Bernd Pfarr

Com seu humor excêntrico e cenários estrambóticos, Bernd Pfarr soube cativar seu público em revistas satíricas, semanários e jornais diários. Ao falecer em 2004 vítima de câncer com apenas 45 anos de idade, abriu uma grande lacuna na paisagem quadrinista de língua alemã.
Durante o Salão de HQ de Erlangen, em 1998, foi agraciado com o "prêmio Max und Moritz” como “o melhor quadrinista alemão”. Pfarr, que tinha se formado em pintura na Escola Superior de Design de Offenbach, conservou sempre em seus trabalhos a marca dessa iniciação. Assim produziu seus cartuns em formato grande, perpassados por uma luz tênue, em tintas acrílicas, lembrando na execução mais as pinturas de Edward Hopper do que os desenhos de seus colegas. Os numerosos contrastes claro-escuros e os realces em cores radiantes dão aos quadros de Pfarr um ar de eternidade que os congela no tempo. Mas, ao contrário de Hopper, Pfarr não usa um estilo realista para pintar suas paisagens, os prédios e as figuras, prefere fazê-los surgir de um mundo próprio das HQs.
Seus protagonistas preferidos são o Senhor Deus; Bruno, o urso; Purzel, o cão kantiano; Fido; Alex, o corvo; e Sondermann, o estranho empregado de escritório. No mundo dos cartuns criado por Bernd Pfarr, eles podem viver as suas idiossincrasias, enquanto se vêem às voltas com as aventuras surreais do dia-a-dia. Seu humor não faz barulho e não surpreende o leitor com alguma gracinha que já vem prenunciada no desenho. Uma vez que palavra e imagem permanecem bem separadas em seu conteúdo e no espaço, a comicidade só é percebida durante a leitura do bloco de texto embaixo do quadro. Pfarr não expõe suas criaturas marcadas pelas peripécias da vida à execração pública, antes lhes confere uma certa dignidade ao retratá-las em sua revolta. Nunca quis ser um satirista, pois detestava as atitudes de quem se julga um sabe-tudo. Em vez de dar atenção às notícias da política diária, concentrava-se de preferência em acontecimentos menores que, em sua absurdidade, revelam a realidade do mundo em que vivemos. Essa maneira de apresentar as coisas e sua linguagem literária, enriquecida com um tom coloquial antiquado, que caracterizava suas legendas, fizeram com que ganhasse o título de “poeta do absurdo”. Acompanhando seu estilo de desenhar e pintar, Pfarr não contava suas piadas até o amargo fim, mas preferia produzir um certo suspense que reserva um lugar também à fantasia do observador.
Matthias Schneider
é cientista cultural, jornalista cultural free-lance e
curador de jornadas de cinema e exposições que têm os quadrinhos como tema
Copyright: Goethe-Institut Estocolmo
info@stockholm.goethe.org
Março de 2005
















