Uma de suas maiores produções foi apresentada em 1997, no Nationaltheater em Mannheim: "O mistério da vida – um seminário de assassinas”. O ponto de partida para esse estudo cênico de mulheres assassinas foi o caso das irmãs Papin, duas francesas que nos anos 30 atacaram a sua patroa e a filha desta como se fossem anjos vingadores. Essa exegese sobre assassinas foi uma obra que deu certo, porque Barbara Frey contestou as idéias convencionais da inescrutável ânsia de matar, ao ambientar aquela noite em uma biblioteca e transformar as irmãs Papin em bibliotecárias de múltiplas facetas.
Durante o desenvolvimento desse projeto, Barbara Frey trilhou diversos caminhos e desenvolveu o seu próprio estilo como diretora. Em 1999, ela realizou uma encenação notável no Theater Basel, com a apresentação de "Roberto Zucco", de Bernard-Marie Koltès. Ela novamente mostrou seu interesse pelo tema da maldade inexplicável, apresentando o assassino sem lançar mão dos clichês sobre a monstruosidade. O perfil de Roberto Zucco se configura de acordo com as reações dos outros personagens em relação a ele.
No começo da temporada de 1999/2000, Barbara Frey foi para o teatro Schaubühne de Berlim, para trabalhar como diretora residente, integrando a equipe ao redor de Thomas Ostermeier. Durante este período, ela encenou "Rei Ubu", de Alfred Jarry, e fez a Estréia de Vor langer Zeit im Mai, de Roland Schimmelpfennig. Essa cooperação terminou no início de 2001.
Desde então, Barbara Frey atua sob Dieter Dorn no teatro Bayerisches Schauspiel de Munique e no Theater Basel, onde em 2003 ela apresentou a sua melhor produção até hoje: Die sexuellen Neurosen unserer Eltern, de Lukas Bärfuss. No centro dessa peça está Dora, de 15 anos de idade, que não tem domínio pleno de seus sentidos, há tempo toma tranqüilizantes e vive num estado de obnubilação. Quando pára de tomar seus remédios, descobre a vida, os homens e a sensualidade. Barbara Frey ambienta a história num cenário artificial de sofás, com marcações fortes e um grande senso de mudanças na atmosfera. A peça e a produção foram convidadas para o festival Mülheimer Theatertage.
Desde que deixou o teatro Berliner Schaubühne, Barbara Frey se voltou decididamente para os clássicos e redefiniu o seu trabalho como diretora. O resultado foi um estilo de produção que investiga o texto profundamente, sem, no entanto, esconder-se atrás dele. No final de 2003, em Basel, ela produziu "Anfitrião" de Kleist, ambientando essa obra de arte lingüística que trata da confusão de identidades da corte do rei de Tebas para um cenário de praia com bangalôs sobre estacas, alternando cenas de pesadelo com cenas de pura comédia.
“Quando lido com os clássicos, essa discussão sobre o teatro de ontem e de hoje não se coloca para mim”, diz Barbara Frey. “Kleist, por exemplo, é extremamente contemporâneo, em minha opinião, pois ele coloca amplas questões sobre identidade, subjetividade e a fragilidade do mundo.” Sobretudo com as suas mais recentes produções, Barbara Frey deixa claro que é uma diretora interpretativa, que busca o conteúdo moderno também nas grandes obras clássicas, que não procura o simples jogo de efeitos.












