Festa de lançamento do livro “Explosão. Romance da etnologia”

Lançamento Explosão Fichte

Di, 28.11.2017

Goethe-Institut São Paulo

Rua Lisboa, 974
05413-001 São Paulo

Shows de Negro leo e Linn da Quebrada

Um dos livros seminais para compreensão do trabalho do poeta e etnólogo alemão Hubert Fichte, “Explosão. Romance da Etnologia”, ganha tradução para o português de Marcelo Backes pela editora Hedra. O lançamento é seguido de pocket show com o compositor e instrumentista Negro Leo e apresentação da cantora Linn da Quebrada.

Fichte gostava de sexo. E gostava de viajar. Gostava particularmente do Brasil e dos brasileiros. Um dos maiores autores cults alemães, poeta maldito e cronista do submundo de Hamburgo, Hubert Fichte (1935-86) ganha exposições de arte e edições de sua obra em diversos países. O projeto “Hubert Fichte: Amor e Etnologia”, concebido por Anselm Franke e Diedrich Diederichsen, lançado na Alemanha pela Haus der Kulturen der Welt (HKW) em parceria com o Goethe-Institut, leva o legado de Fichte às cidades que ele visitou e sobre as quais escrevia: Lisboa, Salvador, Rio de Janeiro, Dakar, Nova Iorque, Santiago do Chile, entre outras.

Hubert Fichte
21 de março de 1935, Perleberg/Alemanha – 8 de março de 1986, Hamburgo/Alemanha

Escritor alemão, bi-/homossexual, de pai judeu e criado durante a Segunda Guerra, é uma figura chave do underground literário alemão dos anos 1960, também frequentemente relacionado ao universo beatnik. Após a fama do seu romance “Die Palette” (1968), decidiu viajar pelo mundo seguindo as rotas das diásporas africanas pelo Senegal, Benin, Nigéria, Togo, Haiti, República Dominicana, Granada, Venezuela, EUA e, sobretudo, pelo Brasil, escrevendo seu ciclo inacabado de 18 romances e ensaios sob o título “A História da Sensibilidade”. Fichte viveu os últimos anos de sua vida com HIV/AIDS, principalmente em Hamburgo, e faleceu em 1986 depois de complicações de saúde. No Brasil, circulou principalmente pelo Rio de Janeiro, Salvador e São Luís, por três extensos períodos entre 1969, 1971-72 e 1981-82, desenvolvendo o que chamou de “antropologia experimental” ou “etnopoesia”. Percebido como escritor polêmico, Fichte sem dúvida fez sua contribuição ao mundo literário por meio de um impressionante compêndio de pesquisas sobre as religiões afro-americanas no Brasil, como o candomblé e o Tambor de Mina, e ao mesmo tempo desenhou vastas cartografias do submundo gay nas metrópoles brasileiras, durante o período militar. Dessa interseção complexa nasce uma “outra” poesia, uma “outra” etnografia, uma “outra” forma de jornalismo e comentário político; uma magnífica obra por descobrir e que ao mesmo tempo exige “outras leituras” e um desafio “transrelacional” para o leitor contemporâneo, ainda mais para o leitor brasileiro em 2017.

Sobre o Livro

“Explosão. Romance da Etnologia” é um dos romances centrais da “História da Sensibilidade”. O livro resume as viagens e andanças de Fichte pelo Brasil – Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, Recife, Belém, Manaus –, visitando terreiros, mães de santo, celebridades da antropologia, banheiros públicos, os “cinemões” da época – lugares de encontro gay –, ladeiras estreitas e praças escuras. No Brasil, ele tem sua primeira edição pela editora Hedra, com tradução do escritor, professor, tradutor e crítico literário Marcelo Backes.

Negro Leo
Compositor e instrumentista, tem oito discos lançados. Entre 2014 e 2015, lançou “Ilhas de Calor” e “Niños Heroes”, discos que lhe renderam resenhas no The New York Times, na revista Playboy norte-americana e o levaram a palcos prestigiados no mundo, como Cafe Oto e Counterflows Festival. Atuou como compositor da trilha sonora do filme “Intuito”, de Gregorio Gananian.

Linn da Quebrada
Artista multimídia e bixa travesty, Linn encontrou na música uma poderosa arma na luta pela quebra de paradigmas sexuais, de gênero e corpo. Em 2016, a artista se jogou na música com o hit “Enviadescer” e de lá pra cá não parou mais, incluindo aí a direção do experimento audiovisual “blasFêmea”, da música “Mulher” e a realização de uma campanha de financiamento coletivo para a produção de Pajubá, seu disco de estreia, lançado em Outubro de 2017. Nos shows, Linn da Quebrada é acompanhada pela produtora musical BadSista, a cantora e persona Jup do Bairro, o percussionista Valentino Valentino e o DJ Pininga.


Este evento faz parte do Projeto “Hubert Fichte: Amor e Etnologia”, uma cooperação entre o Goethe-Institut e a Haus der Kulturen der Welt, apoiado pela Fundação S. Fischer e pela Fundação Forberg-Schneider
Direção artística: Diedrich Diederichsen e Anselm Franke.
Curadoria no Brasil: Max Hinderer e Amilcar Packer.

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