos amigos que não se importam com a sua aparência. 

Com suas estórias melancólicas, Sascha Hommer leva o olhar dos leitores para os perdedores da sociedade, para os diferentes, cuja verdadeira personalidade raramente é levada a sério como deveria. O estilo utilizado por Hommer para os desenhos e para contar as estórias é reduzido e sublinha uma atmosfera introspectiva, uma característica de seus quadrinhos. Ele é um mestre dos tons baixos e dos estados emocionais sutis, que conferem às suas estórias impressões duradouras.

Matthias Schneider
é cientista cultural, jornalista cultural free-lance e curador de jornadas de cinema e exposições sobre o tema histórias em quadrinhos.

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Dezembro de 2008

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