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| © Marcus Lieberenz |
Depois da queda do muro, trabalhou como diretor independente em Hamburgo, Munique, Berlim e em Basel. Em 1990, foi diretor do Deutsches Theater de Berlim, passando depois a intendente, em 1992, do teatro Volksbühne am Rosa-Luxemburg-Platz, em Berlim, cargo que ainda ocupa. Além disso, encenou regularmente, até 2000, no teatro Deutsches Schauspielhaus de Hamburgo, bem como em Viena, Salzburg, Bochum, Zurique e Estocolmo.
Desde 2004 ocupa também o cargo de diretor do festival Ruhrfestspiele Recklinghausen, que futuramente abrigará a Ruhrtriennale.
Foi cinco vezes eleito “diretor do ano” pela revista Theater heute e, em 1994, recebeu o prêmio Fritz-Kortner-Preis.
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Perfil: Frank Castorf
Com Frank Castorf, as melhores noites de espetáculo são exigentes, longas, complexas, barulhentas, exaltadas e ilógicas. Suas encenações rejeitam a narrativa linear e as interpretações conclusivas. A interpretação psicológica dos personagens é um terror para o intendente do teatro Volksbühne am Rosa-Luxemburg-Platz, em Berlim, e, para ele, a atuação imperturbada é um objeto de ódio tanto quanto a banalização da realidade pela arte.
No decurso de quase quinze anos, esse posicionamento concentrado em "ser do contra" produziu o mais importante teatro contemporâneo da Alemanha. A tremenda energia que caracteriza as encenações de Castorf surge da confrontação entre harmonia e violência. Quando ainda era um jovem diretor na RDA, o socialismo burocrático foi o primeiro obstáculo da ira criativa de Castorf. Banido para o Theater Anklam, na província, ele insistentemente continuou a infringir os cânones, que haviam sido estabelecidos para o teatro da Alemanha Oriental e que toleravam somente a crítica velada ao sistema, até que permitiram que ele levasse suas produções para a Alemanha Ocidental.
Após a reunificação, a sua aversão contra a falsidade dos supostos pontos em comum, e especialmente contra a política do "tudo bem" do capitalismo vitorioso, acabou explodindo. Nos anos que se seguiram à queda do muro de Berlim, em nenhum outro lugar da arte o sorriso do estado todo poderoso foi confrontado tão fortemente com a realidade deprimente da tomada do poder pelo sistema quanto no teatro de Castorf.
Em 1990, ele produziu "Os Bandoleiros", de Schiller, na forma de um réquiem para a RDA, que, de modo desenfreado, expressava, ao mesmo tempo, a revolta contra a monopolização e a raiva contra a "sorrateira depressão" dos alemães orientais. Através de atos de pubescente e nua rebelião, passando para xingamentos lançados contra o público, até montagens de trechos de Schiller, Hegel e Sade, esse espetáculo agressivo revelava todo o conteúdo da caixa de ferramentas do indisposto Castorf. Ele fez da violação das regras um princípio, e a partir disso desenvolveu uma forma de teatro que tudo pode e nada deve. E adotou esse princípio para outras situações sociais, quando a dissolução da RDA na sociedade de consumo perdeu a importância como tema histórico.
Graças a sua tremenda energia criativa, e graças a um ensemble de atores excepcionais, capazes de cumprir com a exigência de transformar provocações intelectuais em sátiras gritantes, Castorf submeteu Shakespeare e Hauptmann, Dostoievski e Tennessee Williams a adaptações radicais. Ele cria episódios com uma salada de batatas voando, textos teóricos inseridos nas falas, atores urinando em baldes de zinco, e coloca à prova os nervos da platéia, por meio de cenas da vida de uma família histérica, para depois se dirigir ao público, fazendo discursos improvisados ou expressando vivências do subconsciente, com altas doses de slapstick. Músicas estrondosas e filmes inseridos, esperas tediosas que terminam com a aterrissagem de um helicóptero de brinquedo, e atores fazendo nuas loucuras com uma jibóia enrolada ao redor do pescoço - esses são os recursos com que Castorf monta a sua ranhosa visão do mundo no teatro. O que conta, nas palavras do diretor, é "livrar-se de tudo o que for inequívoco e solapar as bases dos significados - é isso que eu sempre quis fazer!"
