Março 16. 2017 Envelhecimento ativo e aprendizagem de línguas

Estudante
© Goethe-Institut/Felix Rettberg

Em 10 de janeiro de 2010, foi publicada na Livraria da Folha - seção da Folha de São Paulo - uma reportagem intitulada “Livro revela por que pessoas vivem mais de um século nas Zonas Azuis”. Na época, segundo a reportagem, não havia ainda tradução do livro para o português, mas hoje podemos encontrá-lo sob o título “A solução das Zonas Azuis: os lugares do mundo onde se vive até aos 100 anos”.

O autor, Dan Buettner, preparava uma matéria sobre longevidade para a National Geographic, quando percebeu que suas pesquisas poderiam ser reunidas em um livro. Identificou regiões do planeta onde as pessoas são mais longevas e designou essas áreas como Zonas Azuis, dentre as quais destacam-se a Sardenha (Itália), as Ilhas de Okinawa (Japão) e a cidade de Loma Linda (Califórnia). Características comuns a esses três lugares, tão distantes entre si e de culturas tão diferentes, podem ser consideradas como a chave para a longevidade:

·     a família colocada em primeiro lugar;

·     aversão ao fumo;

·     dieta com base em vegetais, principalmente legumes;

·     atividade física moderada e constante;

·     envolvimento ativo na vida da comunidade.

Pesquisamos essas três zonas azuis e verificamos que seus habitantes dificilmente teriam uma crise de estresse. A Sardenha é uma ilha banhada por águas paradisiacamente azuis e habitada por menos de dois milhões de pessoas; Okinawa é um arquipélago que também oferece inúmeras praias de águas azuis; e Loma Linda é uma cidade com menos de 30 mil habitantes, dos quais quase a metade são adeptos da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que preconiza hábitos saudáveis.

Então, o que pessoas que vivem em cidades grandes podem fazer, para manterem-se saudáveis e, quem sabe, terem uma vida longa e produtiva? Uma boa opção – além, é claro, dos fatores enumerados acima – é aprender línguas estrangeiras. Vamos explicar por quê.

No livro Neurodidática: fundamentos para professores de línguas”, a autora Marion Grein assegura que aprender línguas é a melhor maneira de se treinar a memória, porque, nesse processo, várias áreas do cérebro são ativadas. Baseada em estudos de outros pesquisadores, ela afirma que a partir dos 55 anos de idade ocorre em todas as partes do cérebro uma perda de neurônios, mas nas pessoas que não exercitam o cérebro, há ainda uma perda acentuada no hipocampo e na amígdala, os quais têm estreita relação com a memória. Pouca atividade cerebral leva a uma baixa irrigação sanguínea, que, por sua vez, causa uma baixa oxigenação do próprio cérebro. Por mais que a tendência natural seja a perda de neurônios à medida que vamos envelhecendo, sabe-se hoje que existe uma neurogênese na idade adulta. O importante é manter sempre o cérebro trabalhando.

E como otimizar o aprendizado de línguas em idades avançadas, levando-se em consideração outros aspectos do envelhecimento, como perda de audição, problemas de visão e lentidão no processamento de informações? Marion Grein explica que a perda de neurônios no córtex do lóbulo frontal provoca uma redução na produção de dopamina, responsável pela atenção seletiva, pelo armazenamento de informações e também pela segurança diante de riscos. Assim, é imprescindível que as pessoas mais velhas sintam-se seguras, respeitadas, não expostas a atividades muito diferentes daquelas que elas conheceram se, porventura, fizeram algum curso de língua estrangeira na juventude. Caso contrário, haverá a produção de cortisol - o hormônio do estresse - e o consequente bloqueio mental.

Portanto, o negócio é promover aulas muito prazerosas, respeitando o tempo de cada um e os desejos da maioria do grupo. Afinal, um aluno motivado de 80 anos, que tenha exercitado seu cérebro por toda a vida, pode aprender muito mais e melhor do que um de 30 anos, que desde os 18 não estudou mais nada.