Em janeiro de 1999, o Theater an der Ruhr foi o primeiro grupo europeu a participar do Fadjr International Theatre Festival em Teerã desde a revolução islâmica de 1979, passando então a ser uma participação constante. Em contrapartida, grupos iranianos foram convidados para se apresentar em Mühlheim. Com sua habilidade diplomática, Ciulli vinha trabalhando há anos para estabelecer esse intercâmbio. Já que desde 1987 não existe mais um acordo cultural entre o Irã e a Alemanha, ele acabou fechando um acordo com as autoridades competentes iranianas por sua própria conta, abrindo assim as portas para outras companhias teatrais ocidentais. O ponto alto desse intercâmbio foi a produção em 2002 da sombria tragédia feminina "A Casa de Bernarda Alba" de Garcia Lorca, que ele desenvolveu em Teerã com atrizes iranianas em idioma persa. O Frankfurter Rundschau viu nessa produção, que também foi apresentada na Alemanha, uma "urgência existencial e política".
Para o cosmopolita Ciulli, o teatro é político per se; é um lugar para o diálogo e um instrumento para mudar o mundo. Ele pensa em termos globais e sempre considerou demasiadamente estreita a visão local de um teatro nacional ou municipal. Seu teatro nasce da insatisfação, "a insatisfação com as condições sociais e com um mundo que não é o que deveria ser." Enlevado por tal espírito, Ciulli há anos persegue o seu projeto do "Caminho da Seda": com o seu teatro, ele viaja da Turquia para a China, passando por todos os países da antiga rota de comércio e, em contrapartida, convida grupos desses países para atuarem em Mühlheim.
O histórico Caminho da Seda também passa pelo Iraque, e o teatro de Ciulli se apresentou em Bagdá em 2002 - apesar de todas as críticas (Sadam Hussein ainda estava no poder) - como o primeiro e único grupo ocidental, encenando "Antigona" e "Kaspar", de Handke, "O Pequeno Príncipe", de Saint-Exupéry e "A Ópera de Três Vinténs", de Brecht. Ciulli ignora embargos políticos, porque "é um crime isolar um povo culturalmente".
Já em 1987 Ciulli iniciou uma estreita colaboração com o Teatro Estatal Turco, resultando numa produção conjunta com a diretora Müge Gürman: "A Casa de Bernarda Alba", com oito atores masculinos turcos, em idioma turco. Em 1995, Ciulli encenou "Na Selva das Cidades", de Brecht, numa produção em várias línguas e envolvendo atores de várias culturas. Em janeiro de 1991, "Bodas de Sangue" de Lorca foi a primeira produção de Mühlheim do Teatro Pralipe, de Roma, que Ciulli integrou ao seu teatro.
Não só em termos artísticos, mas também em relação à estrutura organizacional, o Theater an der Ruhr, uma companhia limitada em termos jurídicos, é um modelo alternativo para os teatros municipais convencionais. O Frankfurter Allgemeine Zeitung certa vez chamou-o de “o teatro não municipal mais fora do comum na República: metade palco estatal ambulante, metade grupo permanente independente".
Roberto Ciulli, como diretor, tem a convicção de que o teatro é uma arte autônoma, em cujo centro está o ator. Suas produções nascem de uma série de longos ensaios, segundo o método do "work in progress". As peças quase nunca são atuadas de acordo com o original, e sim desenvolvidas no trabalho improvisado e na troca de experiências com os atores. As produções de Ciulli nunca estão "prontas" na Estréia - elas são como jornadas: viagens aventureiras a mundos imaginários desse diretor pensativo e seus fortes atores, que ele considera como seus "co-autores".
De vez em quando, Ciulli se apresenta como ator; da última vez, em “O balcão”, de Jean Genet, uma celebração da morte. Como um mestre de cerimônias, ele guiou a platéia através das cenas, arranjadas por ele como se fossem tomadas de um álbum de fotografia, com “a leveza da morte e a soturnez da vida" (Süddeutsche Zeitung): memorial e luto através da beleza e da arte.