Os muitos ecos fracassados desse método mostraram que essa desvalorização da harmonia e do significado somente funciona graças ao excepcional espírito construtivo de Castorf. A moda da desconstrução, que por causa dele foi declarada como sendo a tendência dos anos noventa, acabou levando à dissolução da forma, na maioria dos que tentaram imitá-lo. Já Castorf consegue integrar na encenação um comentário permanente, muitas vezes cínico, do que está acontecendo no palco, o que constitui um genuíno desafio ao intelecto e ao senso de humor. Mesmo os espetáculos-maratona, com duração de várias horas, como por exemplo, "O Idiota" ou "Os Demônios", nas quais a melancolia russa é transferida para uma carregada atmosfera metropolitana, ambientada numa estética miserável de bangalôs criada pelo seu congenial cenógrafo Bert Neumann, produzem o excitante prazer de ser confrontado com exigências excessivas.
Nos últimos anos, Castorf vem intensificando o princípio do "esforço como purificação", ao duplicar os níveis de imagens e narrativas no palco com ajuda de equipes de filmagem. É verdade que a desenfreada superabundância de locações e fluxos de imagens às vezes parecem sair do controle, mas isso também faz parte da permanente contradição entre violência e harmonia que tanto energiza o teatro de Castorf. Nada de coisas inequívocas. O resto fica por conta dos espectadores.
Encenações - uma coletânea

- Frank Castorf segundo Tennessee Williams Forever Young
2003, Wiener Festwochen - Michail Bulgakow Margarita e o mestre
2002, Volksbühne Berlin, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) - Frank Castorf segundo Fiodor Dostoiévski O idiota
2002, Volksbühne Berlin - Frank Castorf Fiodor Dostoiévski Insultados e injuriados
2001, Volksbühne Berlin, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) - Frank Castorf segundo Tennessee Williams Um bonde chamado desejo
2000, Volksbühne Berlin, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) - Frank Castorf Fiodor Dostoiévski Demônios
1999, Volksbühne Berlin, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) - Jean-Paul Sartre As mãos sujas
1998, Volksbühne Berlin, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) - Gerhart Hauptmann Die Weber (Os tecelões)
1997, Volksbühne Berlin - Carl Zuckmayer Des Teufels General (O general do diabo)
1996, Volksbühne Berlin, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) - Bertolt Brecht Herr Puntila und sein Knecht Matti
1996, Deutsches Schauspielhaus Hamburg, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) - Elfriede Jelinek Raststätte oder Sie machens alle (Área de serviço ou todos fazem)
(1995, Deutsches Schauspielhaus Hamburg, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) - Carl Laufs / Wilhelm Jacoby Pension Schöller / Die Schlacht (Pensão Schöller / A batalha)
1994 Volksbühne Berlin - Henrik Ibsen A dama do mar
1993, Volksbühne Berlin - Anthony Burgess Clockwork Orange
1993, Volksbühne Berlin - William Shakespeare Rei Lear
1992, Volksbühne Berlin, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) - Frank Castorf segundo Friedrich Schiller Guilherme Tell
1991, Theater Basel - Henrik Ibsen John Gabriel Borkmann
1991, Deutsches Theater Berlin, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) - Frank Castorf segundo Friedrich Schiller Os bandoleiros
1990, Volksbühne Berlin - Frank Castorf segundo Gotthold Ephraim Lessing Miss Sara Sampson
1989, Bayrisches Staatsschauspiel München, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) - Frank Castorf segundo William Shakespeare Hamlet
1989, Theater Köln - Paul Zech Das trunkene Schiff (O barco naufragado)
1988, Volksbühne Berlin - Heiner Müller Der Bau (A construção)
1986, Theater Karl-Marx-Stadt - Henrik Ibsen Nora
1985, Theater Anklam - Heiner Müller A missão
1984, Theater Anklam














