Em seu trabalho nota-se a recorrente busca por textos que estão muito distantes entre si e que chamam pouca atenção do teatro em geral. Exemplo disso é seu O triunfo das ilusões, de Pierre Corneille, e Francisca, de Wedekind. O que busca e o que mais lhe interessa, ele certa vez colocou da seguinte maneira: “a minha forma de narração sobre o palco não procura um sentido único. Por um lado, tenho problemas com o fato de ser tão difícil não ser ambíguo. Por outro lado, o que me interessa é somente o que é complexo e complicado, porque isso corresponde à nossa visão moderna de mundo.”
Essa atitude básica, partindo da ambivalência e complexidade do mundo moderno, foi decisiva durante seus quatro anos de direção em Basel. Seus programas sempre abrigavam posições aparentemente díspares, como Magic Afternoon, de Wolgang Bauer, e Merlim, de Tankred Dorst. Bachmann sondava sobretudo três direções. Por um lado, seguia a pista dos anos sessenta, para inteirar-se da história pop. O ponto alto dessa sua busca foi sua Estréia de Jeff Koons, de Rainald Goetz, no teatro Schauspielhaus de Hamburgo, em 1999. O olhar de Bachmann sobre o artista, estilizado como ícone pop, foi muito elogiado. Segundo a revista Theater heute a produção “efetivamente apresentava as condições de um empreendimento artístico que acima de tudo se propunha a ser muito a sério.”
Stefan Bachmann também se voltou para os grandes mitos e, em Merlim, buscou no personagem Parcival a origem da education sentimentale. O terceiro eixo do diretor são as obras clássicas, que ele levou ao palco numa teimosa dramatização, como no caso de Afinidades Eletivas, de Goethe. A encenação que apresentou em 1995 no Theater Neumarkt de Zurique - e que ele retomou na cidade de Basel - buscava almas humanas que sentiam atração e repulsa umas pelas outras. Sobretudo os diálogos inteligentes escolhidos por Bachmann, nos quais ele incluía passagens que lembram histórias em quadrinhos, bem como as interrupções cômicas, foram altamente convincentes.
No início dos anos 90, Bachmann assentou a pedra fundamental de seu trabalho subseqüente de diretor na cidade de Basel, com a criação da coopertiva de produção de diretores, dramaturgos e cenógrafos Theater Affekt. Faziam parte do grupo o autor Thomas Jonigk, de quem Bachmann dirigiu “Você tem de me dar netos”, em 1994, e “Agressor”, no ano 2000. Outros membros dos tempos do Affekt, como a cenógrafa Ricarda Beilharz, foram com ele para Basel. Lars-Ole Walburg, que durante muito tempo esteve ao seu lado como dramaturgista, também assumiu diversas direções, e foi o sucessor de Bachmann na direção de atores em Basel.
Seu último grande sucesso data do início de 2003, com “O sapato de cetim”, de Paul Claudel. A volta ao mundo é apresentada como uma mistura de teatro mundial barroco e drama de conversação expressionista. Durante as oito horas da encenação, Bachmann entrou em cada fresta do texto, e apresentou o espetáculo num palco especialmente construído para ele no foyer do teatro de Basel. Ao final da temporada de 2002/2003, ele despediu-se do teatro para se dedicar à produção de óperas e fez uma viagem ao redor do mundo com sua família.












